Auditor encontra US$ 10 bilhões em problemas nos contratos da Defesa no Iraque

Dan Duray
em Washington

Um importante auditor do Pentágono disse ao Congresso nesta quinta-feira (15/2) que US$ 10 bilhões em contratos da Defesa para reconstrução do Iraque e apoio às tropas foram excessivos ou não documentados, incluindo US$ 2,7 bilhões em contratos com a Halliburton ou uma de suas subsidiárias.

William Reed, diretor da Agência de Auditoria de Contratos do Departamento de Defesa, disse para o Comitê de Supervisão e Reforma de Governo que sua agência descobriu os problemas - US$ 4,9 bilhões em gastos excessivos ou "questionáveis", e US$ 5,1 bilhões em gastos não documentados ou "sem apoio" - após auditar US$ 57 bilhões em contratos do Pentágono.

Reed reconheceu que o Iraque devastado carece de circunstâncias ideais para práticas contábeis sólidas, mas disse que sua organização exige algum tipo de evidência. "Nós tentamos ser flexíveis e reconhecer que há circunstâncias onde os registros podem não estar em condições perfeitas, no verso de envelopes e coisas do gênero", disse Reed. "Nós tentamos ser flexíveis neste sentido, mas não somos flexíveis quanto a evidência para comprovar os custos."

O deputado Henry Waxman, democrata da Califórnia e presidente do comitê, disse que uma maior auditoria poderá revelar mais gastos questionáveis. "Os contribuintes americanos já gastaram mais de US$ 350 bilhões na guerra no Iraque. Isto significa que ainda restam US$ 300 bilhões para serem auditados. A quantia total de desperdício, fraude e abuso poderá ser astronômica", disse Waxman.

O novo relatório de auditoria colocou novamente em evidência a Halliburton, o conglomerado com sede em Houston que já foi chefiado pelo vice-presidente Dick Cheney, que recebeu grandes contratos do Pentágono sem licitação.

Grande parte dos US$ 2,7 bilhões em gastos questionáveis com a Halliburton veio de programas de alimentação e apoio às tropas americanas. Os auditores relataram que uma subsidiária da Halliburton, a KBR, superfaturou uma conta de US$ 212 milhões para refeições servidas para as tropas americanas no Iraque, US$ 100 milhões para alojamentos para soldados que já tinham sido fechados e US$ 42 milhões em custos terceirizados que foram duplicados.

O restante dos custos questionáveis da Halliburton veio de contratos para reconstrução de campos de petróleo, segundo o relatório da auditoria. David Walker, o controlador-geral dos Estados Unidos, disse na audiência que os problemas nos contratos da Defesa não são novidade. "Eu acho que é importante reforçar que há problemas sistemáticos antigos no Departamento de Defesa", disse Walker. "É importante nos concentrarmos no Iraque, mas isto é a ponta do iceberg."

Alguns membros republicanos do comitê defenderam os custos. "Assumir riscos, que às vezes levam a desperdício, é muito melhor do que ter um rastro de papel perfeito e um resultado ruim", disse o deputado Darrell Issa, republicano da Califórnia. Issa encorajou "investimentos inovadores" que possam levar a uma solução no Iraque.

Na semana passada, o comitê investigou os quase US$ 12 bilhões em dinheiro que foram enviados para a Autoridade Provisória da Coalizão no Iraque, para os quais não houve prestação de contas. George El Khouri Andolfato

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