EUA divulgarão novas fotos de abusos de presos

Eric Rosenberg
Em Washington

O Pentágono está preparando a divulgação de outra leva de fotos mostrando abusos contra prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá, um passo que provavelmente renovará as críticas à forma como os Estados Unidos estão lidando com os detidos lá.

Até 144 fotos e imagens de quatro vídeos serão divulgadas nas próximas semanas, assim que o Pentágono terminar de editá-las para ocultar a identidade das vítimas.

As fotos digitais são da mesma leva reunida pelo especialista Joseph Darby do Exército, que estava lotado em Abu Ghraib. Darby entregou as fotos para os investigadores militares no ano passado.

Posteriormente, algumas fotos mostrando prisioneiros iraquianos nus sendo forçados a simular atos sexuais foram exibidas pela televisão e publicadas em jornais e revistas.

A controvérsia que se seguiu provocou grandes críticas às políticas americanas na prisão.

O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, disse que apenas um punhado de soldados rasos do Exército esteve envolvido no abuso. Os abusos "ocorreram em um turno em Abu Ghraib --não no turno anterior e nem no posterior, mas em apenas um turno", reiterou Rumsfeld neste mês, acrescentando: "Como resultado, dezenas de pessoas foram processadas e estão sendo punidas, como devem ser".

Até o momento, oito soldados se declararam culpados ou foram condenados pelo escândalo em uma corte marcial. Um juiz federal em Nova York, em 2 de junho, ordenou que o governo preparasse a divulgação das fotos de Darby em resposta a um processo impetrado pela União das Liberdades Civis Americanas segundo a Lei da Liberdade de Informação.

Ao emitir sua ordem, o juiz distrital federal Alvin Hellerstein, de Nova York, deu ao governo até 30 de junho para preparar as fotos, removendo informações nas fotos que possam identificar as vítimas. O juiz disse que as fotos "são a melhor evidência que o público pode ter sobre o que ocorreu" em Abu Ghraib.

David Kelley, o procurador federal do Distrito Sul de Nova York, pediu uma prorrogação para Hellerstein --até 22 de julho-- para que todas as imagens, tanto fotos quanto vídeos, estejam prontas para divulgação.

Em uma carta de 10 de junho para Hellerstein, Kelly disse que o governo terá as fotos prontas até 30 de junho. Mas "visando disponibilizar todas as imagens sensíveis de Derby de uma só vez", ele pediu que Hellerstein não ordene a divulgação de qualquer uma delas até que o processamento dos vídeos seja concluído em 22 de julho.

Kelley disse que o Laboratório de Investigação Criminal do Exército está no momento processando os vídeos quadro a quadro.

O governo Bush provavelmente pagará uma pena de relações públicas por não ter divulgado todas as imagens de Abu Ghraib mais cedo.

"Haveria um desconforto e dor por curto prazo, mas a esta altura já teria passado, disse Nikolas Gvosdev, um membro de estudos estratégicos do Centro Nixon, localizado aqui, e um analista do escândalo de abuso em Abu Ghraib. "Todas estas fotos podem ser do mesmo evento, mas passarão a impressão de que o abuso continua."

A divulgação das imagens ocorrerá em um momento em que o governo Bush já tem um relacionamento delicado com o mundo muçulmano. Mais recentemente, ocorreram tumultos mortais no Afeganistão em torno da profanação do Alcorão por interrogadores militares americanos.

O governo admitiu cinco casos de profanação do Alcorão no centro de detenção de Guantánamo.

Ao pressionar pela divulgação das fotos, a União das Liberdades Civis Americanas argumenta que o abuso contra prisioneiros foi mais disseminado do que o governo Bush tem reconhecido.

"Nós achamos que o público tem direito a esta informação", disse Amrit Singh, um advogado da União.

Como parte de seu processo, que também busca documentos relativos ao centro de detenção de Guantánamo, Cuba, a União das Liberdades Civis Americanas quer "criar um sistema de responsabilização pelos abusos que aconteceram em nome do povo americano e de indiciamento de altos oficiais", disse Singh.

O governo já divulgou cerca de 36 mil páginas de documentação em resposta ao processo, mas estas imagens virão à público pela primeira vez. Para ONG, o caso pode ter sido pior do que o governo Bush alegou George El Khouri Andolfato

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