UOL Notícias Internacional
 

20/08/2005

GP turco estréia em circuito que promete emoção

International Herald Tribune
Brad Spurgeon
Em Istambul
Para a Fórmula Um, esta pode ser apenas mais uma viagem rumo ao leste, para um país sem tradição de corridas automobilísticas, mas com dinheiro para gastar. Mas graças ao orgulho local, o primeiro Grande Prêmio da Turquia, neste domingo (21/08), está acrescentando algumas curvas novas ao seu novo circuito, o que poderá fazem com este seja o melhor acréscimo ao calendário da Fórmula Um em anos.

Ferrari/The New York Times 
Para Barrichello, as curvas de Istambul serão um grande desafio para os pilotos
Ao contrário de outras novas provas no leste (Malásia em 1999, e Bahrein e China no ano passado), a corrida turca não é financiada pelo governo, mas sim por empresários locais que desejam aumentar o fluxo turístico e o investimento estrangeiro, além de mostrar que o país é igual a qualquer outro da União Européia, na qual a Turquia tenta ingressar.

E, se não possui tradição em corridas, a Turquia está capitalizando a sua herança cultural e geográfica, conforme está expresso nas faixas e pôsteres espalhados pelas velhas muralhas, minaretes e domos de Istambul, que trazem a imagem da bandeira turca acompanhada das palavras: "Bem-vindo a Istambul: Uma Volta, Dois Continentes".

Mas isso também implica uma das poucas desvantagens para um final de semana de Grand Prix em Istambul. A pista fica no lado asiático do Estreito de Bósforo, em Kurtkoy, 50 quilômetros ao norte de Istambul, enquanto que a maior parte do movimento turístico se concentra no lado europeu.

Os engarrafamentos de trânsito que costumam ocorrer sobre a Ponte Bósforo, que liga a Europa à Ásia, e nas estradas que levam à pista, podem fazer com que a viagem diária daqueles que desejam combinar um passeio turístico com a corrida demore horas.

É claro que há também o medo do terrorismo, já que ataques a bomba a pontos turísticos durante o verão fizeram com que os organizadores da corrida solicitassem a presença de 2.000 policiais e exigissem o uso de detectores de metal e a adoção de outras precauções a fim de revistar e proteger os 75 mil espectadores esperados, a maioria deles vinda de outros países da Europa.

Apesar do tráfego, o governo está ajudando a facilitar a visita dos espectadores de outras formas, tendo, por exemplo, simplificado os procedimentos alfandegários em um guichê especial para a Fórmula Um no aeroporto, onde é fornecido um visto gratuito com o carimbo "Motivo da Entrada: Fórmula Um".

Embora o governo tenha doado a área para a construção da pista, o que torna o modelo turco adotado para a Fórmula Um diferente de outros é que se trata de uma iniciativa privada. A corrida e a pista estão sendo pagas pela Câmara de Comércio de Istambul, uma organização compulsória para as 350 mil empresas de Istambul, e pela União Nacional de Câmaras de Comércio.

Mas embora o custo da pista tenha sido a princípio estimado em cerca de 49 milhões de euros, a imprensa local diz que o preço real foi de 122 milhões de euros.

A câmara de Istambul espera que a corrida gere uma arrecadação de 97 milhões de euros com o turismo.

"A pista, em si, não proporciona a arrecadação de muito dinheiro da Fórmula Um", diz Can Guclu, vice-diretor de gerenciamento da pista, o Istanbul Otodrom. "Mas a cidade, o país e as empresas locais lucram muito com o evento. Os hotéis estão lotados". Agosto é normalmente um mês de pouco movimento turístico em Istambul, já que os turistas vão para as praias no sul do país.

Mas em um país pobre como a Turquia, a corrida tem os seus críticos, e algumas pessoas reclamam de que se trata de algo caro e desnecessário. De fato, embora os preços das cadeiras sejam 25% menores que os de outros grandes prêmios, o ingresso mais barato custa 70 euros, o que equivale a um salário médio semanal.

"Nós realmente mantivemos os preços em um patamar comparativamente baixo", afirma Guclu. "Mas este é um dos eventos mais caros já ocorridos na Turquia, em termos de preço de ingresso".

