Força-tarefa diz que proibição de prospecção pode ser suspensa nos EUA

Jennifer A. Dlouhy

Washington (EUA)

  • Patrick Semansky/AP - 31.jul.2010

    Vegetação molhada por petróleo na costa do Estado norte-americano da Louisiana

    Vegetação molhada por petróleo na costa do Estado norte-americano da Louisiana

Novos testes de equipamentos e regulamentações ambientais que foram impostas desde o desastre da plataforma Deepwater Horizon "forneceram uma margem adequada de segurança" para permitir ao governo Obama suspender sua proibição à prospecção em alto-mar, disse um centro de estudos bipartidário aos investigadores na quinta-feira.

O relatório do Centro de Políticas Bipartidárias, um grupo não partidário estabelecido por quatro ex-líderes da maioria no Senado, veio em resposta ao pedido da comissão presidencial, que investiga o desastre de 20 de abril no Golfo do México, para uma análise da moratória.

O centro concluiu que a proibição da exploração de petróleo em alto-mar –que expirará em 30 de novembro– proporcionou uma pausa importante para o setor de gás e petróleo, assim como para os reguladores federais do Departamento do Interior, para aumentarem seus preparativos e planejamento para outro vazamento.

"A moratória de prospecção imposta pelo Departamento do Interior serviu ao propósito produtivo de permitir tanto à indústria quanto ao governo a preparação de um futuro mais seguro, mais vigilante e confiável para a exploração de gás e petróleo em alto-mar nos Estados Unidos", disse a força-tarefa.

Apesar dos riscos da exploração "não poderem ser reduzidos a zero, nós estamos satisfeitos que o cumprimento das novas regras do Departamento do Interior e outras ações por parte do departamento terem proporcionado uma redução significativa e benéfica dos riscos", disse o Centro para Políticas Bipartidárias. "Se a indústria for diligente na incorporação dessas exigências e o Departamento do Interior for vigilante na fiscalização, nós acreditamos que esse novo regime fornecerá uma margem adequada de segurança, para permitir a retomada responsável da prospecção em alto-mar no Golfo do México."

Os co-presidentes da comissão presidencial –o ex-senador democrata Bob Graham e o republico William Reilly, ex-administrador da Agência de Proteção Ambiental– têm criticado a decisão do governo Obama de impor a proibição da prospecção a todas as plataformas flutuantes e instalações que empregam blowout preventers (sistemas de controle para evitar explosões) submarinos.

Durante a primeira audiência pública da comissão em Nova Orleans, no mês passado, esta ouviu apelos passionais de trabalhadores de plataformas e moradores locais de que a proibição poderia ser devastadora para a economia da Costa do Golfo.

Funcionários do governo disseram que podem relaxar a proibição e suspendê-la para alguns tipos de operações e plataformas antes que expire.

Michael Bromwich, chefe do Birô de Gestão, Regulamentação e Fiscalização de Energia no Oceano, disse na quinta-feira que o relatório reconheceu o trabalho feito pelos reguladores federais "para elevar o padrão desde o incidente com a Deepwater Horizon".

Bromwich notou que ele está realizando reuniões por todo o país para avaliar formas "que possam permitir a retomada segura da prospecção em alto-mar".

"Antes disso, entretanto", disse Bromwich, "nós precisamos assegurar que a segurança da prospecção e do local de trabalho, a resposta ao vazamento e questões de contenção estejam apropriadamente tratadas pela indústria".

Reilly disse na quinta-feira que o relatório do Centro de Políticas Bipartidárias ajudaria a informar o trabalho em andamento da comissão e contribuir para as deliberações em relação à moratória. Ele também elogiou a análise pelo centro do novo planejamento de segurança, que pode vir a ser imposto pelo Departamento do Interior. Modelos semelhantes foram adotados pelo Reino Unido após a explosão da plataforma Piper Alpha, em 1988.

Em uma carta de 21 páginas, o centro reconheceu que a retomada da exploração de gás e petróleo exige confiança pública na capacidade da indústria de prevenir, conter e responder a outro vazamento.

Mas ele disse que as novas regulamentações impostas a todas as plataformas de prospecção em alto-mar –até mesmo as operações atualmente bloqueadas pela moratória– contam com maior planejamento e capacidade para conter vazamentos.

Por exemplo, o Departamento do Interior agora está exigindo uma descrição mais detalhada dos piores cenários para explosão e vazamentos de poços fora de controle, assim como medições que seriam realizadas para impedir um vazamento. O governo também impôs novos padrões para testes e certificações do equipamento de prospecção, incluindo os dispositivos de segurança conhecidos como blowout preventers.

O relatório da Força-Tarefa de Políticas Bipartidárias do centro creditou a decisão recém anunciada pela indústria de colaborar e desenvolver rapidamente um sistema de contenção capaz de ser empregado em um prazo de 24 horas após outro vazamento.

O centro de políticas também disse que o governo federal, juntamente com peritos da indústria e da British Petroleum (BP), desenvolveram "conhecimento considerável e infra-estrutura física para responder a incidentes em águas profundas" enquanto lutavam contra o vazamento de petróleo no Golfo. Como resultado, disse o grupo, "a indústria deve ser capaz de responder a um incidente semelhante com maior velocidade e eficácia".

O relatório do centro foi concluído por um grupo de trabalho de peritos em energia e meio ambiente, incluindo um alto cientista pesquisador do Centro de Pesquisa Avançada de Houston, um ex-chefe de gabinete do Departamento de Energia, um ex-presidente de refino da Chevron Texaco e um ex-diretor de gestão de desenvolvimento global da Schulumberger.

O Centro de Políticas Bipartidárias é um centro de estudos sem fins lucrativos criado em 2007 por quatro ex-líderes da maioria no Senado –Howard Baker, Tom Daschle, Bob Dole e George Mitchell– para desenvolvimento de possíveis propostas para assuntos complicados como energia, transportes e atendimento de saúde. Quando a comissão para o vazamento de petróleo pediu informação ao centro em julho, o painel disse que era porque os dois grupos eram igualmente não-partidários em sua composição e abordagem.

A proibição da prospecção pelo governo federal tem sido atacada por líderes da indústria de gás e petróleo, autoridades da Costa do Golfo e legisladores do Texas, que dizem que pode vir a causar um caos econômico na região, provocando demissões por donos de plataformas, empresas de serviços para campos de petróleo e empresas fornecedoras de todo o país.

Erik Milito, um membro do Instituto Americano do Petróleo, disse que o relatório do centro confirma que a moratória para águas profundas deve ser suspensa. "A indústria liderou o caminho na volta ao trabalho e agora cabe ao governo fazer o mesmo", disse Milito. "Nós esperamos que o Departamento do Interior siga em frente com a suspensão da moratória, porque milhares e milhares de empregos, bilhões de dólares em receita e nossa segurança energética estão em risco caso a moratória continue."

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos