Estados Unidos querem envio urgente de veículos resistentes a bombas para o Iraque

Eric Rosenberg
Em Washington

Em um esforço para defender os soldados contra as bombas instaladas nas estradas iraquianas, as forças armadas dos Estados Unidos estão enviando ao Iraque novos veículos projetados para desviar a força explosiva dos "dispositivos explosivos improvisados", conforme os militares se referem a essas bombas, que se constituem no armamento que mais mata soldados norte-americanos.

O comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, general James Conway, diz que os novos veículos mostraram ser cerca de 400% mais seguros do que os tradicionais Humvees blindados.

"Trata-se de um imperativo moral, apesar dos custos. Precisamos enviar mais veículos ao Iraque o mais rapidamente possível", disse Conway na semana passada.

Os fuzileiros, o Exército e a Marinha usam atualmente mais de 200 desses veículos no Iraque e pretendem aumentar esse número até o início de 2008 para 4.100. No total, os fuzileiros, o exército e a marinha deverão comprar 6.738 desses veículos -3.700 para os fuzileiros, 2.500 para o Exército e 538 para a Marinha. O projeto poderá custar mais de US$ 6 bilhões.

Membros do Congresso estão fazendo pressões pela entrega de um número ainda maior de novos veículos blindados. O senador Carl Levin, democrata de Michigan, e presidente do Comitê do Senado para as Forças Armadas, disse na semana passada que o seu painel lutará por esse aumento.

"Forneceremos tudo o que for necessário", disse Levin. "Essa é uma área na qual sofremos uma quantidade terrível de baixas".

O deputado Gene Taylor, democrata do Mississipi e membro do Comitê da Câmara para as Forças Armadas, disse que se o Exército não comprasse mais veículos desse tipo, isso seria um "erro trágico".

Cerca de 70% das mortes de norte-americanos no Iraque são causadas por bombas instaladas à beira das estradas. Até o momento, 3.196 membros das Forças Armadas dos Estados Unidos morreram no Iraque, desde a invasão do país em março de 2003.

O Veículo Protegido contra Emboscadas e Resistente a Minas tem as qualidade de um tanque, do onipresente Humvee e de um veículo blindado para transporte de tropas. Assim como o altamente manobrável Humvee, ele é dotado de pneus, e não de esteiras de metal como um tanque. Mas assim como um veículo de transporte de tropas, ele pode levar até 12 soldados ou carga, dependendo da configuração adotada. E, da mesma forma que um tanque, ele conta com uma boa blindagem.

O Veículo Protegido contra Emboscadas e Resistente a Minas é mais resistente a ataques do que o Humvee porque o assoalho do seu chassi tem um formato de "v" que desvia a energia proveniente da explosão de uma mina terrestre, direcionando-a da parte inferior do veículo para as laterais.

Em comparação, um Humvee absorve toda a energia da explosão no seu assoalho plano, o que resulta em mais danos e destruição.

A Force Protection Incorporation, de Ladson, na Carolina do Sul, construiu os primeiros 200 desses veículos, incluindo o Buffalo, de 23 toneladas, que as Forças Armadas usam para retirar as bombas instaladas na beira das estradas. A companhia também forneceu uma variação menor do veículo, de 14 toneladas, o chamado Cougar.

A título de comparação, um Humvee blindado chega a pesar quatro ou cinco toneladas, enquanto um tanque M1 pesa cerca de 70 toneladas.

Recentemente o Pentágono firmou contrato com quatro companhias adicionais para acelerar a produção dos veículos. São elas: a Oshkosh Truck Corporation, de Oshkosh, em Wisconsin; a Protected Vehicles Incorporation, de North Charleston, na Carolina do Sul; a BAE Systems, de Santa Clara, na Califórnia; e a General Dynamics Land Systems-Canada Corporations, com sede na província de Ontário, no Canadá.

"Esta é uma das nossas maiores prioridades", disse o capitão Jeff Landis, porta-voz do Corpo de Fuzileiros Navais. Os fuzileiros estão administrando o programa para todas as forças.
UOL

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