Instalações nucleares do Irã seriam alvos difíceis

Eric Rosenberg
Em Washington

Apesar de o vice-presidente norte-americano Dick Cheney ter sinalizado timidamente que o governo Bush aprovaria qualquer ataque preventivo israelense contra instalações suspeitas de armas nucleares do Irã, tal ataque seria muito mais difícil do que bombardeio demolidor de Israel contra o complexo nuclear iraquiano, em 1981.

O programa nuclear iraquiano estava concentrado em uma localização acima do solo de fácil visualização pelos pilotos de bombardeio israelenses, mas as operações nucleares do Irã estão dispersas por todo o país, com alguns centros-chave escondidos no subterrâneo. Acredita-se que o Irã tenha até 20 instalações nucleares. O país tem território maior do que o do Alasca.

Apesar de muitos países terem condenado o ataque israelense de 1981, o bombardeio bem-sucedido agora é amplamente considerado como tendo sido um revés devastador para as ambições nucleares de Saddam Hussein.

Anthony Cordesman, um especialista nuclear do Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos, uma organização de pesquisa não-partidária, disse que não há comparação entre o Iraque em 1981 e o Irã em 2005.

"Os israelenses dispunham de uma inteligência completa sobre o reator no Iraque e o alvo era altamente vulnerável", disse Cordesman em uma entrevista. "No Irã, há muitas instalações e há importantes instalações subterrâneas, que são muito difíceis de destruir."

Aprendendo a lição do ataque de 1981, o Irã dispersou seus muitos centros nucleares para que "não fique claro que a destruição de um teria algum efeito significativo", acrescentou Cordesman.

As ogivas nucleares podem ser feitas com plutônio ou urânio enriquecido, conhecido como U-235. O urânio enriquecido é produzido ou pela difusão gasosa ou por sistemas de centrífugas.

O Irã optou pelo método de centrifugação, uma medida que David Albright, um físico e presidente do Instituto para Ciência e Segurança Internacional, disse que ajuda a esconder seu programa.

Por sua vez, o Iraque usava um imenso reator para produzir plutônio para suas armas planejadas. "A maioria das coisas envolvidas nos programas de centrífugas é de fácil transporte e a maioria das centrífugas feitas pelo Irã pode ser armazenada em caixas e facilmente embaladas. As opções militares não fazem muito sentido" quando os alvos prováveis podem ser tão facilmente escondidos, disse Albright.

Ressaltando quão facilmente as centrífugas podem ser escondidas, disse Albright, "eu poderia montar uma centrífuga de urânio no meu porão".

O Irã admite estar realizando pesquisa nuclear, mas argumenta que a meta de seu programa é produzir eletricidade em vez de armas atômicas. A CIA diz que o Irã está mentindo.

O mais recente relatório não confidencial da agência de espionagem, apresentado ao Congresso em novembro passado, conclui que "os Estados Unidos continuam convencidos de que Teerã tem promovido clandestinamente um programa de armas nucleares".

A CIA também relatou que A.Q. Khan, o pai do programa de armas nucleares do Paquistão, que confessou ter transferido know-how atômico para o Irã, Líbia e Coréia do Norte, melhorou drasticamente a capacidade do Irã por meio da venda ilícita de "antigas centrífugas do Paquistão, assim como projetos para modelos mais avançados e eficientes, além de componentes".

Cheney levantou a opção de um ataque preventivo por Israel contra as instalações nucleares do Irã em uma entrevista para o programa "Imus in the Morning" da Msnbc, em 20 de janeiro, quando deu sua pouco disfarçada bênção a um ataque liderado pelos israelenses contra o Irã.

"Se, de fato, os israelenses estiverem convencidos de que os iranianos possuem uma capacidade nuclear significativa, dado o fato de que o Irã tem como política declarada seu objetivo de destruição de Israel, os israelenses poderiam muito bem decidir agir primeiro, e deixar para o restante do mundo a preocupação com a limpeza posterior do estrago diplomático", disse Cheney.

Os líderes iranianos responderam alertando que retaliarão.

"Nós responderemos a qualquer ação estúpida de Israel e de seu mestre com firmeza e de forma espantosa", disse o general de brigada Mohammad Ali Jafari, um alto oficial militar, para o "Shargh", um jornal iraniano.

Enquanto isso, Israel tem começado a se armar para uma possível ação. Os Estados Unidos forneceram a Israel no outono passado 5 mil bombas inteligentes, incluindo 500 das chamadas "bunker busters" (arrasa bunkers) --utilizadas para a destruição de bunkers subterrâneos.

Israel também começou a receber um novo modelo de caça-bombardeiro F-16 da Força Aérea dos Estados Unidos, chamado Sufa, tempestade em hebraico, que possui novos equipamentos eletrônicos e maior amplitude de bombardeio.

No ataque de 1981 contra o Iraque, o então primeiro-ministro Menachem Begin ordenou que jatos israelenses bombardeassem o Centro Tuwaitha de Pesquisa Nuclear do Iraque, a 18 quilômetros a sudeste de Bagdá, pouco antes do reator do centro ser ativado para produção de plutônio.

Quatorze jatos de fabricação americana --oito F-16 e seis F-15-- sobrevoaram o espaço aéreo jordaniano, saudita e iraquiano para realizar o ataque a 1.046 quilômetros de distância. Após um vôo tenso de 90 minutos --às vezes voando a apenas 60 metros acima do solo para evitar o radar inimigo-- cada F-16 passou uma vez pelo alvo, explodindo as instalações iraquianas em menos de dois minutos com bombas de 900 quilos. O alvo central era o reator nuclear Osirak de fabricação francesa.

O edifício de contenção do reator foi destruído juntamente com o núcleo do reator, a piscina de resfriamento e o que os israelenses disseram ser uma fábrica subterrânea de reprocessamento de plutônio. Nenhum gás radioativo vazou porque a instalação nuclear ainda não estava em operação.

Cheney foi um grande fã do ataque.

Quando foi o embaixador nos Estados Unidos, o ex-general israelense David Ivri exibiu orgulhosamente um presente do então secretário de Defesa Cheney, mostrando uma foto de satélite de reconhecimento do reator iraquiano destruído com uma inscrição.

"Com agradecimentos pela destruição do reator, que tornou nosso trabalho muito mais fácil na Tempestade no Deserto", escreveu Cheney, se referindo ao ataque liderado pelos Estados Unidos em 1991 para expulsar as forças iraquianas do Kuwait. País manteria infra-estrutura atômica em muitas bases subterrâneas George El Khouri Andolfato

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