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09/03/2006

Desempenho teatral acaba com o Chelsea

International Herald Tribune
Rob Hughes
Os slogans nas camisas usadas pelos torcedores do Barcelona se revelaram meias-verdades: "Não fazemos teatro", ou "Fazemos gols". Quando Ronaldinho faz gols como aquele que tirou o Chelsea da Liga dos Campeões na última terça-feira (07/03), estamos falando de teatro do tipo mais maravilhoso.

Reuters 
Ronaldinho passa por três jogadores do Chelsea antes de marcar o gol da vitória do Barça

O fato aconteceu em um estágio avançado da peça. Ele surgiu a partir do
senso de oportunidade extraordinário do jogador, da sua inabalável fé em si mesmo, na sua força e no seu instinto para finalizar aquilo no qual nenhum dos 98 mil ocupantes do estádio poderiam ter pensado.

Havia uma tensão palpável em Camp Nou. O Barcelona vencera o Chelsea em
Londres 2 a 1 no primeiro jogo, mas, faltando 12 minutos para o final, e com o Chelsea ganhando ímpeto para uma conclusão do tipo tudo ou nada, havia a impressão de que a estratégia maliciosa bolada pelo técnico do Chelsea, José Mourinho, poderia resultar em um final dramático.

Foi quando Samuel Eto'o passou a bola para Ronaldinho.

Não havia nada que o brasileiro pudesse fazer, nenhuma rota óbvia para o
gol. Ele estava fora da pequena área, e havia três zagueiros entre ele e o goleiro Petr Cech. Nenhum caminho aberto.

Mas tal impossibilidade se aplica a homens normais, e não aos grandes
atletas do teatro do futebol. O instinto agilizou os seus passos. Era
possível pressentir que algo de significante estava por acontecer.

Ele se deslocou para frente com três passos rápidos, e três toques precisos na bola com o pé direito. Esses toques foram cuidadosos, gentis e controlados.

Subitamente, John Terry, o maior e mais amedrontador beque da defesa do
Chelsea, o confrontou. Parecia uma batalha perdida. A força bruta de Big
John contra o tronco esguio de Ronaldinho. Mas, com aquele sorriso que nunca parece deixar a sua face, com um drible intuitivo para a direita no último segundo, e com o olhar ainda firmemente fixado na bola, o brasileiro evitou a colisão.

Ainda de pé, sem jamais sonhar em fazer aquilo que incontáveis atacantes
fazem em tal situação - se jogar teatralmente sobre o gramado -, Ronaldinho chutou. O chute foi poderoso, rápido, e calculado para vencer Cech.

Muitas vezes, ao marcar um gol, Ronaldinho faz o sinal da cruz e olha para o céu. Mas desta vez, parecendo estar momentaneamente quase que em estado de choque, ele fechou os olhos, manteve as duas mãos unidas à sua frente, e esperou a explosão de alegria dos seus companheiros de equipe para confirmar que este havia sido realmente o gol especial que derrotou a equipe do técnico Mourinho, que se auto-rotula de "O Especial".

A grande torcida catalã fez um barulho enorme. Ao final da partida, ainda no gramado, ao trocar a camisa com Frank Lampard, Ronaldinho disse à rede de TV espanhola Canal Plus: "Vencer uma equipe que tem um grande técnico é algo que me deixa feliz". Havia um brilho nos seus olhos, mas geralmente ele sempre traz esse brilho nos olhos.

O gol ocorreu após 78 minutos de jogo, durante os quais o Barcelona jogou
com mais cautela, e mostrando maior disposição para conter os ataques
adversários, uma estratégia que não costumamos associar ao time. O plano de jogo era fazer uma defesa cerrada, uma missão cumprida por Rafael Marques e Carles Puyol com uma dureza exemplar.

A idéia era ganhar a bola no meio-de-campo, o que Thiago Motta e Edmilson
fizeram, e trocar passes, segurar as jogadas, tomar conta da bola, algo que o Barcelona é capaz de fazer dormindo.

E, ao exercer pressão cerrada quando o Chelsea detinha a posse de bola, ao negar à equipe visitante o momento e o espaço para a criação de um ritmo de jogo, o Barcelona fez com que deixasse de ter importância o fato de Mourinho deixar a cautela de lado e inserisse três laterais no campo: Damien Duff, Arjen Robben e Joe Cole.

Poderíamos argumentar que o técnico escolheu o jogador errado, Robben, para penetrar no campo adversário e passar a bola para o atacante Didier Drogba. Cole certamente tem mais condições de armar tais jogadas.

Ou poderíamos acreditar que Mourinho, cujo hábito deprimente de procurar a luz dos refletores e de culpar os juízes todas as vezes que se depara com um oponente melhor, recebeu uma lição merecida.

A piada do "teatro" nas camisas foi uma resposta à tentativa mal-criada de Mourinho de rotular Lionel Messi- o companheiro adolescente de jogadas de Ronaldinho - de ator, depois que o zagueiro Asier Del Horno, do Chelsea, foi expulso na primeira partida.

Para qualquer observador isento, Del Horno mereceu o cartão vermelho por ter feito duas faltas violentas sobre Messi. Duas semanas depois, mesmo quando o placar em Barcelona terminou fortuitamente em 1 a 1, após um erro do juiz alemão Markus Merk, que deu ao Chelsea um pênalti além do tempo regulamentar, e ainda que Messi estivesse fora do jogo, após sofrer uma ruptura no músculo da coxa no primeiro tempo, Mourinho reclamou.

