Hillary quer 'denominador comum' sobre o aborto

Judy Holland
Em Washington

A senadora Hillary Rodham Clinton, democrata por Nova York, voltou a pedir nesta quinta-feira (17/03) a todas as partes envolvidas no debate sobre o aborto que encontrem um "denominador comum" para apoiar as medidas que evitem as gestações indesejadas como forma de reduzir o número de abortos.

Hillary disse que o Congresso precisa fornecer mais verbas aos programas elaborados para prevenir a gravidez não planejada. "Tornar a contracepção acessível e barata é algo de fundamental para a redução de casos de gravidez indesejada e de aborto", afirmou Hillary em uma entrevista à imprensa no Congresso.

Hillary se aliou ao líder democrata no Senado, Harry Reid, de Nevada, um oponente do aborto, ao pedir US$ 100 milhões para custear drogas contraceptivas e programas educacionais relativos à pílula do dia seguinte, além de formas de prevenir a gravidez de adolescente.

"A legislação é parte da nossa tentativa de buscar um denominador comum junto a pessoas que têm opiniões muito diferentes e profundamente consolidadas sobre esse tipo de assunto", disse Hillary, uma potencial candidata à indicação do Partido Democrata para a disputa presidencial em 2008.

Estrategistas democratas, após a derrota nas eleições de 2004, pediram ao partido que apelasse aos eleitores que identificaram os valores morais como sendo uma grande prioridade.

Um resultado disso foi a tentativa de Hillary de encontrar um "denominador comum" entre defensores do direito ao aborto --uma causa com a qual ela se identificava bastante-- e o movimento antiaborto.

"Aquelas pessoas que estão profundamente comprometidas com uma posição contrária ao aborto poderão apoiar essa medida", afirmou a senadora.

Mas o senador James M. Inhofe, republicano de Oklahoma, e conhecido inimigo do aborto, disse que o investimento em programas de abstinência se constituiria em um uso bem melhor das verbas federais.

"Ou a pessoa é contra ou a favor do aborto", afirmou. "Não há denominador comum".

Christina Fitch, diretora legislativa do Comitê de Direito à Vida do Estado de Nova York, disse que Hillary encontrou "um pouco de denominador comum" ao reconhecer a necessidade de redução do número de abortos.

"Estamos satisfeitas porque alguns ferrenhos defensores do movimento pró-aborto, como é o caso da senadora Hillary Clinton, estão admitindo que o aborto não é uma coisa boa", disse Fitch. Mas Fitch disse que os grupos antiaborto querem ver Hillary cruzar a linha divisória e afirmar que fazer um aborto representa acabar com uma vida humana.

Hillary, que conduziu uma fracassada reforma do sistema de saúde em 1994, como primeira-dama, disse que a prevenção da gravidez deve vir primeiro. A senadora, que se dedica ao estudo da questão da saúde, apresentou uma série estonteante de estatísticas, mostrando que os Estados Unidos têm um dos maiores índices de aborto e gravidez indesejada do mundo.

Ela afirmou que maiores verbas para os serviços de planejamento familiar não só melhorariam a saúde das mulheres, mas também economizariam o dinheiro do contribuinte.

"Para cada dólar gasto em planejamento familiar financiado pelo poder público, US$ 3 são economizados em custos relacionados à gravidez e aos cuidados com os recém-nascidos no sistema Medicaid", disse ela.

Segundo ela, 70% das mulheres norte-americanas que não utilizam métodos contraceptivos respondem por 53% dos casos de gravidez indesejada.

Hillary afirmou que a falta de seguro-saúde para a compra de contraceptivos e cobertura de outras despesas médicas faz com que mulheres em idade de gestação paguem 68% a mais por serviços relativos à saúde do que os homens da mesma idade.

"Ao prevenir os casos de gravidez indesejada, a contracepção reduz a necessidade do aborto", explicou Hillary. "A ampliação da cobertura do seguro-saúde fará com que a contracepção seja mais acessível financeiramente.

Essa emenda se constitui em um forte recado, segundo o qual acreditamos que a contracepção deveria estar disponível para mulheres que dela precisam, de forma que o aborto se tornasse seguro, legal e raro". Senadora defende planejamento familiar para tornar prática rara Danilo Fonseca

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