Republicanos articulam perpetuação no poder

Stewart M. Powell
Em Washington

Segundo analistas independentes, o presidente Bush e o líder da maioria no Senado, Bill Forest, republicano do Tennessee, estão movimentando as alavancas do poder para garantir o cumprimento das promessas da campanha e fortalecer os esforços do Partido Republicano no sentido de conquistar governos e assentos nas câmaras estaduais.

Bush está enviando assessores de confiança da Casa Branca para administrarem pelo menos três postos no Gabinete. Frist está assumindo o controle de metade dos atributos nos 12 mais poderosos comitês senatoriais, o que lhe capacita a impor a disciplina partidária recompensando com bons cargos os senadores que cooperarem.

A consolidação do poder nas duas extremidades da Avenida Pensilvânia é um reflexo do plano do estrategista da Casa Branca, Karl Rove, no sentido de controlar as operações do Gabinete e a ação legislativa para expandir a vitória de Bush, fazendo com que esta se traduza em uma maioria republicana durante muito tempo.

Rove enfatiza que os republicanos vitoriosos precisam se focalizar no cumprimento das promessas. "O povo quer ver resultados. A maior preocupação do partido é honrar os compromissos que fizemos à população norte-americana".

Shirley Anne Warshaw, especialista em estudos sobre a presidência no Gettysburg College e autora do livro "The Keys to Power: Managing the Presidency" (As Chaves do Poder: Gerenciando a Presidência), diz que a Casa Branca e os líderes do Partido Republicano na Casa Branca farão "tudo que puderem em Washington para conseguir resultados a fim de montar a infraestrutura republicana no nível estadual".

Paul C. Light, também especialista em questões presidenciais da Universidade de Nova York, diz que Bush vê o seu segundo mandato "como uma oportunidade para criar uma maioria republicana duradoura por meio da coordenação de esforços entre a Câmara e o Senado". E acrescenta: "Essa será a preocupação do governo".

Norm Ornstein, especialista em assuntos congressuais do American Enterprise Institute, diz que os líderes republicanos no Senado e na Câmara estão também consolidando seus poderes. "Não estaríamos presenciando essa movimentação caso os republicanos não tivessem conquistado cadeiras no congresso nas eleições de 2 de novembro", diz ele.

A consolidação foi elaborada de forma a acelerar as ações federais que poderiam ajudar na obtenção do controle republicano sobre os governos e legislaturas estaduais que mapearão o processo de redefinição das zonas congressuais que ocorrerá em 2012, após o próximo censo, dizem os especialistas.

Essa redefinição das zonas congressuais, por sua vez, elevará o número de membros republicanos na Câmara em 2014, em uma estratégia que fortalecerá a posição do Partido Republicano no Congresso de forma semelhante ao que ocorreu no passado com relação aos democratas.

Bush fortaleceu o poder sobre o Gabinete, ao nomear para este assessores da Casa Branca para os primeiros três postos destinados ao seu segundo mandato. Condoleezza Rice, a atual assessora de Segurança Nacional, será a secretária de Estado, o conselheiro da Casa Branca, Alberto Gonzalez, será procurador-geral, e a assessora para Questões Domésticas da Casa Branca, Margaret Spellings, será a secretária de Educação.

Light afirma que as nomeações refletem uma tentativa de "assumir controle" sobre os departamentos mais sensíveis do Gabinete por meio de indivíduos leais a Bush que possam colocar em prática as políticas do presidente.

"Este presidente sabe para onde está rumando e não que ouvir muito questionamento por parte do seu gabinete", diz Light.

Warshaw diz que a escolha dos assessores da Casa Branca por Bush, ao invés da indicação de republicanos proeminentes, reflete a sua ênfase em ter controle total sobre o Gabinete. "Colocar membros da equipe da Casa Branca no Gabinete não é uma prática comum", observa Warshaw, que escreveu bastante sobre os gabinetes presidenciais.

Ornstein, o especialista no Congresso, diz que líderes congressuais estão se movendo na mesma direção. O fato de conferir a Frist a autoridade para nomear membros dos comitês do Senado "permite que a liderança tenha mais controle --e isso significa que os conservadores poderão exercer maior pressão sobre os moderados", diz Ornstein.

Frist conseguiu um maior controle sobre a nomeação de membros dos comitês do Senado por meio de uma mudança de regras aprovada por senadores republicanos em uma votação secreta, na última quarta-feira, que teve 27 votos a favor e 26 contra.

A alteração, promovida pelo senador Trent Lott, republicano do Mississipi, um ex-líder da maioria do Senado que atualmente atua como presidente do poderoso Comitê de Regras e Administrações naquela casa, dá a Frist o poder de nomear metade dos membros dos comitês mais poderosos, como o de Apropriações, o de Finanças, o de Agricultura, o de Relações Exteriores e o de Serviços Armados.

O tempo de serviço era o fator que anteriormente determinava tais nomeações. Frist disse que as mudanças permitem que a sua "equipe de liderança retire o melhor de cada um e de todo senador norte-americano".

Bush usou uma coletiva pós-eleitoral à imprensa em 4 de novembro para ressaltar que a primeira reeleição de um presidente republicano com uma maioria expandida do Partido Republicano no Congresso desde 1924 seria usada para implementar a agenda política conservadora que ele delineou durante a dura campanha contra o senador John Kerry, democrata de Massachusetts.

"Eu obtive capital na campanha, capital político, e agora a minha intenção é empregá-lo", declarou Bush. "Esse é o meu estilo".

Presidentes reeleitos promovem rotineiramente mudanças nos seus gabinetes. O presidente Bill Clinton trouxe seis novos membros para o seu gabinete após a sua reeleição em 1996. O presidente Ronald Reagan também trouxe seis, após ser reeleito em 1984. Ambos os presidentes nomearam assessores da Casa Branca para preencher duas vagas no gabinete no início de seus segundos mandatos.

Rice é a primeira assessora de Segurança Nacional, desde Henry Kissinger, em 1973, a sair da Casa Branca para chefiar o Departamento de Estado. Os laços estreitos entre Gonzales e Bush, que já duram uma década, desde a época em que era conselheiro geral do então governador Bush, do Texas, fizeram com que ele seja o primeiro assessor da Casa Branca a chefiar o Departamento de Justiça desde que Robert F. Kennedy atuou como procurador-geral para o seu irmão, o presidente John F. Kennedy, no início dos anos 60.

Bush tolerou pouco dissenso público por parte dos membros do gabinete durante o seu primeiro mandato, tendo demitido o secretário do Tesouro, Paul O'Neill, após este ter divergido da sua política econômica, além de ter reduzido a influência do moderado secretário de Estado Colin Powell.

"Bush quer pessoas que estejam absolutamente comprometidas com a sua agenda, porque elas ajudaram a criar tal agenda na Casa Branca", explica Light. Bush, estrategista e líder no Senado querem cumrprir promessas Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos