Hillary se opõe à ida de Roberts à Suprema Corte

Judy Holland
Em Washington

A senadora Hillary Rodham Clinton, democrata pelo Estado de Nova York, que é vista por muitos como uma potencial candidata à presidência em 2008, anunciou no final da quinta-feira (22/09) que votará na próxima semana contra a nomeação de John G. Roberts Jr. para o cargo de juiz chefe da Suprema Corte dos Estados Unidos.

Hillary, em uma declaração por escrito, disse que Roberts não apresentou as suas posições "com clareza e especificidade suficientes" durante a sua audiência de confirmação no Senado na semana passada.

Ela afirmou que Roberts tampouco foi capaz de repudiar as idéias que expressou nos seus primeiros textos jurídicos, quando trabalhou como advogado do governo na Casa Branca e no Departamento de Justiça durante as gestões dos presidentes Ronald Reagan e George H.W. Bush.

Devido àquilo que ela chamou de incerteza quanto às posições de Roberts com relação aos direitos da mulher, aos direitos humanos, à privacidade e à separação dos três poderes, Hillary disse: "Por uma questão de consciência, não posso votar a favor da confirmação de Roberts".

Hillary observou que o presidente Bush disse que gostaria de escolher juízes para a Suprema Corte com um perfil semelhante ao dos juízes Clarence Thomas e Antonin Scalia, ambos conservadores ferrenhos.

Segundo a senadora, tal fato a deixou preocupada, já que Bush escolheu Roberts por acreditar que este segue uma filosofia igualmente conservadora e que, votando como um bloco conservador, esses juízes poderiam revogar medidas como a decisão da Suprema Corte de 1973, "Roe v. Wade", que legalizou o aborto.

Hillary disse acreditar que Roberts seja confirmado pelo Senado na semana que vem e que espera que os seus temores sejam infundados.

O anúncio feito por Hillary colocou um fim às intensas especulações sobre como ela lidaria com uma questão politicamente tão delicada.

Se votasse a favor de Roberts, ela fortaleceria as suas credenciais centristas, que tem cultivado desde que venceu a eleição por uma vaga no Senado em 2000.

Já votando contra a indicação de Roberts, ela contará com a simpatia dos grupos militantes liberais que são cruciais para a obtenção de apoio aos seus candidatos favoritos nas primárias presidenciais democratas.

Sarah Binder, especialista em questões do Congresso da Brookings Institution, um grupo de pesquisas independente, diz: "Todos os olhos estão voltados para Hillary".

"Hillary se defrontou com uma escolha difícil porque existe pressão dos dois lados", afirma Binder. "Não há uma única estratégia que agrade a todos os eleitores com relação a este voto".

Ellen Malcolm, presidente da Emily's List, uma rede política que trabalha no sentido de eleger mulheres democratas que apóiam o direito ao aborto, quis que Hillary se opusesse a Roberts devido ao temor de que este votasse no sentido de reverter a legislação Roe v. Wade.

"O pior cenário para um senador democrata seria aquele no qual ele votasse a favor da confirmação de Roberts e, a seguir, este se tornasse juiz chefe da Suprema Corte para derrubar a Roe v. Wade", explica Malcolm.

David Sirota, um estrategista político democrata, diz que, para qualquer candidato democrata à eleição de 2008, há muito mais riscos em se votar a favor do que contra Roberts.

"Um candidato que vota a favor de Roberts, abre o flanco para sofrer ataques baseados no argumento de que não se qualifica como representante das idéias do partido", explica Sirota. "Hillary Clinton ou qualquer outro candidato não pode assumir como certo o apoio do Partido Democrata. Se Roberts aprovar algumas medidas extremas, um voto a seu favor se tornará um símbolo das conseqüências negativas da capitulação democrata".

Robert Borosage, co-diretor da organização liberal Campanha pelo Futuro da América, diz que grupos como o seu "ficariam terrivelmente desapontados" caso Hillary votasse a favor de Roberts.

"O entusiasmo da base democrata é realmente importante nessas eleições porque tais bases são formadas por pessoas que batem às portas dos eleitores, e a sua energia é vital", argumenta Borosage. "Este é o momento para que Hillary alimente bem as suas bases, ao se opor a Roberts, um voto que construiria a confiança e permitiria que, mais tarde, ela se deslocasse rumo ao centro".

Os grupos militantes liberais, que arrecadam milhões de dólares para apoiarem os democratas, imploraram a Hillary que votasse contra a nomeação de Roberts.

Ralph Neas, diretor-executivo do People for the American Way, um grupo militante liberal que se opõe com unhas e dentes a Roberts, diz que o voto da senadora quanto à nomeação para a Suprema Corte é um dos mais importantes, só perdendo em importância para os votos quanto à decisão de envio de tropas a guerras.

"Ficaríamos extraordinariamente desapontados com qualquer senador que votasse a favor de John Roberts ou de qualquer outro indicado que significasse um retrocesso para os direitos e liberdades fundamentais", afirma Neas. "Esse é o tipo de voto que jamais seria esquecido". Senadora consolida sua posição de representante de grupos liberais Danilo Fonseca

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