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12/05/2006

Equipe pequena conta prejuízos de um grande acidente

International Herald Tribune
Brad Spurgeon
em Barcelona
Na oficina da equipe Midland MF1 nos treinos em Nürburgring no último fim de semana, com o rugido ensurdecedor dos motores e entre os odores de combustível, borracha quente e outras emissões químicas, os mecânicos e engenheiros realizavam sua coreografia: um polia o nariz do carro, outro a asa traseira, enquanto outros prendiam os canos de escapamento, envolviam os pneus em aquecedores, retiravam a capa do motor ou regulavam a suspensão.

Kerim Okten/EFE - 21.abr.2006 
O piloto português Tiago Monteiro pilota a Midland MF1 em treino para o GP de San Marino

Menos de duas semanas antes, e poucos minutos depois de uma cena semelhante antes do Grande Prêmio de San Marino em Imola, todo esse trabalho se desintegrou na primeira volta, quando o carro número 19 da equipe, dirigido por Christijan Albers, foi atingido por trás e capotou várias vezes. Albers saiu ileso do acidente.

"Foi tudo bem, eu não fiquei realmente impressionado", ele disse em Nürburgring.

Enquanto o espectador médio ficou em suspense com o choque espetacular, esses fatos lhe dão pouco mais que um momento de adrenalina, seguido pelo alívio de que o piloto está salvo. Para a equipe, especialmente uma de baixo orçamento como a MF1, as repercussões podem durar semanas.
A MF1 ainda estará absorvendo os efeitos de Imola depois do Grande Prêmio da Espanha em Barcelona, neste fim de semana.

"Com corridas seguidas e com um teste em Silverstone na semana passada, um teste planejado para Vallelunga na semana depois da Espanha, e depois a corrida de Mônaco, o efeito final do acidente foi que cancelamos o teste na Itália", disse Ian Phillips, diretor comercial da MF1.

Dominic Harlow, principal engenheiro de testes e corridas da equipe, disse que dois terços dos 200 funcionários da MF1 foram afetados. Para os homens da oficina, é claro, a primeira reação foi um choque. O acidente aconteceu tão depressa que Mark Gray, o mecânico número 1 do carro de Albers, nem o viu.

"Eu tinha acabado de voltar do grid", disse Gray. "Estava colocando meu capacete e me concentrando para entrar no modo de pit-stop, quando me virei e vi o carro de cabeça para baixo, e eles começaram a mostrar o 'replay' do acidente. Foi bom para nós que ele saiu sem problemas", ele disse sobre Albers. "Você sempre pode consertar um carro; não pode consertar um piloto."

Seu próximo pensamento foi o trabalho que viria pela frente. Logo depois do acidente o piloto é informado sobre o que aconteceu, para ajudar a determinar se ele cometeu algum erro ou se pode ter havido um problema com uma peça. O diretor de pista coloca as peças do carro num caminhão e as entrega nos boxes, onde a equipe faz uma primeira avaliação dos danos.

"A partir daí falamos imediatamente no telefone com os homens que deverão trabalhar na segunda-feira de manhã, para que eles saibam o que devem esperar", disse Harlow.

O carro é transportado para a fábrica, desmontado e testado para ver o quanto pode ser reutilizado. As peças sofrem testes de esforço. O tubo principal é testado pela forma e resistência.

Novas peças são feitas e o carro é remontado e repintado da noite para o dia, para evitar perder tempo na oficina. A reconstrução do carro de Albers levou quatro dias e meio. A equipe teve sorte. O acidente espetacular não destruiu o chassis.

"Hoje em dia é muito raro perder o chassis, eles são muito reparáveis", disse Phillips, "porque são construídos em duas metades e existem cerca de sete partes diferentes neles, e você pode cortar os pedaços e colocar uma parte nova no lugar".

Mesmo assim, a equipe estimou o custo de substituir e refazer algumas peças e reconstruir o carro em cerca de US$ 373 mil. Só a pintura custa quase US$ 15 mil. Cancelar o teste economizou dinheiro e ajudou a pagar as peças.

Toda equipe sabe que os acidentes fazem parte do jogo. "Você deve permitir que cada piloto tenha um acidente razoavelmente grande durante o ano, e se ele não tiver você vai dizer que não se esforçou o suficiente", disse Phillips.

Quando o carro é destruído durante os treinos de sexta-feira ou sábado, os mecânicos têm um trabalho ainda mais duro. O carro deve ser reconstruído para o dia seguinte. O piloto pode usar o carro de teste, mas não é tão bom quanto seu carro de corrida, e se o motor for trocado ele vai sofrer uma penalidade de reposição no grid.

Albers disse que imediatamente depois de um acidente "a única coisa que passa pela mente é que é ruim para os mecânicos. Porque eles precisam construir um novo chassis, precisam trabalhar mais, e especialmente não é bom para o orçamento porque vai custar dinheiro extra".

Para as equipes que gastam mais, com 700 a mil empregados, como a Toyota -que vende seus motores para a MF1 e tem um orçamento maior-, reconstruir um carro é menos problemático.

"Acho que na verdade a maior coisa que você perde é a confiança no piloto", disse John Howett, presidente da Toyota Motorsport.

Albers discorda: "Eu fico melhor na maioria das vezes, porque então sei onde está o limite". As equipes também tentam ver o lado bom de um acidente: embora os carros de Fórmula 1 devam passar por testes de choques, Ron Fine, o porta-voz da MF1, disse que as equipes usam choques reais como "testes ao vivo" e uma oportunidade para melhorar a segurança para o próximo acidente. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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