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02/03/2005

Desemprego aumenta a pressão sobre Schröder

International Herald Tribune
Carter Dougherty
Em Frankfurt, Alemanha
O chanceler alemão Gerhard Schröder lutou para aprovar a mais completa reforma do seguro-desemprego em décadas. Sua recompensa, entretanto, parece ser um aumento do desemprego e do descontentamento entre os colegas social-democratas, que enfrentarão uma eleição estadual crucial em maio.

O desemprego, que ultrapassou a marca politicamente explosiva dos 5 milhões em janeiro, saltou novamente em fevereiro, quando outros 177.000 alemães entraram para as fileiras dos desempregados, segundo divulgou a Agência Federal de Trabalho nesta terça-feira (1/3).

O índice de desemprego, portanto, subiu meio ponto percentual, para 12,6%. As autoridades tentaram minimizar a gravidade do desdobramento. Apesar do inverno especialmente frio ter colocado nas ruas um número extraordinário de trabalhadores da construção civil, o verdadeiro causador da alta no índice é uma mudança estatística provocada pela reforma de Schröder, sob a qual a pessoa saudável que recebe pensão é contabilizada como desempregada.

Frank-Jürgen Wiese, diretor da Agência Federal do Trabalho, chamou o aumento de "esperado".

No entanto, isso serviu de pouco conforto para o partido de Schröder. Os social-democratas perderam considerável território quando eleitores no Estado de Schleswig-Holstein, no norte, foram às urnas em fevereiro.

Agora, estão se aproximando do maior evento político do ano na Alemanha. No dia 22 de maio, os alemães do Estado de Renânia do Norte-Vestfália, no Oeste, o maior em população e que tem 1,1 milhão de desempregados, decidirá se levará de volta ao poder uma coalizão de social-democratas e verdes.

As votações são consideradas um ensaio para as eleições federais do final de 2006, quando Schröder tentará um terceiro mandato como chanceler, também sob a coalizão "vermelha e verde".

Em uma reunião do comitê executivo do partido, na segunda-feira em Berlim, os social-democratas questionaram o ministro de economia e trabalho, Wolfgang Clement, sobre as reformas, pedindo um programa público para combater o desemprego entre os jovens.

Clement, que anunciou o índice de desemprego, descartou as demandas. "Espero que tenhamos dobrado a curva e que agora consigamos reduzir o desemprego", disse Clement, de acordo com a imprensa.

Mesmo assim, a eleição na Renânia do Norte-Vestfália, região cheia de cidades industriais decadentes --as que mais sofreram com a reestruturação econômica da Alemanha na última década--, está alimentando tensões entre autoridades do Estado e Clement, ex-governador que desde então assumiu um papel como um dos reformadores mais determinados da Alemanha.

O secretário estadual de economia e trabalho, Harald Schartau, discordou abertamente de Clement na terça-feira, exigindo que autoridades federais aprovassem novas medidas para dar empregos até que o investimento de empresas privadas comece a melhorar.

"A população vai julgar os partidos com base em conceitos plausíveis", disse Schartau à rede de televisão ZDF. Os pedidos para programas de emprego estatais podem ser efêmeros, mas a pressão sobre Clement ressalta a impaciência crescente com as reformas que, até agora, geraram muitas dores e nenhuma vantagem, disse Thies Buettner, economista do Ifo Institute.

Nas últimas semanas, Clement tentou gerar interesse entre os social-democratas para reformar o sistema de tributação de empresas, mas foi rechaçado na reunião do partido de segunda-feira, sob o argumento de que as reformas trabalhistas não criaram novos empregos.

"O governo está tendo problemas claros para vender qualquer tipo de reforma a seus próprios clientes", disse Buettner. Os próximos meses mostrarão se o mercado de trabalho e as reformas vão empurrar o desemprego para baixo dos 5 milhões e dar aos social-democratas um resultado comemorável, disseram os economistas.

As variações sazonais no emprego, como demissões de operários de construção e agricultores no inverno, podem trazer o alívio que o governo quer tão desesperadamente, de acordo com Andreas Rees, economista do HVB Group em Munique.

"Vemos muitos sinais de que o pior já passou", disse ele. Nos últimos anos, o desemprego sazonal foi maior em fevereiro. No final de março, outras 150.000 pessoas puderam voltar às folhas de pagamento. Se a tendência continuar, os números de abril, que serão divulgados poucas semanas antes das eleições, poderão apresentar o desemprego bem abaixo dos 5 milhões, disse Rees.

Além disso, os próximos meses vão mostrar se outro aspecto das reformas de Schroeder vai funcionar. Complementando a alta redução dos benefícios de desemprego, os alemães saudáveis que estiveram desempregados por mais de um ano terão que participar de programas municipais de trabalho. Quando assumirem esses empregos, serão removidos das estatísticas de desemprego, clareando o cenário consideravelmente. Índice pode prejudicar desempenho eleitoral dos social-democratas Deborah Weinberg

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