UOL Notícias Internacional
 

16/08/2005

Schröder ataca EUA durante campanha eleitoral

International Herald Tribune
Judy Dempsey
Em Berlim
O chanceler Gerhard Schröder foi acusado nesta segunda-feira (15/08) pela oposição alemã e analistas de segurança de tirar novamente de sua manga a carta antiamericana para fins eleitorais, após alertar os Estados Unidos a não usarem força militar para impedir o Irã de produzir armas nucleares.

Restando apenas quatro semanas para as eleições federais, Schröder --cujos social-democratas estão bem atrás da União Democrata Cristã de Angela Merkel, de oposição, nas pesquisas-- decidiu se afastar das questões de economia e se concentrar em política externa na tentativa de obter apoio.

Em sua mais recente salva, no fim de semana, Schröder pareceu romper fileira com Washington e seus aliados europeus, pedindo para que não considerem uma ação militar como uma opção para impedir o Irã de obter armas nucleares.

O chanceler adotou táticas semelhantes três anos atrás, quando manteve o cargo após criticar repetidamente os preparativos americanos para atacar o Iraque. Aquela foi a primeira vez na história recente que um importante político rompeu fileira publicamente com Washington em uma campanha eleitoral alemã.

A rusga levou a uma profunda ruptura nas relações entre os dois países. Wolfgang Schauble, o especialista democrata-cristão em política externa, alertou Schröder que ele corre o risco de minar as negociações diplomáticas entre a Europa e o Irã.

"O chanceler está criando uma impressão desastrosa de que a comunidade internacional não está mais unida", Schauble foi citado como tendo dito pela agência de notícias "France-Press", na segunda-feira. "Ele está assim aceitando o fato de que o perigo do Irã conseguir uma bomba atômica está crescendo."

Alemanha, França e Grã-Bretanha estão negociando com o Irã há mais de dois anos em um esforço para afastar o Estado islâmico da busca pelo enriquecimento de urânio, um processo exigido para produção de armas nucleares.

Para imensa decepção da União Européia e dos Estados Unidos, o Irã retomou na semana passada a conversão de urânio em sua instalação nuclear nos arredores de Isfahan, após rejeitar a oferta da União Européia de incentivos políticos e econômicos.

Em um comício eleitoral no fim de semana, Schröder disse: "Queridos amigos na Europa e na América, nos permitam elaborar uma forte posição de negociação. Mas vamos tirar a opção militar da mesa. Nós já vimos que ela não funciona", ele acrescentou, em uma clara referência à situação no Iraque, que foi atacado pelas forças americanas e britânicas em 2003 para remover Saddam Hussein do poder.

Schröder estava respondendo a uma entrevista do presidente George W. Bush, dada para a televisão israelense na sexta-feira. Na entrevista, Bush expressou esperança de que as negociações européias com o Irã seriam bem-sucedidas.

"Nós queremos que a diplomacia funcione", disse Bush, "logo, estamos trabalhando febrilmente na rota diplomática". Bush também disse que "todas as opções estão na mesa. O uso da força é a última opção para qualquer presidente".

Gary Smith, diretor da independente Academia Americana em Berlim, disse: "No momento em que a Europa e os Estados Unidos estão convergindo diplomaticamente para a uma frente comum em relação ao Irã, alguém deveria fazer todo o possível para manter tal unidade".

Ele acrescentou: "Eu acho que, enquanto os negociadores alemães, britânicos e franceses estão trabalhando incansavelmente com seus pares americanos para encontrar uma solução, isto não deveria se tornar uma questão eleitoral".

Especialistas em Berlim disseram que Bush não disse nada de novo sobre o Irã. Funcionários em Washington argumentaram que as negociações devem ser apoiadas por uma ameaça plausível de força.

Johannes Reissner, que chefia o departamento para Oriente Médio e África no Instituto Alemão para Segurança e Política Internacional, disse que os comentários de Schroeder, claramente visando sua campanha para reeleição, "não ajudarão a melhorar as relações entre a Alemanha e os Estados Unidos", no momento em que tais relações estão lentamente sendo restauradas. Reissner também disse que os comentários de Schröder "não ajudarão a fortalecer a posição européia de negociação".

Importantes membros do Partido Social-Democrata de Schröder negaram que o chanceler estava adotando táticas antiamericanas como parte de sua campanha eleitoral. Franz Muentefering, o presidente do partido, disse que Schröder "não apontou especificamente para ninguém" e apenas fez um comentário geral sobre a situação.

Todavia, políticos social-democratas desafiaram Merkel a expor uma posição pública sobre o Irã. Schauble, o chefe democrata-cristão de política externa, insistiu que "a questão de uma opção militar não está na mesa". O chanceler condena o uso da força militar contra o Irã e é crticado George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,48
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,53
    75.604,34
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host