Bush tentará novamente promover mudanças no sistema de imigração

Stewart M. Powell
em Washington

O presidente Bush está prometendo exercer pressões neste outono no sentido de introduzir mudanças no sistema de imigração do país, em meio à resistência de alguns republicanos proeminentes e às declarações de estado de emergência - carregadas de tonalidades políticas - pelos governadores democratas de Arizona e Novo México.

Bush prometeu que, após o Dia do Trabalho (1º de setembro, nos EUA), intensificará os seus esforços no sentido de obter ação parlamentar a respeito de um projeto apresentado há 20 meses que permitiria a milhões de imigrantes ilegais morarem e trabalharem legalmente nos Estados Unidos e retornarem periodicamente aos seus países.

"A reforma do sistema de imigração será uma questão interessante quando retornarmos a Washington, D.C.", disse Bush ao Conselho Americano Legislativo de Câmbio, em Grapevine, Texas, ao falar sobre o que fará após as férias de cinco semanas na sua fazenda no Texas. "Estou aguardando ansiosamente a discussão deste assunto".

Estima-se que haja nos Estados Unidos algo entre 10,3 milhões e 13 milhões de imigrantes ilegais, sendo que mais de sete milhões estão inseridos na força de trabalho do país, de 144 milhões de trabalhadores.

O plano de Bush gera uma divisão exaltada entre os tradicionais eleitores do Partido Republicano. De um lado estão os empresários que pedem a Bush e ao Congresso que dêem status legal aos imigrantes que já estão aqui ilegalmente. Esses empregadores argumentam que desejam que os trabalhadores disponíveis continuem a preencher as vagas em setores de baixos salários, como o de serviços de saúde, processamento de alimentos e jardinagem.

"O empresariado quer um sistema que seja simples, fácil de entender e que atenda às suas necessidades, e que também leve em conta o fato de que alguns dos nossos melhores trabalhadores querem ficar e continuar contribuindo para os seus patrões e suas comunidades", afirma Thomas J. Donohue, presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que possui oito milhões de membros.

O vice-presidente da câmara de comércio, R. Bruce Josten, acrescenta: "Este país simplesmente não vai prender milhões de pessoas e deportá-las".

Do outro lado estão os vários republicanos conservadores que defendem o preceito conhecido como "lei e ordem", tais como o líder da maioria na Câmara dos Deputados, Tom DeLay, republicano do Texas, e o deputado Tom Tancredo, republicano do Colorado. Eles querem um controle mais rígido na fronteira a fim de conter o fluxo de imigrantes ilegais, em vez de novas leis que tornem mais fácil para os empregadores norte-americanos a contratação de imigrantes ilegais.

"Os buracos que permanecem nos nossos sistemas de segurança de fronteira não são pequenos - eles estão se expandindo e funcionam como um atrativo para os nossos inimigos terroristas", adverte DeLay. "Essa gente está vindo para nos atacar".

Eles também se opõem a qualquer plano que tenha a aparência de uma anistia aos imigrantes que estão aqui ilegalmente. Tancredo, em comentários feitos para policiais em Hanahan, Carolina do Sul, no início deste mês, disse que o programa de trabalhadores convidados de Bush equivale a uma anistia - uma "idéia podre" que transformaria o fluxo de imigrantes ilegais em um "maremoto".

Tancredo tem pressionado para que se adote uma legislação com o objetivo de reduzir o fluxo anual de mais de 500 mil imigrantes ilegais para apenas 10 mil. Ele também propôs que sobre as remessas financeiras dos trabalhadores ilegais às suas famílias nos seus países de origem passem a incidir impostos do Serviço de Receita Interna (IRS, a receita federal dos EUA).

As propostas incendiárias de Tancredo fizeram com que algumas organizações hispânicas do Colorado exigissem a sua renúncia - prejudicando as tentativas dos republicanos de cortejar os hispânicos nos Estados politicamente indecisos do sudoeste, como Colorado, Novo México e Arizona.

Bush está tentando satisfazer tanto o empresariado quanto os eleitores que defendem a posição "lei e ordem", insistindo que a sua proposta tornaria mais rígida a vigilância na fronteira e evitaria uma anistia para os que não cumprissem a lei, e, ao mesmo tempo, garantiria que os empresários tivessem acesso aos trabalhadores motivados.

O senador Arlen Specter, republicano da Pensilvânia e presidente da Comissão do Senado sobre o Judiciário, está dizendo aos seus colegas que espera contar com um projeto de lei pronto para uma ação do Senado até o final do ano, depois que a comissão encerrar os seus trabalhos com relação à nomeação, por parte de Bush, do juiz John G. Roberts Jr. para a Suprema Corte.

Os senadores mais próximos a Bush estão oferecendo propostas rivais que incorporam várias partes do plano do presidente, enquanto procuram se esquivar da politicamente sensível questão da anistia.

Os senadores Jon Kyl, republicano do Arizona, e John Cornyn, republicano do Texas, chegaram mais próximos à proposta de Bush, com uma legislação que ofereceria aos trabalhadores estrangeiros ilegais um status legal temporário em troca da promessa de que esses indivíduos regressariam aos seus países de origem em um prazo de cinco anos. Depois de retornarem às suas pátrias, eles poderiam se inscrever para voltarem aos Estados Unidos em situação legal.

Nenhum trabalhador estrangeiro que retornasse ilegalmente aos Estados Unidos poderia obter a documentação necessária para que voltasse a trabalhar legalmente no país.

Os senadores John McCain, republicano do Arizona, e Edward M. Kennedy, democrata de Massachusetts, ofereceram uma abordagem mais generosa que permitiria que os trabalhadores ilegais permanecessem nos Estados Unidos e se inscrevessem para a obtenção de documentos de trabalhadores temporários sem precisarem retornar aos seus países de origem.

A proposta McCain-Kennedy lida com a questão da anistia ao exigir que os trabalhadores que entram nos Estados Unidos ilegalmente paguem impostos e multas e trabalhem seis anos antes de poderem se candidatar à residência permanente legal, um passo necessário à obtenção da cidadania.

O problema da imigração ilegal chamará a atenção do Congresso, tendo como pano de fundo a declaração de estado de emergência no Arizona, pela governadora Janet Napolitano, e no Novo México, pelo governador Bill Richardson.

A proclamação do estado de emergência autoriza a canalização das verbas alocadas para auxílio em casos de desastres nesses Estados para os esforços locais para o combate da imigração ilegal e da criminalidade ao longo das fronteiras estaduais com o México.

"O governo federal fracassou quanto à sua responsabilidade de garantir a segurança da fronteira entre Estados Unidos e México, e, portanto, se faz necessária uma ação imediata", declarou Napolitano na semana passada.

Richardson, um proeminente político hispano-americano, considerado um possível candidato presidencial democrata em 2008, disse: "Estou tomando medidas sérias devido à urgência da situação e, infelizmente, por causa da total inação e da não remessa de recursos por parte do governo federal e do Congresso. Algo tinha que ser feito imediatamente". Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos