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05/04/2005

Apesar de escândalo, Khol recupera popularidade

International Herald Tribune
Judy Dempsey
Em Berlim
Em uma virada no destino político, o ex-chanceler alemão conservador Helmut Kohl está ressurgindo, graças à ala jovem dos drmocratas-cristãos.

Seu renascimento coincide com um momento bastante negativo nas avaliações do desempenho no meio do segundo mandato do homem que o derrotou em 1998: o social-democrata Gerhard Schröder, cujo programa de política externa contrasta fortemente com tudo que Kohl defendeu.

Mas, dizer "ressurgimento" pode ser um exagero. Kohl, que celebrou seu 75º aniversário no domingo, não está prestes a voltar para a desgastada política alemã. O que acontece é que Kohl está a caminho da reabilitação política, depois de passar cinco anos no exílio por aceitar doações ilegais para seu partido durante os anos 90.

O incidente foi devastador para um partido altamente controlado por Kohl. De um dia para o outro, o alto escalão do partido perdeu seu lugar. Alguns ainda tinham grandes ambições políticas, como Wolfgang Schuble que queria se tornar chanceler ou o ex-ministro da defesa Volker Ruhe, que esperava se tornar ministro no próximo governo conservador.

Angela Merkel sobreviveu. Ela foi uma das poucas políticas da Alemanha Oriental que Kohl incorporou ao seu gabinete. Por tudo o que viu quando fez oposição aos comunistas, ela manteve sua posição ética, defendendo o princípio sobre a lealdade. Apesar de ser protegida por Kohl, não quis defender uma pessoa que tinha escondido métodos de financiamento ilegais.

No entanto, apesar do enorme dano que Kohl fez ao partido, a ala jovem do CDU (partido democrata-cristão, na sigla em alemão) hoje em dia tem uma admiração por Kohl quase adulatória.

Isso não se deve ao fato de ter mantido o cargo por um tempo quase recorde ou por ter comandado o país durante o evento mais tumultuado da história alemã do pós-guerra, o da unificação das duas Alemanhas.

Mas deve-se a sua "europeização", uma descrição que está saindo de moda na Alemanha, além de seu compromisso com a aliança transatlântica com os EUA e sua capacidade de inspirar a França a acatar a integração européia, mesmo que isso significasse um enfraquecimento dos interesses econômicos ou internos da Alemanha.

Philipp Missfelder, chefe do movimento jovem do partido, empolga-se quando fala de Kohl.

"A memória é curta", disse ele em uma entrevista. "Temos uma moeda única, graças a Kohl. Temos uma Europa sem fronteiras ou a necessidade de passaportes. Temos um mercado interno. Kohl teve um grande papel nisso. Ele pagou o preço pela integração européia abrindo mão do marco alemão. A Alemanha sob Kohl era muito mais compromissada com a Europa do que o governo Schröder."

Missfelder, 25, mal tem idade para se lembrar da Guerra Fria e da divisão do seu país. Mesmo assim, como líder de um movimento crucial para o futuro do partido, as opiniões de Missfelder são relevantes no segundo mandato de Schröder.

Missfelder e seus colegas não só perdoaram Kohl pelo escândalo das doações ilegais, mas parecem ter esquecido como as políticas internas ficaram paralisadas durante os últimos anos da era Kohl. De fato, Kohl demorou muito a adotar as reformas sociais e econômicas que Schröder, depois de muita hesitação em seu primeiro mandato, começou a assumir.

Quanto ao custo da unificação alemã, a ala jovem diz que Kohl não teve opção, senão aproveitar a oportunidade, apesar de a unificação não criar ao "cenário próspero" prometido por Kohl. Em vez disso, levou os contribuintes a desembolsarem 1 trilhão de euros desde 1990.

Mesmo assim, os ex-assessores de Kohl dizem que há boas razões para essa mudança de opinião em relação ao ex-chanceler, que ficou no poder de 1982 a 1998, quando foi derrotado por Schröder.

"Com a passagem do tempo, vemos fortes diferenças entre Kohl e Schröder em política externa", disse Karl Lamers, especialista no assunto durante a era Kohl.

Os críticos de Schröder dizem que ele começou a desmantelar a política externa assiduamente construída depois da Segunda Guerra Mundial, substituindo-a com uma agenda mais interna.

"Kohl tinha enorme convicção e um profundo sentimento em relação à Europa unida", disse Lamers em entrevista. "Ele teve que trabalhar muito duro para ter um relacionamento mais íntimo com a França. Sem a França, Kohl não poderia pressionar por mais integração. Ele estava disposto a ceder."

E teve que pagar o preço. No governo de Kohl, quem mais contribuiu ao orçamento da União Européia foi a Alemanha. E a determinação de Kohl de desistir do marco alemão em favor do euro foi rancorosamente aceita pelos alemães.

Schröder, por outro lado, parece ter pouco interesse na integração européia e no futuro da União.

Kohl trabalhou sem parar para montar alianças, incitando primeiros-ministros, forjando acordos e prometendo favores. Ele era um líder nas reuniões da UE. Schröder até agora não demonstrou interesse em tornar a Europa sua prioridade.

"Para ser brando. Algumas vezes ele não diz nada nas reuniões. Falta um engajamento alemão e há uma dependência exagerada da França, o que não beneficia muito a Europa", disse uma alta diplomata da UE que pediu para ficar anônima por emitir sua opinião particular.

Lamers desdenha o relacionamento de Schröder com o presidente Jacques Chirac da França, porque Berlim obteve muito pouco em troca. Lamers também critica a fraco engajamento de Schröder com a Europa:

"Kohl sabia que a Alemanha e a França tinham que trabalhar juntas. Kohl lembrava-se da Segunda Guerra Mundial, e isso formava sua opinião. Mas ele queria um relação com a França que tornasse a Europa forte."

Essa falta de comprometimento com a Europa é quase sempre associada pelos democratas-cristãos à opinião de Schröder dos EUA.

Sua oposição à guerra contra o Iraque ganhou o apoio de amplas seções da sociedade alemã e tornou-se parte essencial de sua campanha de re-eleição em 2002. Essa oposição à guerra, porém, de alguma forma ficou identificada com um anti-americanismo, e foi a primeira vez na qual uma campanha de eleição na Alemanha foi travada nesses termos.

Lamers disse que ficou desapontado por Schröder ter usado o anti-americanismo nas eleições:

"Eu era contra a guerra. Mas teria feito de forma diferente para não prejudicar o relacionamento transatlântico. De fato, a França ficou chocada quando Schröder tomou essa posição. A forma que ele fez dividiu a Europa, em vez de fortalecê-la. Realmente, marcou uma virada em nosso relacionamento com os EUA." Ex-chanceler é popular entre a juventude conservadora alemã Deborah Weinberg

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