Ele não parava de repetir que o seu Chelsea, montado com a maior verba já
despejada sobre um time de futebol, não fora eliminado por uma equipe
melhor.

"Não creio que foi isso o que ocorreu", disse ele. "Jogamos quatro vezes
contra o Barcelona em duas temporadas, quando eram 11 contra 11, e eles
nunca ganharam de nós. Perdemos o primeiro jogo, por 2 a 1, em
circunstâncias no mínimo estranhas".

Lamentos? "Eu lamento não ter jogado contra o Barcelona tendo 11 jogadores na minha equipe", repetiu ele.

E o que o Chelsea precisa fazer para brilhar na Copa dos Campeões na próxima temporada?

"O Chelsea precisa tentar entrar no G-14", afirmou.

Mourinho fazia uma referência ao grupo de clubes - incluindo o Real Madri, o Barcelona, o Milan e a Inter de Milão, o Manchester United e a Juventus - que fazem lobby para proteger o seu status de membros de elite. Presume-se que Mourinho acredita que exerce influência sobre a sua categoria favorita, os juízes.

Bem, foi "no mínimo estranho" que a Juventus passasse para as
quartas-de-final na última terça-feira.

O clube de Turim forneceu mais de 10 mil ingressos, um gesto para agradecer aos voluntários que ajudaram a fazer as Olimpíadas de Inverno, e ainda assim mal conseguiu que a metade das vagas do cavernoso estádio Delle Alpi fosse ocupada.

O time mais popular a Itália é incapaz de reunir uma multidão decente para um jogo crucial da Liga dos Campeões.

O que o time pode fazer é melhorar o seu desempenho - e a sua sorte - até
mesmo na sua pior noite. Contra o Werder Bremen, a Juventus já estava
perdendo por um gol antes do começo da partida. O time passou a perder de 2 a 0 quando Johan Micoud, espertamente, colocou a bola com delicadeza sobre Gigi Buffon.

Lentamente a máquina da Juventus foi adquirindo ritmo. Gradualmente, o
técnico Fabio Capello foi percebendo que o seu time necessitava de
criatividade extra, e Alessandro Del Piero entrou em campo.

Dez minutos depois, David Trezeguet igualou o placar em 1 a 1, mas o saldo total de gols entre os dois times ainda significava uma desvantagem de 3 a 4 para a Juventus. Com o tempo se esgotando, Tim Wiese, o goleiro do Bremen ainda era o herói do jogo vez ou outra, até que fez uma besteira.

"Simplesmente não entendo", disse Wiese após o jogo, ainda confuso com o gol que entregou à Juventus dois minutos antes do final. "Você segura todos os chutes, e no final comete um erro de principiante. Esse tipo de erro só acontece uma vez na vida". Ele tinha a bola bem segura nas mãos. Emerson, o meio-campo brasileiro que era o jogador adversário mais próximo, viu o goleiro agarrar a bola, e deu meia volta para deixar a área adversária. Foi quando Emerson, que é conhecido como Puma, ouviu um grito do companheiro de equipe Fabio Cannavaro.

"De repente, ouvi Fabio gritando 'Puma, Puma!'. Eu me virei e vi a bola no gramado, chutei-a e, afortunadamente, a jogada deu certo". O gol definiu o jogo, ou, para o pobre Wiese, um homem que lutou duas vezes contra uma séria lesão da coluna, foi o jogo da derrota. A Juventus saiu beneficiada segundo o regulamento do campeonato, após terminar com um saldo total de 4 a 4.

Mesma regra, cenário diferente. O Rangers trouxe 10 mil torcedores de
Glasgow para Villarreal, na Espanha. Os escoceses lideravam depois que Peter Lovenkrands aproveitou um erro do goleiro da equipe da casa, Sebastian Viera. Mas a dupla argentina do Villarreal, Juan Riquelme e Rodolfo Arruabarrena, trabalharam em equipe para fazer o gol de empate em solo espanhol, o que significou um saldo total de 3 a 3, e um triunfo para o Villarreal, que marcou duas vezes em Glasgow.

Uma média de 2,18 gols foi marcada nos jogos da liga francesa durante a
temporada 2004-2005. A média foi de 2,53 gols na Série A italiana, de 2,57 na Premier League inglesa, de 2,58 na Primera Liga espanhola e de 2,91 na Bundesliga alemã, segundo estatísticas divulgadas pela liga francesa.

Michel Hidalgo, o ex-técnico francês, fez três sugestões para reformar a
liga e premiar o futebol ofensivo. As sugestões estão sendo alvo de
discussão e poderão ser testadas na próxima temporada da Ligue 2.

A principal idéia apoiada por Hidalgo é conceder pontos extras por gols
marcados.

A primeira sugestão deixaria a tradicional distribuição de pontos em grande parte intocada, mas um ponto extra seria concedido ao time que abrisse o placar, caso a partida terminasse empatada.

A segunda proposta imita o sistema usado na Liga dos Campeões, e concederia um bônus de um ponto à equipe que marcasse o maior número de gols agregados. Em caso de empate, haveria uma decisão por pênaltis.

Segundo a terceira sugestão, uma vitória por um gol resultaria em apenas
dois pontos, enquanto que uma vitória por pelo menos dois gols daria três
pontos ao time vencedor. Barcelona avança na Liga dos Campeões com uma arremetida de gênio Danilo Fonseca

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