Cresce movimento pela candidatura de Condoleezza Rice em 2008

Julie Mason, do Houston Chronicle
em Washington

Eles se autodenominam "Condistas", e estão compondo músicas, vendendo adesivos e transmitindo propagandas de rádio em Iowa para enaltecer a sua candidata presidencial republicana preferida para 2008.

Até agora, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, que foi vista pela última vez na Alemanha usando um conjunto de capa e bota pretas que faziam lembrar as do personagem de Keaunu Reeves no filme "Matrix", não manifestou interesse pelo cargo. Os seus entusiasmados apoiadores esperam que um movimento para alistar correligionários a convença a disputar a eleição.

"Encomendamos quase 200 camisetas, e não restou nenhuma", diz Richard Mason, o médico de Miami responsável pelo site www.americansforRice.com. "Fiquei pensando se não estava encomendando muitas delas, com medo de que 2008 chegasse e ficasse com 100 camisetas 'Condi' encalhadas, todas elas de tamanhos que não cabem em mim".

Uma especulação prematura - na verdade, provavelmente muito prematura - sobre a disputa de 2008 está emergindo em parte porque o vice-presidente Dick Cheney, que poderia ser um dos principais candidatos à sucessão do presidente Bush, anunciou que não vai concorrer. Bush não designou um sucessor político, e esse vazio está criando um vácuo político.

"Creio que, no fundo no fundo, a maioria dos viciados em política está torcendo por uma disputa entre Hillary e Condi", opina Jim McGrath, consultor de comunicações em Houston e ex-porta-voz na Casa Branca para o presidente George H.W. Bush, referindo-se à senadora Hillary Rodham Clinton, democrata por Nova York.

"A mídia adoraria tal coisa, e o pessoal da política também", diz McGrath. "E, no momento, todas essas pessoas estão torcendo para que a corrida eleitoral de 2008 comece - um sinal de que precisam de terapia".

A especulação sobre o campo republicano para 2008 está centrada no ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, no senador John McCain, do Arizona, no governador de Massachusetts, Mitt Romney, no líder da maioria no Senado, Bill Frist, do Tennessee, no senador Sam Brownback, do Kansas, no governador da Flórida, Jeb Bush, e no ex-presidente da Câmara, Newt Gingrich.

Entre os possíveis candidatos democratas estão Hillary Clinton, o senador John Kerry, de Massachusetts, o seu ex-companheiro de chapa, senador John Edwards, da Carolina do Norte, o governador do Novo México, Bill Richardson, o general Wesley Clark, o senador Evan Bayh, de Indiana, e o senador Russ Feingold, de Wisconsin.

Ultimamente engajado na promoção de um novo livro e trabalhando como consultor, Gingrich disse que Bush e o estrategista político Karl Rove provavelmente escolherão o próximo candidato republicano, a menos que decidam permanecer neutros.

Quanto às suas próprias aspirações políticas, o ex-presidente da Câmara disse: "Estou em uma fase boa e verei o que acontecerá com o passar do tempo".

Viagens para a promoção do livro vão levá-lo a Iowa e New Hampshire, mas Gingrich disse a respeito da sua volta à política eleitoral: "Tenho isso como implausível".

Rice também disse não estar interessada quando lhe perguntaram recentemente sobre o seu interesse na disputa pela Casa Branca. No entanto, ela manifestou o desejo de ser a representante da Liga Nacional de Futebol.

Em uma entrevista na BBC com David Frost no início deste mês, o entrevistador perguntou a Rice sobre os seus fãs políticos online e se a especulação sobre a sua candidatura em 2008 seria prematura.

"Ah, meu Deus", disse Rice, rindo. "Não creio que ninguém conte com algo como isso".

Uma pesquisa Harris divulgada no início da semana passada demonstrou que 52% dos eleitores têm uma opinião positiva sobre Rice, e 40% negativa. Comparativamente, para Bush esses números são, respectivamente, de 48% contra 51%.

Ex-acadêmica, Rice atuou no primeiro mandato de Bush como assessora de Segurança Nacional, onde foi alvo de muitas críticas devido ao seu papel em supervisionar a guerra no Iraque e na forma como lidou com a Coréia do Norte, entre outras questões.

Bob Stein, Cientista político da Universidade Rice e especialista em pesquisas de opinião, prevê que um efeito não intencional da campanha em favor de Rice seja a neutralização da postura política dos possíveis candidatos a presidente da república no Senado.

"O fato do nome de alguém como ela estar sendo discutido seriamente faz com que seja difícil para Brownback, Hagel e Frist começarem abertamente uma campanha", diz Stein.

Keir Murray, um consultor político democrata de Houston, que no ano passado trabalhou na campanha presidencial de Clark, diz que o campo republicano parece ainda bastante aberto.

"Creio que Rice traz prós e contras. Obviamente ela é atraente, inteligente e competente, embora a sua gestão como assessora de Segurança Nacional tenha sido marcada por controvérsias", disse Murray. "Simplesmente não estou convencido de que ela tenha algum interesse real".

A pressão é grande por parte dos apoiadores de Rice que, desde que lançaram o site em novembro, no dia do aniversário da secretária de Estado (Mason insiste em dizer que a data foi apenas uma coincidência), organizaram uma lista de e-mails com cerca de 4.000 correligionários. Eles também fizeram um jingle oficial, "Condoleezza Will Lead Us" (Condoleezza nos Liderará).

Mason não dá importância aos boatos de que Rice está aparentemente desinteressada na campanha, dizendo que ainda e cedo e que ela ainda não descartou a opção.

"Há uma diferença entre dizer 'ninguém deveria contar com tais coisas' e 'definitivamente não'", diz ele. "Creio que há muitas possibilidades entre essas duas respostas". Danilo Fonseca

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