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05/10/2005

Schröder é pressionado a deixar de ser chanceler

International Herald Tribune
Judy Dempsey
Em Berlim
Determinados a se apoderar do maior troféu político da Alemanha, os conservadores da União Democrata Cristã (CDU) de Angela Merkel disseram nesta terça-feira (04/10) que não têm a intenção de darem início a conversações formais sobre uma grande coalizão com o Partido Social Democrata (SPD) de Gerhard Schröder até que este reconheça o fato de que Merkel exige ser a próxima chanceler.

A advertência de Volker Kauder, secretário-geral dos democrata-cristãos, foi feita antes da reunião entre Merkel e Schröder em Berlim, na quarta-feira, para uma terceira rodada de conversações exploratórias. Essas conversações decidirão se existem pontos suficientes em comum para que se dê início a conversações e, em determinado momento, se chegue a um acordo sobre um novo governo baseado em uma grande coalizão entre os dois grandes partidos.

"O povo alemão está aguardando a formação de um governo", disse Kauder na televisão. "Eu peço aos elementos racionais no SPD que reconheçam que exigimos a chancelaria a fim de que possamos dar continuidade a essas conversações".

Uma série de reuniões ocorrerá na quinta-feira, e os social-democratas e democrata-cristãos realizarão sessões especiais das diretorias partidárias para decidirem quais serão os próximos passos a serem dados após a reunião de quarta-feira. Dirigentes de ambos os partidos disseram que grande parte do que ocorrerá depende da próxima iniciativa de Schröder.

Na sexta-feira, ele irá a São Petersburgo, onde se reunirá com o presidente Vladimir Putin, da Rússia. Um porta-voz do governo disse: "O chanceler parabenizará Putin pessoalmente pelo seu 53º aniversário. Schröder foi convidado para jantar. Eles também discutirão questões bilaterais e internacionais, assim como a relação entre a Rússia e a União Européia".

O porta-voz não quis confirmar se esta seria a última reunião entre Schröder, como chanceler, e Putin, com quem o alemão forjou uma amizade estreita. Desde as eleições federais em 18 de setembro, Schröder insiste que continuará sendo chanceler. Mas na segunda-feira ele afirmou pela primeira vez que não será um obstáculo à formação de um governo de coalizão estável.

Em uma entrevista na televisão, Schröder indicou indiretamente que renunciará, ao frisar que qualquer questão quanto ao seu futuro deverá ser decidida pelo seu partido, e não por ele. Essa mudança de posição ocorreu quando os eleitores da cidade saxônica de Dresden, após um adiamento de duas semanas, votaram no último domingo para o Bundestag, o parlamento alemão.

Eles elegeram um democrata-cristão, dando ao bloco conservador de Merkel uma vantagem de quatro cadeiras sobre os social-democratas, que possuem 222 cadeiras.

Apesar dos comentários de Schröder, os democratas-cristãos não dão nada como certo. Após a sua entrevista, Merkel, sem aviso prévio, articulou uma conferência por telefone com a executiva do seu partido na noite de segunda-feira. A executiva concordou que as negociações formais sobre a criação de uma coalizão não terão início até que Schröder reconheça Merkel como chanceler. Claus Zemke, porta-voz dos democrata-cristãos, disse na terça-feira que a mensagem foi clara.

"Temos o direito de exigir a chancelaria", afirmou. "Nós, a união, ganhamos o maior número de votos e cadeiras no parlamento. E Schröder e os seus social-democratas precisam aceitar a realidade. Não vamos nos engajar em conversações formais até que esse fato seja reconhecido".

Franz Müntefering, presidente do SPD e um aliado próximo de Schröder, disse na terça-feira que não foi possível resolver as questões pessoais pendentes durante as conversações exploratórias.

"Durante as conversações exploratórias que estão em andamento ainda não pudemos chegar a uma decisão a respeito do chanceler", disse Müntefering à rede pública de televisão ARD. "Somente quando nos engajarmos em negociações sérias poderemos discutir tais assuntos. Antes disso é simplesmente impossível".

Os democratas-cristãos disseram não estar dispostos a aceitar a posição de Müntefering, temendo que Schröder traga a questão às conversações formais sobre uma coalizão. Isso daria aos democrata-cristãos pouco poder de barganha e deixaria os social-democratas com uma vantagem considerável.

Müntefering disse algo parecido na noite de segunda-feira, após uma reunião especial da executiva do seu partido. Ele argumentou que, como os dois partidos têm mais ou menos o mesmo tamanho, eles poderiam falar de igual para igual nas negociações sobre uma coalizão.

Isso implicaria que Schröder e Müntefering lutassem para obter alguns dos melhores cargos possíveis no gabinete para o seu partido. Os democrata-cristãos afirmam que simplesmente não sabem se Schröder pretende continuar sendo chanceler até que consiga obter os cargos no gabinete.

Zemke afirmou que, se este for o caso, não haverá negociações formais sobre uma coalizão.

"Esta é a nossa posição", garantiu. "É preciso que Merkel seja reconhecida como chanceler. Somente depois disso a união dará início a negociações formais sobre uma coalizão".

O tempo para que se chegue a um acordo está se esgotando. A primeira sessão do novo Bundestag será em 18 de outubro, quando os deputados elegerão um presidente do parlamento.

As duas partes já estão se desentendo quando à decisão sobre que partido tem o direito de reivindicar este cargo, que geralmente fica com o maior grupo parlamentar. Também ainda não está claro se o Bundestag fará uma votação para a escolha de um novo chanceler, devido ao impasse atual. Direita só negocia coalizão se líder alemão admitir vitória de Merkel Danilo Fonseca

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