Pesquisa revela que vínculo com Bill Clinton ajuda Hillary na disputa pela Casa Branca

Stewart M. Powell

Uma nova pesquisa revela que a o turbulento período durante o qual a senadora Hillary Rodham Clinton foi primeira-dama dos Estados Unidos, bem como a sua lealdade constante ao presidente Bill Clinton durante o caso
Monica Lewinsky, são percebidos como trunfos na sua campanha pela presidência em 2008.

A mesma pesquisa também demonstra que os eleitores prezam Hillary pela sua independência de Bill Clinton, concluindo por ampla margem que ela "não deveria se fiar muito nos conselhos do marido" caso fosse eleita presidente.

A pesquisa de âmbito nacional, por telefone, com 1.120 eleitores registrados, foi feita por encomenda do "Times Union", de Albany, no Estado de Nova York, pelo Instituto Siena Research, de Londounville, também do Estado de Nova York, entre os dias seis e nove de fevereiro últimos.

"Estamos percebendo que a campanha presidencial de Hillary Clinton não será prejudicada pela presidência de Bill Clinton", afirma Douglas Lonnstrom, diretor do Instituto Siena e professor de estatística da Faculdade Siena. "O seu vínculo com Bill Clinton a ajuda mais do que a atrapalha".

A pesquisa também identificou alguns pontos problemáticos para Hillary, especialmente aqueles referentes à sua posição em relação à guerra no
Iraque.

Hillary se uniu a 77 senadores em 11 de outubro de 2002 para votar favoravelmente à resolução parlamentar autorizando o presidente Bush a usar a força militar contra o Iraque. Outros 21 democratas estavam entre os 23 senadores que se opuseram àquela medida.

Desde então, Hillary se tornou uma crítica da política dos Estados Unidos no Iraque, sem, no entanto, chegar a afirmar que o seu voto favorável à guerra foi um erro.

Embora outras pesquisas de âmbito nacional demonstrem que quase dois terços dos eleitores consideram a invasão norte-americana um erro, a pesquisa Times Union/Sena indicou que a população não está respondendo à gradual mudança de posição de Hillary em relação à guerra. Somente 28% dos entrevistados na pesquisa Times Union/Siena afirmaram que as críticas crescentes de Hillary à guerra fariam com que aumentassem as chances de que eles a apoiassem na disputa pela presidência. Entre os eleitores ouvidos, 34% afirmaram que essas críticas fazem com que diminua a probabilidade de que apóiem a senadora, enquanto outros 34% disseram que tal mudança de posição não afetará em nada os seus votos.

"Hillary está procurando se distanciar da sua posição dura de 2002, e adotar uma postura mais neutra", afirma Lonnstrom. "Mas isso não gerou nenhum apoio político adicional porque os outros candidatos estão solapando a sua estratégia".

Lonnstrom citou o ex-senador John Edwards, democrata pela Carolina do Norte, que declarou que o seu voto no Senado, em 2002, a favor da intervenção militar, foi "um erro", assim como o caso do senador Barak Obama, democrata por Illinois, que faz oposição à guerra há muito tempo, antes mesmo de ter sido eleito para o Senado dos Estados Unidos. Um outro candidato, o senador Christopher Dodd, democrata por Connecticut, também afirmou que o seu voto favorável à resolução autorizando a guerra foi um erro.

Hillary esbarrou com um novo ceticismo quanto à sua postura em relação à guerra no Iraque no início deste mês, durante a sua visita a New Hampshire como candidata presidencial. Ela acusou o governo Bush de se aproveitar da autorização congressual para fazer apressadamente uma guerra em 2003, e também de gerenciar muito mal o conflito desde então - uma posição meio difusa que fez com que vários eleitores do Estado de Nova York, que sediará a primeira eleição primária para a escolha do candidato à presidência pelo Partido Democrata, solicitassem a ela que admitisse que o seu voto anterior no Senado foi "um erro".

O mais próximo que Hillary chegou do repúdio claro àquele voto foi quando disse: "Se à época soubéssemos o que sabemos hoje, eu jamais teria votado a favor de conferir autoridade ao presidente para fazer a guerra".

A pesquisa Times Union/Siena revelou que Hillary obteve vantagens políticas devido aos anos que passou como primeira-dama na Casa Branca, e também que ela se auto-afirmou como figura política independente.

