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16/09/2005

Equipe de Schröder nega redução no orçamento

International Herald Tribune
Carter S. Dougherty
Em Nurembergue, Alemanha
A política econômica ganhou grande importância nos últimos dias da disputada campanha eleitoral alemã, no momento em que os conservadores acusam o chanceler Gerhard Schröder de pretender ocultar seus planos para a promoção de um corte orçamentário maciço após o encerramento das eleições, no próximo domingo (18/09).

Schröder, candidato social-democrata, tem criticado as propostas do candidato democrata-cristão a ministro das Finanças, Paul Kirchhof, no sentido de extinguir a maioria das deduções de impostos, incluindo uma isenção altamente popular para aqueles indivíduos que se deslocam diariamente para o trabalho.

Na quinta-feira (15/09), em um palanque na cidade de Trier, no oeste do país, Schröder não fez menção à redução orçamentária.

Mas a mídia alemã, aparentemente com a ajuda de vazamentos do Ministério das Finanças, controlado pelos social-democratas, afirmou que as autoridades estão costurando um pacote de redução de gastos da ordem de 30 bilhões de euros, o que afetaria os ministérios, as pensões e o auxílio-desemprego.

Segundo a mídia, o plano poderia chegar ao patamar de 120 bilhões de euros até 2009. Essa notícia fez com que os conservadores exigissem a publicação oficial da notícia.

"Queremos a lista completa sobre a mesa antes da eleição", disse na quinta-feira Edmund Stoiber, o conservador governador do Estado sulista da Baviera, segundo a agência de notícias alemã DPA. "Qualquer outro procedimento se constituiria em uma enorme fraude eleitoral".

O ministro das Finanças, Hans Eichel, negou que tal medida esteja a caminho, e na quarta-feira ele chegou a ponto de obter declarações de funcionários públicos graduados, atestando que não está articulando um corte de orçamentos. Ele chamou as exigências dos conservadores de "falsas alegações" motivadas pela iminente eleição.

Ambos os partidos rumam para os últimos dias da campanha enquanto as pesquisas indicam que várias coalizões governamentais seriam possíveis --exceto a atual, composta de social-democratas e verdes.

As pesquisas revelam que os democrata-cristãos e os seus parceiros de coalizão, os liberal-democratas, que defendem os interesses empresariais, contariam com pouco menos da maioria absoluta dos votos.

Segundo as pesquisas, a atual coalizão, associada ao socialista Partido da Esquerda, obteria a maioria dos votos, embora Schröder tenha rechaçado tal combinação, o que aumentou a possibilidade de seja articulada uma "grande coalizão" dos dois maiores partidos.

Mesmo assim, os principais políticos da Alemanha, que atualmente estão peregrinando pelo país em uma tentativa final de obter mais votos, estão também apelando para os indecisos, que compõem cerca de um terço do eleitorado. Eles têm sido obrigados a responder perguntas constantes a respeito da constelação política que governará a Alemanha.

"O fato de vários indivíduos ainda não terem se decidido é fundamental", observou Joschka Fischer, o ministro alemão das Relações Exteriores e principal candidato do Partido Verde.

Em Trier, Schröder defendeu a impopular reformulação do sistema de auxílio-desemprego, implementada pelo seu governo, uma iniciativa que gerou protestos maciços há um ano.

"A reforma do mercado de trabalho era necessária para o nosso país", disse Schröder. Mas aquiescendo aos esquerdistas social-democratas, que criticaram a medida, Schröder prometeu manter o sistema alemão de co-determinação, segundo o qual os empregados possuem voz forte na diretoria das empresas.

O possível ingresso da Turquia na União Européia (UE) também ressurgiu como questão de campanha na quinta-feira, quando os partidos mais uma vez digladiaram-se devido ao enérgico apoio de Schröder à medida. Um proeminente aliado do chanceler atacou duramente a iniciativa.

Helmut Schmidt, o social-democrata que foi chanceler alemão no final dos anos 70 e início dos 80, e que assessorou Schröder informalmente, atacou a proposta, que Schröder tem defendido, apesar da ampla resistência que esta enfrenta na Alemanha.

Schmidt, na revista semanal "Die Zeit", questionou a afirmação do governo de que a Turquia pode servir como um exemplo para os países árabes vizinhos, e classificou a proposta de ingresso daquele país na UE de "tolice". A sua posição foi anunciada com destaque na quinta-feira no "Bild", o jornal diário alemão de maior tiragem, que com freqüência demonstra possuir um instinto apurado para captar os sentimentos populares.

Schmidt disse que, com relação à questão da Turquia, apóia Merkel, que defende uma "parceria privilegiada" para os turcos, algo que ficaria aquém da concessão de status de membro integral da UE.

Como existem aproximadamente 500 mil cidadãos alemães de descendência turca habilitados a votar, sendo a maioria deles simpatizante dos social-democratas, os conservadores enxergam na questão do ingresso da Turquia na UE uma das maiores vulnerabilidades de Schröder.

Roland Koch, governador do Estado de Hesse e um importante político democrata-cristão, argumentou que os alemães de descendência turca deveriam votar em partidos que construíssem uma Alemanha forte, e acusou Schröder de tirar proveito da questão com fins eleitorais.

"O chanceler está fazendo um uso questionável das memórias que os ex-cidadãos turcos têm do seu velho país natal, transformando-as em munição eleitoral e prejudicando a integração da Alemanha", disse Koch ao "Bild". A manobra poderia prejudicar eventual gabinete democrata-cristão Danilo Fonseca

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