UOL Notícias Internacional
 

18/05/2005

Coalizão alemã enfrenta desafio em seu reduto

International Herald Tribune
Judy Dempsey
Em Essen
Se há uma eleição regional na Alemanha capaz de influenciar o resultado da eleição federal no próximo ano é a do estado de Renânia do Norte-Vestfália.

Nesse Estado de 18,1 milhões de pessoas, o mais populoso dos 16 Estados alemães e o que continua liderando a economia do país, voltada para exportações, todos os indícios sugerem que a coalizão do governo vermelho-verde dos social-democratas do chanceler Gerhard Schröder e seus parceiros verdes, minoritários na coalizão, enfrentará uma derrota neste domingo (22/05).

Os social-democratas locais da NRW, como a região é conhecida localmente, sequer tentam desafiar essa possibilidade.

"Se perdermos a NRW perderemos a eleição federal", disse Dieter Hilser, 51, um social-democrata da cidade de Essen que foi eleito para o parlamento regional há cinco anos. "O resultado será apertado. Quero dizer, vamos perder por pouco."

As pesquisas de opinião dão aos democratas-cristãos, de oposição, uma clara vantagem de 5% sobre os social-democratas e os democratas livres, de oposição, 7%, o suficiente para que os dois partidos derrotem a coalizão de Schröder. Se isso acontecer, seria um golpe devastador para os social-democratas.

Há 39 anos o partido governa esse Estado no oeste da Alemanha, construindo sua base entre as classes trabalhadoras empregadas em mineração, siderurgia e química, setores que hoje sofrem extensa reestruturação.

Talvez ainda mais importante, a derrota levantaria questões sobre se os social-democratas e os verdes podem novamente governar nos níveis regional e nacional. Afinal, se a Renânia do Norte-Vestfália cair, indicará o fim de todos os governos regionais da coalizão vermelho-verde.

Em 1999, um ano depois que a coalizão de Schröder foi eleita --a primeira vez que os verdes chegaram ao governo federal--, os social-democratas chefiavam 11 legislaturas regionais. Hoje eles governam em coalizão apenas cinco, incluindo a Renânia do Norte-Vestfália. As outras passaram para os democratas-cristãos.

"Esta eleição vai mostrar que um governo federal verde-vermelho não pode funcionar", disse Thomas Kufen, 31, um democrata-cristão que é membro do Parlamento regional e também vem de Essen.

"Eu sei que vocês esperavam que eu dissesse isso, mas os dois partidos são muito diferentes. Eles têm perspectivas e prioridades diferentes."

De modo incomum durante o auge dessa campanha eleitoral crucial, Hilser até concorda. Sua maior queixa da coalizão na Renânia do Norte-Vestfália é que os verdes gastaram tempo demais em questões ecológicas e não o suficiente em tentar reduzir o desemprego.

O índice de desemprego é de 12,1%, muito acima do nível da Alemanha Ocidental de 9,9% e nivelado com a média nacional de 12%, devido ao alto desemprego nos Estados do leste.

Em alguns locais da NRW, no coração da região mineira, o desemprego chega a 30%. Não é de surpreender, portanto, que o déficit orçamentário anual para este ano seja superior a 450 milhões de marcos (US$ 570 milhões), enquanto a receita fiscal cai ainda mais, e quem ganhar no domingo terá de enfrentar a dívida em espiral de mais de 1 bilhão de marcos.

Hilser disse que como os verdes vêm das profissões do direito, magistério e acadêmicas, eles tendem a se concentrar mais em questões ambientais, ecológicas e de saúde do que no desemprego.

"O desemprego não afeta os verdes devido a sua origem", disse Hilser. "Eles têm empregos. São os social-democratas que pagarão o preço no domingo, em parte porque os verdes não fizeram campanha suficiente para combater o desemprego. Mas é claro que nossos eleitores não gostam das reformas econômicas de Schröder."

Hilser queixou-se de que Schröder perdeu muito tempo introduzindo reformas em seu primeiro mandato, que começou em 1998.

"Poderíamos estar colhendo os frutos das reformas agora. Mas em vez disso nossos eleitores nos dizem que detestaram a reforma da saúde", ele disse. "Eles têm de pagar 10 marcos quando consultam o médico e pagam mais pelos remédios. Mas essas reformas foram necessárias. Agora temos um superávit no orçamento da saúde.

"Os idosos se queixam de que não têm aumento das aposentadorias. E é claro que os desempregados detestam as reformas Hartz IV, que atrelam o nível da assistência aos desempregados há muito tempo ao fato de eles aceitarem qualquer emprego oferecido. Essas reformas foram necessárias. De algum modo o governo de Berlim nunca as vendeu adequadamente."

Como distração dessas críticas, o guru ideológico de Schröder e presidente do Partido Social-Democrata, Franz Müntefering, passou as últimas semanas atacando o capitalismo desenfreado, as companhias alemãs que investem no exterior às custas de criar novos empregos no país e os grupos financeiros que compram empresas alemãs só para reduzi-las a conchas.

"Sim, é verdade que as críticas de Müntefering tiveram certa ressonância aqui", disse Hilser, mas até ele admite que talvez não o suficiente para abalar o poder.

"Minha preocupação é que os eleitores tradicionais social-democratas fiquem em casa em vez de ir votar no domingo. Admitimos que quatro em cada cinco aposentados não comparecerão." Derrota no maior Estado do país pode sinalizar queda de Schröder Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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