Estados Unidos mostram preocupação com armas nucleares russas

Eric Rosenberg Em Washington

Apesar de a Rússia ter melhorado a segurança em torno de suas armas nucleares e materiais para fabricação de bombas, as agências de inteligência americanas "permanecem preocupadas" com o vasto arsenal ainda estar vulnerável a roubo interno ou ataques terroristas.

O Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos, em seu mais recente relatório para o Congresso sobre armas nucleares russas, disse que determinou que "contrabando não detectado de material nuclear utilizável em armas provavelmente ocorreu", acrescentando que "nós estamos preocupados com a quantidade total de material que pode ter sido desviado ou roubado nos últimos 15 anos".

"Nós achamos altamente improvável que os russos ou outras autoridades serão capazes de recuperar todo o material que provavelmente foi roubado", disse o relatório, acrescentando que os "riscos de roubo não detectado continuam".

O relatório -uma versão não confidencial de um estudo secreto- não apresenta as bases para as conclusões do conselho ou fornece detalhes sobre os supostos materiais nucleares desaparecidos. O conselho é uma agência do governo que responde ao Diretor da Inteligência Nacional.

Obtido por meio da Lei de Liberdade de Informação, o relatório é datado de abril de 2006. Ele é o quinto de tais levantamentos sobre a segurança das armas nucleares russas fornecidos ao Congresso e representa as observações da comunidade de inteligência americana de 2005 ao início de 2006.

As conclusões gerais repetem as feitas pelo relatório anterior do conselho, datado de fevereiro de 2005.

O presidente Bush e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeram uma cooperação estreita em segurança de armas nucleares. Para isto, os Estados Unidos têm ajudado a Rússia a proteger suas instalações nucleares e de armas fornecendo atualizações de segurança como melhores fechaduras, cercas de perímetro, barreiras e monitores de vídeo.

O Departamento de Energia deverá concluir grande parte de seu trabalho até o final do próximo ano.

Após a invasão liderada pelos Estados Unidos ao Afeganistão em 2001 e a descoberta de documentos da Al Qaeda mostrando o interesse da organização terrorista em adquirir materiais nucleares, o governo Bush pediu a Moscou uma maior vigilância de suas instalações de armas.

A Rússia tem cerca de 3.500 ogivas estratégicas e cerca de 15 mil a 20 mil ogivas nucleares táticas menores, o maior estoque do mundo. As ogivas táticas têm menos poder nuclear do que as ogivas estratégicas, que geralmente são posicionadas no topo de mísseis balísticos intercontinentais e podem facilmente destruir uma cidade inteira.

Entre as conclusões do novo relatório:

-Os guardas russos nas instalações nucleares podem ser o elo fraco na
segurança. Eles "exibiram vulnerabilidades com problemas disciplinares
comuns em outras unidades militares russas, incluindo imposição de tarefas desnecessárias, disparos acidentais e suicídios".

-Mesmo com o aumento da segurança, as usinas nucleares russas "quase
certamente permanecerão vulneráveis a um ataque terrorista bem planejado e executado".

-Um lançamento acidental ou não autorizado de uma arma nuclear estratégica russa é "altamente improvável" enquanto o comando russo e sistemas de controlem permanecerem no lugar. As preocupações com um lançamento acidental "aumentariam" em caso de um colapso do sistema político russo.

-Os Estados Unidos estão preocupados com a possibilidade da Rússia não
conseguir manter a longo prazo as atualizações de segurança fornecidas pelos Estados Unidos, dado o alto custo e sofisticação técnica do equipamento.

-Os russos reduziram os esforços americanos para melhorar a segurança em alguns complexos de armas nucleares devido a "preocupações da
contra-inteligência" russa.

-A princípio os russos disseram que desbarataram dois planos terroristas em 2002 e 2003 para obter acesso às instalações de armazenamento de armas nucleares russas. De lá para cá eles voltaram atrás e agora negam que terroristas tenham feito tais tentativas.

A vulnerabilidade do arsenal nuclear russo a planos terroristas é uma antiga preocupação americana, apesar das garantias russas de que o arsenal está em segurança.

Em um relatório de 2001, uma comissão bipartidária chefiada pelo ex-senador Howard Baker, republicano do Tennessee, e Lloyd Cutler, o ex-conselheiro da Casa Branca no governo Clinton, concluiu: "A mais urgente ameaça não tratada à segurança nacional dos Estados Unidos é o risco de armas de destruição em massa ou material utilizável em armas na Rússia poderem ser roubados e vendidos a terroristas ou nações hostis". A comissão relatou que ocorreram "dezenas" de incidentes de tentativa de roubo de materiais relacionados a armas nucleares na Rússia. George El Khouri Andolfato

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