Conservadores pressionam Bush quanto a nome para Suprema Corte

Jennifer A. Dlouhy
Em Washington

Enquanto a Casa Branca reduz a sua lista de nomes potenciais para sucederem a juíza Sandra Day O'Connor, que está se aposentando, parlamentares que têm postura conservadora quanto às questões sociais estão pressionando a administração Bush para que esta escolha para o cargo um indivíduo "que não fique se desculpando e que seja, sem sombra de dúvida, conservador no que tange às questões morais".

O presidente Bush poderá anunciar o seu candidato à cadeira de O'Connor logo após a confirmação de John G. Roberts Jr. pelo Senado, na quinta-feira (29/09), para a sucessão do falecido juiz chefe da Suprema Corte, William H. Rehnquist.

Após terem apoiado pacientemente Roberts --que eles encaram como um conservador legítimo--, ativistas e senadores de direita querem agora que Bush cumpra a sua promessa, repetida com freqüência, de escolher juízes com um perfil semelhante ao de Antonin Scalia ou de Clarence Thomas.

Enquanto Roberts dá a impressão de adotar uma abordagem mais modesta --ele possivelmente apoiaria a manutenção do direito ao aborto na Suprema Corte--, tanto Scalia quanto Thomas são conservadores movidos ideologicamente em questões como direitos estaduais, aborto e o papel da religião no espaço público.

Ao substituir O'Connor --dona de um voto freqüentemente imprevisível, e tida como mais moderada do que Scalia ou Thomas-- por um conservador de linha dura, Bush poderia desequilibrar a balança ideológica na Suprema Corte com relação a várias questões sociais polêmicas.

"Com Roberts temos basicamente uma manutenção do estado anterior --a substituição de um conservador por outro conservador, o que não muda a proporcionalidade de cinco para quatro na Suprema Corte. Já esta próxima nomeação será crucial", diz o reverendo Rob Schenck, presidente do Conselho Nacional de Clérigos.

"Queremos um nome que, no campo moral, seja um conservador intransigente. Uma pessoa que não fique se desculpando. Um nomeado indubitavelmente conservador no que tange às questões morais, porque é isso o que realmente importa para o futuro da Suprema Corte".

Connie Mackey, vice-presidente do departamento de questões governamentais da organização conservadora Family Research Council, disse que Bush nomeou alguém semelhante a Rehnquist ao selecionar Roberts.

"Da próxima vez, esperamos que o presidente nomeie alguém com o perfil de Scalia ou de Thomas", disse Mackey. "Gostaríamos de ver no cargo uma pessoa que sintamos ser um pouco mais confiante quanto às suas raízes conservadoras".

Os militantes conservadores dizem que, em especial, estão esperando a nomeação de alguém que esteja do lado deles em questões como as relativas ao direito ao aborto e à expressão religiosa. A Suprema Corte deverá examinar dois casos que tocam no direito ao aborto durante o seu próximo período de atividade, que começa em 3 de outubro.

"Existem grupos que estão trabalhando silenciosamente, e grupos como o nosso, que atuam de forma mais visível, para persuadir o presidente de que os seus instintos são os corretos, e que ele deveria se agarrar confiantemente a esses instintos e não se deixar importunar por ninguém", diz Schenck.

Os apelos estão ocorrendo, principalmente, por detrás dos bastidores, e durante as reuniões semanais de líderes conservadores na capital da nação. Mas alguns senadores republicanos têm divulgado publicamente os seus desejos.

O senador Sam Brownback, republicano de Kansas, prefaciou o seu voto no Comitê do Judiciário, na semana passada, para endossar a nomeação de Roberts, suplicando ao governo federal que escolha um nome que possua um histórico comprovadamente antiaborto.

"O próximo nomeado deveria deixar que as tendências políticas fizessem as suas escolhas, e contar com um histórico marcado pela devoção à vida e à liberdade, que são protegidas pela nossa constituição", afirmou Brownback.

Robert Bork --cuja tentativa fracassada de ingressar na Suprema Corte se tornou um símbolo das batalhas acirradas pelas vagas daquela instituição-- disse que Bush deveria se apegar ao candidato conservador desejado pela maioria dos seus leais apoiadores.

"Se o presidente decidir por algum moderado, ele não aplacará os seus inimigos --estes o atacarão de qualquer forma-- e, ao mesmo tempo, desiludirá a sua base política", advertiu Bork.

Bush também está sendo pressionado para substituir O'Connor --que foi a primeira mulher a ocupar uma vaga na Suprema Corte-- por outra mulher, ou por um juiz hispânico ou negro.

Um dos nomes possíveis --o do procurador-geral Alberto Gonzales-- poderia desagradar à direita, que acredita que ele seja demasiadamente liberal quanto à questão do direito ao aborto. Eles apontam para os votos de Gonzales como juiz da Suprema Corte do Texas, que permitiram que meninas menores de idade fizessem abortos sem o consentimento dos pais. Os críticos conservadores dizem que esses votos são um sinal de que Gonzales apoiaria o direito ao aborto na Suprema Corte Federal.

Mas, caso fosse nomeado e confirmado, Gonzales seria o primeiro hispânico a ocupar uma vaga na Suprema Corte, dando a Bush uma chance de fazer história.

O grupo de nomes possíveis para a vaga de O'Connor inclui Larry D. Thompson, ex-vice-procurador-geral, que agora atua como conselheiro-geral para a Pepsico, e os juízes de tribunais federais de apelação Janice Rogers Brown, Priscila Owen e Emilio M. Garza. Thompson e Brown são negros; Garza é hispânico. Direita quer um juiz que seja abertamente contra o direito ao aborto Danilo Fonseca

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