A pesquisa demonstrou que:

a. 56% dos entrevistados acreditam que os oito anos em que Hillary atuou como primeira-dama "fortaleceriam" a sua capacitação como presidente.

b. 56% disseram que vêem como "um sinal de força" a decisão de Hillary de apoiar o seu marido após o caso extra-conjugal deste com a ex-estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, e o processo de impeachment movido por um Congresso liderado por republicanos.

c. 73% disseram que Hillary seria "uma chefe do Executivo de pensamento independente", ainda que o ex-presidente - o seu marido - retornasse à Casa Branca.

A pesquisa revelou que as mulheres, mais do que os homens, gostam de Hillary.

a. 57% das mulheres previram que Hillary será a candidata presidencial democrata, contra 51% dos homens.




As mulheres se mostraram mais favoráveis do que os homens a Hillary no que diz respeito ao valor da sua atuação como primeira-dama, à "força" que demonstrou ao ficar ao lado de Bill Clinton durante o caso Lewinsky, e à avaliação da possibilidade de Hillary demonstrar um pensamento independente como presidente.

b. 51% das mulheres gostariam que Hillary disputasse a vice-presidência pelo Partido Democrata em 2008 caso não conseguisse obter a vaga para disputar a presidência - contra 36% dos homens que disseram o mesmo.

A pesquisa confirmou resultados de outras pesquisas de âmbito nacional sobre hipotéticas disputas presidenciais que mostraram Hillary empatada com dois possíveis adversários republicanos - o senador John McCain, republicano pelo Arizona, e o ex-prefeito da cidade de Nova York, Rudolph Giuliani.

A entrevista também refletiu os dados de outras pesquisas que mostraram que Hillary está bem à frente do aglomerado de candidatos à vaga de candidato à presidência pelo Partido Democrata. Ela é apoiada por 45% dos 401 democratas ouvidos na pesquisa, enquanto Obama conta com o apoio de 12%. Edwards e o ex-presidente Al Gore obtiveram cada um o apoio de 10% dos eleitores democratas ouvidos.

E uma parcela surpreendente de 54% dos eleitores acredita que Hillary sairia vitoriosa do penoso processo de escolha do candidato presidencial democrata, que mal começou, contra apenas 26% que acham que ela não obterá a nomeação.

"Ela se destaca no grupo por ser mulher, por ter um nome reconhecido e por contar com uma grande parcela dos votos femininos", disse Lonnstrom.

Dentre os eleitores democratas ouvidos, 72% disseram que apoiariam uma candidatura de Hillary à vice-presidência, caso ela não obtivesse a vaga para disputar a presidência.

"Creio que as mulheres analisaram o fato de Hillary assumir a candidatura à vice-presidência como um passo rumo a uma presidência ocupada por uma mulher", opina Lonnstrom.

No decorrer da história dos Estados Unidos, 14 vice-presidentes se tornaram presidentes - cinco eleitos normalmente, oito tomando posse após a morte de um presidente por causas naturais ou assassinato, e um ocupando a Casa Branca após a renúncia do titular.

A receptividade dos Estados Unidos a uma mulher presidente aumentou no decorrer dos últimos três anos, de acordo com a pesquisa do Times Union, já que atualmente 66% dos entrevistados dizem que os Estados Unidos estão "prontos" para ter uma mulher presidente em 2008 - contra 62% em 2005.

E 81% dos entrevistados disseram que votariam em uma mulher para presidente - o que é mais ou menos a mesma percentagem registrada nos últimos três anos.

No momento em que os eleitores se deparam com a maior possibilidade da história de que um dos dois principais partidos políticos possa de fato nomear uma mulher para a disputa à presidência, os eleitores parecem se concentrar mais nas posições políticas dos candidatos, em vez de no gênero desses.

A percentagem de entrevistados que disse que uma mulher "não será diferente" de um homem como comandante-em-chefe, nas questões de política externa ou nos assuntos domésticos aumentou notavelmente nos últimos três anos.

A lacuna de gênero em favor de Hillary foi observada nas questões genéricas. Por exemplo, uma percentagem mais elevada de mulheres do que de homens disse que a nação está pronta para ter uma mulher presidente e afirmou incisivamente que votará em uma mulher para a presidência.

Porcentagens maiores de mulheres do que de homens afirmaram que uma mulher seria melhor como comandante-em-chefe, como líder nacional nas questões domésticas e de política externa, na abordagem de uma calamidade e no gerenciamento do problema da previdência social (Social Security) e das pensões.

"Hillary atrai uma grande parcela dos votos femininos", disse Lonnstrom.
"Não se deve subestimar esse fato".

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