A corrida é também parte de uma recente iniciativa no sentido de ampliar a presença turca no cenário esportivo mundial. Após quatro tentativas mal sucedidas de sediar os Jogos Olímpicos, a Turquia conseguiu, em maio último, que fosse disputada em Istambul a partida da final da Liga dos Campeões.

O país tem promovido uma das etapas do Campeonato Mundial de Rali nos últimos três anos, e neste ano a pista também será palco de uma corrida do campeonato mundial de automóveis tipo turismo, do campeonato de carros alemães tipo turismo e da série mundial de motociclismo, o MotoGP.

"Estamos tentando oferecer algo para todo mundo", explica Guclu, acrescentando que para a série de carros tipo turismo o ingresso mais caro custará 30 euros.

Com a perspectiva de pagar tanto pelo autódromo, os organizadores lutaram contra a insistência da Fórmula Um em usar o seu projetista usual de pistas, Hermann Tilke, que elaborou todas as outras adições recentes ao circuito. No entanto, ao final, Tilke atuou como assessor de um arquiteto turco e de uma empresa nacional de construção.

O resultado foi que, embora os prédios e palcos não sejam tão sublimes quanto os de outros circuitos --ainda que os prédios tenham sido elegantemente desenhados, de forma a se parecerem com as tendas usadas pelos sultões otomanos--, a pista em si poderá se tornar a favorita da Fórmula Um.

Em uma ruptura com a tendência de Tilke de criar pistas planas e seguras, mas entediantes, o circuito de 5,3 quilômetros fica situado em uma área montanhosa de floresta, e possui ondulações e curvas ousadas, com curvas fechadas como em Spa, na Bélgica, e Suzuka, no Japão.

Ele é feito para criar uma corrida fabulosa, e a primeira curva, estreita e em uma descida, lembrando Interlagos, no Brasil, deve proporcionar um grande começo para a prova.

"A pista possui uma curva na qual o piloto sempre diz para si que pode frear um pouco mais tarde", disse na última quinta-feira Rubens Barrichello, o piloto brasileiro da Ferrari. "Mas haverá momentos em que o limite de frenagem será ultrapassado".

Ele é também um dos três únicos circuitos no sentido anti-horário, juntamente com Interlagos e Ímola, na Itália, o que deverá forçar os pescoços dos pilotos, já que estes terão que suportar, nas curvas, uma pressão no sentido oposto ao usual.

"É um circuito muito completo", disse na quinta-feira Felipe Massa, piloto da equipe Sauber. "Ele tem de tudo: curvas rápidas, lentas, mudanças de direção, freadas bruscas".

A construção da pista foi possível graças à persistência de um punhado de entusiastas do esporte, como Mumtaz Tahincioglu, diretor da federação nacional de automobilismo.

Até recentemente, a maior parte das corridas locais eram ralis, já que o país possui poucas pistas. Os entusiastas esperam que o novo circuito e as suas corridas elevem o nível dos campeonatos automobilísticos de forma que o país produza, no futuro, corredores de nível internacional.

A Turquia possui apenas dois corredores notáveis no universo europeu do automobilismo, e ambos pilotarão neste fim de semana. Um deles, Can Artam, correrá na categoria GP2.

"Quando comecei a correr quatro anos atrás, eu ficava sonhando que um dia iria para a Fórmula Um e correria em frente ao meu povo. Agora tudo está se tornando real, e é algo realmente emocionante".

O outro é Jason Tahincioglu, filho do presidente da federação, que corre na Fórmula Renault na Inglaterra. Ele fará uma corrida de demonstração em um carro de Fórmula Um no domingo.

Mas embora a Turquia espere lucrar com o evento, a Fórmula Um escolheu claramente o país devido ao seu mercado crescente de 70 milhões de pessoas. Os dois fabricantes de pneus, Michelin e Bridgestone, querem aumentar os negócios nas ruas repletas de carros, como fizeram as duas marcas que lideram o campeonato --Renault e Mercedes--, para não mencionar algumas Ferraris que circulam pelo país.

"O que a Fórmula Um trará para a Turquia?", disse Guclu, repetindo uma pergunta feita por um jornalista. "Essa não é a maneira certa de se formular a questão. Creio que você deveria perguntar: O que a Turquia está trazendo para a Fórmula Um?". Com traçado inovador, pista tem tudo para ser favorita da categoria Danilo Fonseca

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