Condoleezza Rice sobe e Hillary Clinton cai em pesquisas para Presidência em 2008

Stewart M. Powell
Em Washington

Um número crescente de norte-americanos se opõe a uma disputa à Presidência pela senadora Hillary Rodham Clinton, democrata pelo Estado de Nova York, em 2008 --e apóia uma candidatura da secretária de Estado Condoleezza Rice--, em meio a uma grande vontade do eleitorado de eleger uma mulher para o cargo, segundo uma pesquisa de âmbito nacional divulgada no domingo (19 de fevereiro).

Larry Downing/Reuters - 6.fev.2003 
A secretária de Estado americana Condoleezza Rice

A pesquisa do Dia do Presidente (20 de fevereiro), feita para a Hearst Newspapers pelo Instituto de Pesquisas Siena, da Faculdade Siena, em Loudonville, Estado de Nova York, ouviu 1.120 eleitores registrados e foi concluída em 10 de fevereiro.

Cerca de 48% dos entrevistados disseram que Rice "deveria concorrer" à presidência ao final dos dois mandatos do presidente Bush --o que se constitui em um aumento de seis pontos percentuais em relação a uma pesquisa similar feita há um ano.


Mas Hillary viu a oposição a uma eventual candidatura sua à presidência crescer durante o mesmo período. Cerca de 44% dos entrevistados na pesquisa dizem agora que Hillary "não deveria concorrer" à presidência em 2008 --contra 37% que expressaram esta opinião no ano passado.

Saeed Kahn/AFP - 6.jul.2005 
A senadora pelo Estado de Nova York Hillary Clinton

A percentagem de eleitores registrados que afirmou que Hillary "deve disputar" a presidência caiu de 53% para 51% no último período de um ano, enquanto o apoio a uma candidatura de Rice subiu, de 42% para 48%.

A pesquisa revelou que 79% dos entrevistados estão dispostos a votar em uma mulher para a presidência, e que 64% estão convictos de que a nação está "pronta" para ter uma presidenta.

A pesquisa não avaliou os números relativos a uma disputa direta entre Hillary e Rice.

A margem de erro das pesquisas em ambos os anos é de 2,9% pontos percentuais para mais ou para menos. Isso poderia significar que a queda de dois pontos percentuais do número de eleitores que acha que Hillary deve disputar as eleições não representa uma mudança real.

A pesquisa mostrou que a maioria dos eleitores registrados acha que uma presidenta administraria as questões relativas à segurança nacional tão bem quanto um presidente, incluindo o exercício do papel de comandante-em-chefe das forças armadas.

Douglas A. Lonnstrom, diretor do Instituto de Pesquisas Siena, diz que os resultados desta pesquisa, conjugados aos de outras realizadas pela sua organização no ano passado, sugerem que a nação está a ponto de passar por uma mudança política dramática.

"Do jeito que as coisas estão neste momento, vejo uma real possibilidade de que uma mulher seja eleita presidenta em 2008", diz Lonnstrom, professor de finanças e estatística e membro da Associação Americana de Pesquisas de Opinião Pública. "A desaprovação ao presidente Bush abriu os olhos dos eleitores para outras alternativas --e as mulheres se beneficiaram com isso".

A última pesquisa Gallup de âmbito nacional revelou que 56% dos entrevistados desaprovam o trabalho feito por Bush, contra apenas 39% que disseram aprovar este trabalho --o que se constitui no terceiro índice mais baixo de aprovação da sua presidência.

Sally Friedman, cientista política da Universidade Estadual de Nova York, em Albany, advertiu que o apoio genérico à candidatura presidencial de uma mulher detectado na pesquisa poderia diminuir quando se aproximasse o momento de os eleitores sopesarem os pontos fortes e fracos dos candidatos reais.

"Neste momento, faltam mais de dois anos para a eleição, e esta ainda é bastante hipotética", explica Friedman, que é especialista no estudo das mulheres na política. "Esta situação mudará à medida que nos aproximarmos da eleição".

A pesquisa detectou uma grande disparidade de visões entre democratas e republicanos, com 91% dos democratas manifestando disposição para eleger uma mulher, comparados a 68% dos republicanos.

As pesquisas realizadas pela Faculdade Siena, com um intervalo de um ano, demonstraram que 28% dos eleitores registrados acreditam que o país não está pronto para ter uma presidenta em 2008. Entre estes, 23% afirmaram que o país estaria pronto para ter uma mulher na presidência em 2012, 16% que só haveria condições para isto em 2016, e 17% afirmaram que os Estados Unidos "jamais" estarão prontos para ter uma presidenta.

"A grande vencedora na nossa pesquisa é Condoleezza Rice", afirmou Lonnstrom. "Ela projetou uma imagem boa e poderosa no último ano, e se beneficiou do voto anti-Hillary".

