Casar filhas é o maior objetivo de todas as mães

Anne Miller
Albany Times Union

É noite de domingo, e o telefone toca. Minha mãe acaba de chegar de mais uma cerimônia de casamento. Ela conversa um pouco --a comida estava ótima, uma das primas estava linda; a outra lhe preocupa, etc. Rapidamente, ela chega ao ponto: conheceu um ótimo rapaz. Atraente, inteligente. Perfeito para mim.

É claro, inevitavelmente, ele mora em Washington, ou Nova York, ou Boston. Ou, em um caso memorável, no Tadjiquistão. Ou teria sido Cazaquistão? Faz diferença? Aparentemente, não.

Ela examina os rapazes, conversa com as mães ou pede às amigas ou primas informações sobre o candidato em questão. Ela não se lembra qual era a profissão daquele de Washington. O de Nova York --bem, se eu o arrebatasse, nunca teria que trabalhar na minha vida.

O candidato mais promissor parecia ser um primo de meus primos, que adora viajar, como eu, e trabalha para uma Organização Não Governamental (que nobre!). É ele que está no Cáucaso.

Ela dá a todos meu e-mail. Nenhum deles jamais me escreveu.

Que fique claro: nunca pedi a ela que fizesse isso. Imagino que os potenciais noivos em questão também não perguntaram a ela se tinha uma filha solteira, tampouco.

Muitas mães e avós parecem ver sua prole, bem sucedida e solteira, como projeto de casamento. É como a frase de abertura de "Orgulho e Preconceito", romance de Jane Austin, sobre a sociedade vitoriana: "É uma verdade universalmente aceita que um homem solteiro, na posse de uma boa fortuna, deve estar precisando de uma esposa."

No meu caso, os gêneros devem ser invertidos; no caso do meu irmão devem permanecer os mesmos, mas algumas verdades universais não mudam, independentemente do século.

Como minha avó: ela ora por mim. Não daquela maneira genérica, "que minha família esteja bem", nas manhãs de sábado na sinagoga. É muito mais direta. Mulher do chantre de uma sinagoga ortodoxa moderna em Baltimore, ela tem um grupo de preces semanais. Elas oram por coisas como a paz mundial e a saúde dos fiéis hospitalizados. Elas também têm uma lista de todos os sobrinhos, sobrinhas, filhos e netos solteiros e pedem que encontremos bons companheiros.

Minha avó me colocou na lista logo após a faculdade, quando eu tinha 23 anos. Quanto a minha mãe e seus casamentos, bem, isso é um desdobramento mais recente, dos últimos dois anos.

Tenho a impressão de que ser solteira na faculdade era aceitável --tinha que me concentrar nos estudos. Ser solteira enquanto constituía carreira era aceitável --tinha que me concentrar no trabalho. Agora que sou formada e tenho um sólido currículo, o consenso geral e não dito parece ser que tenho que me concentrar no romance. Afinal, estou chegando aos 28.

No início, eu ficava irritada, como uma filha fica com pais chatos. Não sou dessas mulheres que têm como prioridade número um encontrar um marido. Acho que 28 é uma ótima idade para se estar solteira, muito obrigada.

Eu ficava revoltada. Como podia minha mãe passar meu contato pessoal sem me perguntar? Como pode assumir que eu ia gostar desses sujeitos? Ela e eu não temos nem o mesmo gosto para roupas.

No entanto, ultrapassei isso cerca de cinco minutos depois do primeiro telefonema após uma cerimônia de casamento. Entendi que não estava me pressionando. Estava me protegendo, como fazem os pais.

A verdade é que eu tive meus anos de liberdade e agora não seria tão ruim encontrar algo, ou melhor, alguém, mais estável.

Durante os anos, mudei de idéia algumas vezes sobre se me sinto pressionada em casar. Considero-me uma pessoa de mente aberta e me pergunto se seria correto me limitar. Mas, no final, se alguém me perguntasse meu ideal de vida, casar estaria na minha lista.

Além disso, uma árvore de natal na minha casa? Só depois de muita terapia de casal e, mesmo assim, não tenho certeza se aceitaria enfeites no tapete da sala.

Penso em tudo isso toda vez que minha mãe me liga depois de mais um casamento. Acho que ela entendeu isso tudo antes de mim. É claro que implico com ela sobre os homens e o fato de ela distribuir meu endereço eletrônico. Acho que ela deve ouvir meus olhos revirando pelo telefone.

Mas tudo bem. Ela não está distribuindo meu número de telefone. E eu tenho que dar-lhe crédito por tentar. Muitos acreditam que, após certa idade, mulher precisa de marido Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos