Uma nova análise: Pelosi é a grande perdedora na batalha pela posição de líder

Jennifer A. Dlouhy
em Washington

A futura presidente da Câmara, Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, iniciará seu novo cargo no fundo do poço político após sofrer uma derrota humilhante na quinta-feira, ao apoiar o candidato derrotado em uma batalha brutal em torno de quem deveria o líder do partido.

Ao apoiar o deputado John Murtha, democrata da Pensilvânia, seu aliado leal envolto em acusações de falta de ética, Pelosi provocou uma disputa embaraçosa e rancorosa entre os democratas, menos de uma semana após comemorar orgulhosamente a união do partido nas eleições.

Matthew Cavanaugh/EFE 
Nancy Pelosi com os membros eleitos para formar a nova maioria democrata na Câmara

Os democratas da Câmara votaram em peso - 149 a 86 - contra a escolha de Pelosi e elegeram o deputado Steny Hoyer, democrata de Maryland, como líder do partido na Câmara. Hoyer, um antigo rival político de Pelosi, serviu por quatro anos como articulador da bancada democrata, seu chefe na contagem de votos no Congresso.

Em sua campanha perdedora a favor de Murtha, Pelosi comprou uma briga que muitos democratas da Câmara desejavam que não tivesse acontecido - e então fracassou em conseguir que fosse eleito.

Todo o espetáculo - que deixou alguns democratas recém-eleitos se sentindo pressionados e alguns veteranos divididos - deixou Pelosi politicamente enfraquecida às vésperas de assumir o papel histórico de ser a primeira mulher presidente da Câmara.

"Isto a prejudicou seriamente", disse Larry Sabato, um professor de política da Universidade da Virgínia. "Ela terá que fazer algum trabalho milagroso dentro da bancada (democrata) e da Câmara como um todo para se recuperar deste erro gigantesco."

Na política, há um velho adágio - nunca tente matar o rei a menos que seja capaz de concluir o serviço. Agora, disse Sabato, Pelosi terá que viver com as conseqüências de seu enorme fracasso em fazer com que seus colegas de partido elegessem Murtha seu braço direito. "Ela ficou na pior situação possível. Ela colocou o pescoço para fora e ele foi cortado", disse Sabato. "Ela não apenas fracassou, ela fracassou vergonhosamente."

A relação tensa entre Pelosi e Hoyer vem de uma amarga disputa interna do partido em 2001 pela posição de articulador do partido - quando Murtha dirigiu a campanha vitoriosa de Pelosi pelo cargo, derrotando Hoyer. Ele acabou chegando à posição no ano seguinte, quando Pelosi substituiu o líder democrata de saída, Richard Gephardt do Missouri.

A tensão entre Pelosi e Hoyer ficou mais forte quando ele apoiou um projeto de lei que dificultava aos americanos pedirem proteção de falência. A legislação foi pedida pelas operadoras de cartão de crédito e outros credores; liberais como Pelosi eram contrários à medida.

O racha cresceu em novembro passado, quando Murtha pediu pela retirada das tropas do Iraque o mais cedo possível. Pelosi apoiou a posição de Murtha - e pediu aos colegas democratas que fizessem o mesmo. Mas Hoyer alertou que seria um "desastre" retirar as tropas de forma precipitada.

Mesmo alguns dos aliados de Pelosi na Câmara ficaram surpresos quando ela decidiu no domingo apoiar Murtha na disputa pela liderança democrata, lançando um esforço de lobby em grande escala para colocá-lo na posição de líder da maioria.

Seus atos danificaram sua credibilidade e profissionalismo, disseram
analistas políticos. Pelosi pareceu estar tomando importantes decisões
políticas baseadas em favoritismo pessoal, lealdade indevida e vingança.

"Não havia motivo para se envolver na batalha pela liderança", disse Norman Ornstein, um estudioso do Congresso no Instituto da Empresa Americana, um centro de estudos conservador. "Quando ela aumentou seus esforços como fez, como seria possível encarar isto como algo além de animosidade pessoal?"

O confronto entre Murtha e Hoyer foi o primeiro grande teste de poder de Pelosi e ela fracassou - clamorosamente. "As pessoas vão se lembrar disto", previu Sabato.

Assim como os 40 democratas recém-eleitos para a Câmara na semana passada. Como parte de suas boas-vindas ao Congresso, os calouros foram convocados ao gabinete de Pelosi e depois pressionados a apoiar Murtha durante os encontros individuais.

Quando Pelosi tiver que abordar alguns destes membros para conquistar votos para outras propostas, eles certamente a olharão com ceticismo. "Eles perceberão que ela pode não contar com a força para obter o que deseja ou prevê", disse Sabato.

O lobby pelos aliados de Pelosi poderá deixar um rancor persistente. Os legisladores "realmente empregaram sua força" para pressionar colegas a votarem em Murtha, disse Ornstein. E veteranos que apoiaram Hoyer poderão se lembrar destes sentimentos feridos da próxima vez que Pelosi vier à procura de um favor. "Este tipo de coisa não é esquecida", disse Ornstein.

Mas, ele previu, Pelosi e Hoyer trabalharão bem juntos como a nova equipe de liderança democrata, como fizeram nos últimos quatro anos. George El Khouri Andolfato

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