Em meio ao debate sobre o Iraque, mães que amamentam travam outra batalha

Judy Holland
Em Washington

Enquanto o Congresso dos EUA debate a guerra no Iraque, mães que estão amamentando estão lutando por uma nova lei que protegeria as mulheres lactantes de discriminação no trabalho.

A deputada Carolyn B. Maloney, democrata de Nova York, quer expandir a Lei de Direitos Civis de 1964 para impedir discriminação contra mulheres que usam bombas de sucção para extrair leite para alimentação posterior de seus bebês.

 Reuters - 2.maio.2007 
Mulher amamenta dois filhos ao mesmo tempo nas Filipinas
Um projeto de lei de Maloney sobre amamentação, apresentado na semana passada, também fornece incentivos fiscais para as empresas criarem áreas privadas onde as mães possam extrair seu leite. Ele também tornaria as bombas e equipamento de amamentação dedutíveis de impostos e exigiria que a Food and Drug Administration (FDA, a agência americana de controle de alimentos e medicamentos), regulasse as bombas de sucção.

"Nós temos que transmitir a mensagem de que amamentação é natural", disse Maloney. "Nós devemos fazer tudo o que pudermos para apoiar as mulheres que decidirem amamentar, não tornar suas vidas mais difíceis."

O deputado Christopher Shays, republicano de Connecticut e co-patrocinador do projeto de lei, disse que a lei da amamentação é crítica -mesmo em meio ao debate em torno da guerra no Iraque que toma toda a atenção.

"Um é sobre a ameaça à vida -e um é sobre a vida", disse Shays. A amamentação "é tão natural, mas em nossa sociedade tendemos a tornar quase um crime querer alimentar os filhos".

Apesar das recomendações da Academia Americana de Pediatria para que as mães amamentem por pelo menos um ano, apenas 10% das mães que trabalham em horário integral ainda amamentam seus bebês aos seis meses, segundo um relatório de 2005 dos Centros para Controle de Doenças.

Em uma cena incomum na semana passada em um gramado à sombra do Capitólio, cerca de 120 mulheres compareceram com seus bebês para uma manifestação.

Algumas das mulheres vestiam camisetas ou exibiam cartazes dizendo: "Eu produzo leite. Qual é o seu superpoder?"

Maloney argumenta que até uma lei de 1999 dar proteções legais em propriedades federais para as mulheres lactantes, as mulheres eram expulsas dos museus Smithsonian, do Capitólio e do metrô de Washington, D.C., por amamentarem em público. Ela disse que as mulheres agora precisam de proteção legal no local de trabalho.

Os defensores dizem que há um melindre público em relação à amamentação.

"É uma combinação deste puritanismo tremendo e de uma sexualização tremenda do seio", disse Susan Kane, editora-chefe da revista "Babytalk", uma publicação voltada para as questões da primeira infância. "Há uma mentalidade pueril, adolescente, em relação ao seio."

Lorrie Leigh, uma ativista de amamentação de Columbia, Maryland, disse que a "cultura" da amamentação nos Estados Unidos perdeu toda uma geração nos anos 40 e 50 devido às empresas de fórmulas para bebês e médicos terem convencido as mulheres de que as fórmulas eram melhores.

Leigh disse esperar que a legislação estimule que uma nova mentalidade em relação à amamentação "penetre na consciência americana".

Pesquisas mostram que as crianças amamentadas apresentam menores riscos de infecções, alergias e obesidade. As mulheres que amamentam apresentam menor risco de câncer de seio e ovário e tendem a retornar ao seu peso pré-gravidez mais depressa.

(Judy Holland pode ser contatada pelo telefone 202-263-6400 ou pelo endereço de e-mail judy@hearstdc.com) George El Khouri Andolfato

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