UOL Notícias Internacional
 

28/10/2006

Cautela acompanha fadiga da expansão

International Herald Tribune
Dan Bilefsky
Bruxelas
A União Européia "não está pronta" para convidar a Ucrânia a unir-se ao bloco. Isso frustra as esperanças do presidente Viktor Yuschenko, que vinha fazendo pressão para que as negociações de associação fossem iniciadas em 2008.

Em uma reunião de cúpula da Ucrânia com a UE em Helsinki, Finlândia, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, disse que a Ucrânia não tinha concluído suficientes reformas políticas e econômicas para se candidatar à UE. "A Ucrânia não está pronta, e nós não estamos prontos", disse ele.

Barroso acrescentou, em uma conferência com a imprensa conjunta com Yushchenko, que seus comentários não devem ser entendidos como um "sinal negativo" para a Ucrânia, mas sim estimular o país a avançar em suas difíceis reformas.

O tom cauteloso de Barroso surge com a fadiga da expansão européia, depois de sua ampliação em maio de 2004, quando se tornou um bloco de 25 países com 470 milhões de pessoas.

A Ucrânia está cada vez mais frustrada com a recusa de Bruxelas em oferecer sua associação. Ainda assim, muitos países europeus temem que a entrada de outro grande país como a Ucrânia, com cerca de 47 milhões de habitantes, ia prejudicar a eficácia do bloco. Os dois lados, entretanto, concordaram em começar negociações no próximo ano para um segundo acordo de cooperação econômica e política, de forma a aprofundar a cooperação comercial, diplomática, jurídica e ecológica.

Eles também assinaram um acordo para facilitar os requerimentos de visto para ucranianos que queiram trabalhar na UE e a repatriação de imigrantes ilegais para a Ucrânia. Kiev eliminou os requerimentos de visto para cidadãos europeus em 2005. Yuschenko saudou o acordo para simplificar os procedimentos de entrega de vistos de curta temporada da UE para cidadãos ucranianos com o objetivo de emitir esses vistos em menos de 10 dias. "Esse documento será sentido por todo ucraniano", disse ele.

Autoridades da UE disseram que também conseguiram garantias da Ucrânia quanto à segurança das fontes de energia do bloco. As nações da UE ficaram alarmadas no inverno passado quando uma guerra de preços entre a Ucrânia e a Rússia resultou em corte temporário de parte do fornecimento de gás vindo via Ucrânia para a UE. Barroso disse que o acordo de preços deste mês entre a Rússia e a Ucrânia significava que o fornecimento de energia da UE estava garantido, ao menos por este ano.

A UE também defendeu a proposta da Ucrânia de entrar para a Organização Mundial de Comércio, um pré-requisito para o acordo de maior comércio livre com a UE. Mas também pediu a Kiev que reprimisse a corrupção e melhorasse a estabilidade política. Quatro ministros do partido de Yuschenko renunciaram na semana passada, depois da interrupção das negociações de coalizão com o primeiro-ministro Viktor Yanukovich, que é mais próximo à Rússia do que o presidente.

O presidente e o primeiro-ministro também discordaram sobre a possibilidade da entrada da Ucrânia para a Otan, sobre a qual Yanukovich continua céptico.

Líderes empresariais ucranianos advertiram que a abordagem da UE pode agravar a desconfiança na Ucrânia, onde os que são a favor da entrada na União caíram de 51% em 2004 para 41% em 2005. Oleksandr Kharchenko, porta-voz da Interpipe, uma grande produtora ucraniana de tubos de aço e rodas de trem, disse que a UE estava instituindo barreiras comerciais excessivas com a Ucrânia. "O protecionismo comercial da UE em relação à Ucrânia apenas prejudica a imagem que os ucranianos têm da UE e sua vontade de criar laços mais fortes", disse ele. Deborah Weinberg

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