Rice, 51, ex-reitora da Universidade Stanford e especialista em estudos soviéticos, há um ano é foco de atenções mundiais, tendo implementado iniciativas diplomáticas como a segunda pessoa de etnia afro-americana a chefiar a Secretaria de Estado.

Hillary, 58, advogada de carreira e ex-primeira-dama, tem feito campanha há um ano para se reeleger para o Senado por Nova York em novembro próximo, tendo também defendido publicamente certas posições que com freqüência fazem dela um alvo favorito dos conservadores.

"Hillary Clinton continua sendo uma figura polarizadora em todo o país --ou as pessoas a amam ou a odeiam", afirma Lonnstrom. "À medida que nos aproximamos da eleição presidencial e a sua candidatura se transforma em uma possibilidade concreta, as pessoas começam a pensar cuidadosamente em quem votarão".

Mosemarie Boyd, uma ativista política de Little Rock, Arkansas, que defende a eleição de uma mulher por meio da organização Mulheres Americanas Presidentas, diz que Hillary conta com índices nacionais de aprovação superiores a 50%, apesar das constantes controvérsias.

"Lembrem-se, não se trata de fazer com que todo o eleitorado a adore ---mas, sim, de conseguir mais votos do que os outros candidatos", argumenta Boyd.

Os especialistas dizem que parte da disposição dos Estados Unidos para eleger uma mulher para a presidência deriva do fato de várias outras nações terem escolhido mulheres para o cargo mais importante do país, como ocorreu nas recentes eleições de mulheres na Alemanha, no Chile e na Libéria.

O Centro Americano de Mulheres na Política, da Universidade Rutgers, em New Brunswick, Nova Jersey, diz que o número de mulheres ocupando altos cargos em todo o país é igual ou superior aos recordes já registrados. No total, 14 mulheres ocupam cadeiras no Senado; 67 na Câmara, e 79 têm postos estaduais eletivos, incluindo oito governadoras e 15 vice-governadoras.

"Estamos perto de eleger uma presidenta devido ao progresso constante no decorrer dos últimos 40 anos", afirma Friedman.

A primeira mulher disputou a presidência em 1872, contra o presidente Ulysses Grant, 48 anos antes de as mulheres conquistarem o direito constitucional ao voto. Demorou até 1984 para que a primeira mulher fosse escolhida para compor uma chapa presidencial, quando a deputada Geraldine Ferraro, democrata pelo Estado de Nova York, participou da chapa derrotada, liderada pelo ex-vice-presidente Walter Mondale.

A pesquisa Siena, deixando de lado os estereótipos, revelou que a maioria dos entrevistados vê uma presidenta em pé de igualdade com um presidente em uma série de questões relativas à liderança.

-Entre os entrevistados, 53% afirmaram que uma presidenta teria a mesma capacidade que um homem para desempenhar o papel de comandante-em-chefe. E 59% disseram que uma presidenta estaria em pé de igualdade com um presidente nas questões referentes à política externa.

-Além disso, 50% dos entrevistados disseram que "não haveria diferença" entre uma mulher e um homem na presidência quando se tratasse de ordenar a retirada de tropas do Iraque. A pesquisa Siena mostrou que 38% dos entrevistados acreditam que uma mulher teria "maior inclinação" do que um homem para retirar as tropas. E somente 2% disseram que uma mulher estaria "menos inclinada" a promover a retirada militar.

-Um número menor de entrevistados afirmou ser necessário que uma mulher ocupe primeiro a vice-presidência antes que os eleitores elejam uma presidenta. A pesquisa de 2006 demonstrou que somente 27% acham que a nação necessita primeiro de uma vice-presidenta --contra 31% que manifestaram tal opinião na pesquisa do ano passado. A porcentagem de entrevistados que acha desnecessário que se tenha primeiro uma vice-presidenta subiu de 53% no ano passado para 62% na última pesquisa.

-A maioria dos entrevistados disse que uma presidenta teria o mesmo desempenho que um presidente nas questões domésticas. Cerca de 54% anteciparam um desempenho igual no que diz respeito à administração da crise que aflige os sistema de pensão e previdência social (social security) do país, e 59% enxergaram capacidades iguais no que se refere ao desenvolvimento de políticas para o setor de energia.

-Na pesquisa, uma presidenta supera um presidente quando se trata de lidar com desastres naturais, como o furacão Katrina, sendo que 38% dos entrevistados afirmaram que uma presidenta responderia melhor a tal catástrofe, comparados aos 8% que disseram que uma mulher faria um trabalho pior nesta área do que um homem. De forma similar, uma presidenta recebeu melhor avaliação dos entrevistados do que um presidente quando o assunto abordado foi saúde e educação. Nestas questões, 63% dos entrevistados afirmaram que uma presidenta teria um melhor desempenho, comparados aos apenas 3% que disseram que um homem se sairia melhor. Levantamento foi feito em fevereiro a pedido do Hearst Newspapers Danilo Fonseca

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