Escassez de unidades prontas para combate força Pentágono a prolongar estadia no Iraque

Stewart M. Powell e Eric Rosenberg
Em Washington

O Pentágono prolongou a estadia de milhares de soldados americanos no Iraque para gerar um terço dos reforços para o aumento de emergência de tropas pedido pelo presidente Bush, porque muitas das unidades baseadas nos Estados Unidos não estão prontas para combate, segundo assessores do Congresso e analistas independentes.

Quatro de cada nove unidades do Exército e do Corpo de Marines convocadas para reforçar o esforço americano já estão no Iraque e corresponderão a mais de 6.900 dos 21.500 soldados que Bush disse que enviará.

O Pentágono está contando com os soldados americanos já no Iraque porque a prontidão das unidades baseadas nos Estados Unidos caiu a um ponto em que nem 20% das unidades do serviço ativo e quase nenhuma das unidades da Guarda Nacional do Exército estão no grau de prontidão para combate necessário para ir à guerra, segundo o deputado John Murtha, democrata da Pensilvânia e presidente do painel para gastos em Defesa do Comitê Orçamentário da Câmara.

A escassez crônica de equipamento por causa das perdas na guerra,
substituição de soldados e períodos abreviados de treinamento entre os
envios para o exterior minaram a prontidão, disse Murtha, um crítico da
guerra no Iraque.

Um exemplo dos desafios enfrentados por algumas unidades baseadas nos
Estados Unidos que partirão para o Iraque, segundo os críticos: foi
necessário quase um ano para a 4ª Brigada "Dragon" da 1ª Divisão de
Infantaria, baseada no Forte Riley, Kansas, conseguir 83% do pessoal e 95% do equipamento necessário para o envio para o Iraque no próximo mês.

A brigada é uma das cinco de combate do Exército baseadas nos Estados Unidos a caminho do Iraque em maio, como parte do reforço ordenado por Bush em 10 de janeiro.

Murtha planeja pressionar por uma legislação no próximo mês que obrigue o Pentágono a limitar as estadias dos soldados para combate no Iraque a 12 meses e deixar as unidades baseadas nos Estados Unidos no mais alto nível de prontidão para combate antes do envio, segundo Gabrielle Carruth, uma assessora de Murtha.

"O governo está prolongando a estadia de combate das tropas no Iraque porque não temos tropas suficientes nos Estados Unidos prontas para serem enviadas", disse Carruth.

Murtha também pedirá US$ 100 bilhões em gastos adicionais do Pentágono nos próximos anos para reposição de equipamento militar perdido ou danificado, para deixar as unidades baseadas nos Estados Unidos no mais alto nível de prontidão para combate, disse Carruth.

Murtha alertou em setembro passado que a "grande maioria" das 16 brigadas de combate nos Estados Unidos receberam "a mais baixa classificação de prontidão" causada por "escassez severa de equipamento".

Christine Wormuth, uma ex-funcionária do Pentágono nos governos Clinton e Bush, atualmente membro do não-partidário Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, disse que o Pentágono contou com as forças americanas já no Iraque para grande parte do reforço porque "não conseguia encontrar unidades suficientes em casa plenamente prontas para combate".

O Pentágono decidiu que era "melhor prolongar a estadia dos soldados no
Iraque do que enviar unidades que contavam com novos recrutas demais ou
falta de equipamento para estarem prontas para combate", disse Wormuth.

Larry Korb, um ex-funcionário do Pentágono no governo Reagan, disse que a maioria das unidades baseadas nos Estados Unidos carecem da prontidão para combate necessária por disporem de muito pouco equipamento de combate que esteja funcionando.

"O governo está mantendo outros soldados no Iraque por mais tempo para não ter que lidar com o fato de que nossas unidades em casa não dispõem do equipamento necessário para atender a prontidão necessária para ir à guerra", disse Korb, atualmente membro do Centro para o Progresso Americano, um centro de estudos progressista formado por John Podesta, um ex-chefe de gabinete da Casa Branca do presidente Bill Clinton.

Muitas unidades destinadas ao Iraque estão deixando os Estados Unidos sem as designações de prontidão C-1 ou C-2, na escala de cinco níveis, que são exigidas para envio.

As cinco categorias de prontidão para recursos e treinamento incluem:

-C1: a unidade pode empreender "plenamente a missão em tempo de guerra".
-C2: a unidade pode empreender "grande parte da missão em tempo de guerra".
-C3: a unidade pode lidar com "partes da missão em tempo de guerra".
-C4: a unidade exige recursos e/ou treinamento adicional mas "se a situação exigir, pode ser direcionada para realizar partes de sua missão em tempo de guerra com os recursos disponíveis".
-C-5: a unidade "não está preparada a esta altura para realizar a missão em tempo de guerra".

Algumas unidades pegam seu equipamento de combate no Kuwait e obtêm
treinamento adicional no Kuwait e Iraque, antes de serem deslocadas para as linhas de frente no Iraque, onde geralmente atingem a classificação de prontidão para combate C-1.

Um porta-voz do Pentágono, o tenente-coronel Todd Vician da Força Aérea, disse que um terço dos soldados do chamado "aumento" de tropas é composto por soldados já presentes no Iraque, porque "é uma forma prudente de aumentar rapidamente nossa força".

Vician acrescentou: "Eles têm experiência em solo. Eles já estão lá. Parece óbvio".

Ao ser perguntado se a decisão do Pentágono se deve à falta de prontidão entre as forças americanas nos Estados Unidos, Vician respondeu: "Não que eu esteja ciente, não". George El Khouri Andolfato

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