Capacidade de sobrevivência de Rumsfeld vem sendo testada

Stewart M. Powell

Em Washington - Como ex-praticante de luta greco-romana na Universidade Princeton, Don Rumsfeld sabe se levantar do ringue após ser golpeado, jogado para o ar ou surpreendido por um golpe inesperado.

Essa lendária capacidade de recuperação está sendo colocada à prova pelos pedidos dos senadores republicanos para que ele deixe o cargo após a reclamação feita por um soldado quanto à falta de veículos blindados no Iraque.

"É uma tarefa difícil", admite o secretário de Defesa de 72 anos. "Ela parece se modificar de acordo com o território".

Rumsfeld pode sobreviver a essa última controvérsia graças ao apoio da Casa Branca e da necessidade do governo

Bush de contar com uma continuidade no Pentágono antes, durante e imediatamente depois da eleição nacional de 30 de janeiro no Iraque.

Rumsfeld, um líder enérgico e dominador que serviu como secretário de Defesa do presidente Gerald Ford 30 anos atrás, é um dos apenas seis integrantes do gabinete de Bush, que conta com 15 membros, que receberam a solicitação do presidente para que permanecessem no cargo durante o segundo mandato.

Mas as perspectivas de longo prazo de Rumsfeld continuam incertas na medida em que ele se defronta com a possibilidade crescente de ouvir duros questionamentos do Congresso sobre a sua estratégia e gastos no Iraque. Esses questionamentos deverão ficar mais intensos devido à exposição do fato de que o Pentágono não providenciou imediatamente blindagem para cerca de 30 mil jipes Humvee e caminhões militares de transporte que são alvos das bombas plantadas à beira das estradas pelos insurgentes.

Os desafios enfrentados por Rumsfeld devem aumentar à medida que ele busque a aprovação do Congresso para um projetado pedido emergencial de US$ 70 bilhões para gastos adicionais com o Iraque em 30 de setembro de 2005, assim como para o orçamento do Pentágono para o ano fiscal de 2006, que tem início em 1º de outubro do próximo ano.

Lawrence J. Korb, ex-secretário assistente de Defesa que atuou nas áreas de contingentes humanos, forças reserva, instalações e logística, durante o governo Reagan, diz que os críticos republicanos de Rumsfeld que deram uma trégua ao secretário durante a campanha eleitoral agora se sentem desimpedidos para falar.

"Muitos republicanos estão irritados com a conduta de Rumsfeld na guerra do Iraque, mas eles não querem falar nada durante a campanha eleitoral porque isso seria fornecer auxílio e conforto ao outro lado", afirma Korb. "Mas agora que a eleição acabou e que eles não vêem uma solução à vista no Iraque, esses parlamentares entraram em cena e atacaram Rumsfeld, já que não podem realmente culpar o presidente", acrescenta Korb.

A falha inicial do Pentágono ao deixar de fornecer proteção blindada adequada aos veículos utilizados no Iraque se transformou em um pára-raios para preocupações maiores dos parlamentares que se preparam para a reeleição em 2006 e para cidadãos ansiosos devido aos custos de longo prazo da campanha, afirma Korb.

"A população vê um jovem soldado se levantar e dizer a Rumsfeld que as nossas tropas precisam catar chapas blindadas em ferros-velhos e isso se transforma em uma metáfora para os problemas mais amplos relativos a toda a operação", explica Korb.

Na semana passada, Rumsfeld foi vítima de críticas de uma contundência incomum por parte de alguns dos tradicionais aliados republicanos do Pentágono no Congresso.

"Eu gostaria de ver uma mudança nesse cenário no ano que vem", disse na última quinta-feira, na Câmara de Comércio em Biloxi, Mississipi, o senador Trent Lott, republicano daquele Estado. "Não estou pedindo a sua exoneração, mas em determinado momento precisaremos de alguma mudança".

O senador John McCain, republicano pelo Arizona, e um dos principais republicanos no Comitê do Senado para as Forças Armadas, além de ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, disse em uma entrevista à Associated Press em Phoenix que "não confia" em Rumsfeld. McCain, um possível sucessor de Rumsfeld, lamenta o fato de o Pentágono não ter enviado 100 soldados adicionais ao Iraque, um contingente extra que, segundo McCain, seria necessário para sufocar uma insurgência que engoliu a nação de 25 milhões de habitantes e que tem o tamanho da Califórnia.

A senadora Susan Collins, republicana pelo Estado de Maine, e presidente do Comitê de Assuntos Governamentais no Senado, disse a Rumsfeld em uma carta enviada ao secretário na última quinta-feira: "Parece que o Pentágono não fez tudo o que estava ao seu alcance para aumentar a produção de blindagem protetora para os quase 22 mil jipes Humvee usados no Iraque. O secretário do Exército Les Brownlee citou a falta de proteção blindada junto ao Comitê do Senado para as Forças Armadas em março deste ano".

"Continuo preocupada com o fato de, mais de oito meses depois, o Departamento de Defesa ainda ser incapaz de garantir que as nossas tropas contem com o equipamento necessário para desempenharem a sua missão da forma mais segura possível", escreveu Collins a Rumsfeld. "A exigência urgente de proteção blindada continua vigorando".

O general Stephen Speakes disse a jornalistas no Pentágono que placas blindadas de proteção foram adicionadas aos 20 últimos veículos da Equipe de Combate do 278º Regimento, do Tennessee, que possui um total de 830 veículos. Segundo o general, a blindagem foi acrescentada aos veículos menos de 24 horas depois de ele ter recebido um pedido neste sentido, como parte de uma preparação de rotina para tropas que estão sendo enviadas ao Kuait e ao Iraque. Danilo Fonseca

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