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07/11/2006
Como a rede de televisão Al Jazira poderia melhorar de qualidade

Mohamed Elmenshawy*
em Washington


Na semana passada, a rede de notícias em língua árabe por satélite Al Jazira comemorou o seu décimo aniversário. Nos anos que se seguiram à primeira transmissão do canal, em 1º de novembro de 1996, a Al Jazira se transformou em um divulgador popular de notícias que nenhum governo ou formador de opinião pode se dar ao luxo de ignorar. A rede, cuja sede fica em Qatar, foi criada como fórum local de livre expressão e debates polêmicos após décadas de controle governamental sobre a mídia da região.

É claro que o enorme sucesso da Al Jazira, que é propriedade da família real de Qatar, foi cercado de muitas controvérsias. Os críticos no Ocidente, e especialmente nos Estados Unidos, chamaram esse estilo jornalístico agressivo de tendencioso e favorável às causas árabes. Autoridades graduadas do governo Bush rotularam a cobertura da estação de inflamatória e enganosa. A Al Jazira também agitou vários dos membros das elites dos governos árabes.

Apesar da (e talvez por causa da) sua cobertura polêmica, o sucesso da Al Jazira se transformou em um vigoroso veículo para mudanças no mundo árabe, exercendo considerável pressão sobre líderes autocráticos. Os seus jornalistas foram banidos do Iraque, do Irã e da Arábia Saudita.

E, mais recentemente, o governo da Tunísia chamou de volta o seu embaixador em Qatar, como protesto pela transmissão de uma entrevista com uma figura da oposição tunisiana.

Anti-ocidental ou não, a Al Jazira garantiu um lugar na primeira fila na arena da mídia internacional, próxima à CNN e à BBC. Se existe um canal capaz de modelar as opiniões e as perspectivas das audiências árabes, esse canal é a Al Jazira. Resumindo, a Al Jazira fez o seu trabalho, e o fez bem. Para uma estação de notícias ainda jovem, de tal magnitude e influência, as expectativas são altas. E apesar do respeito que muitos observadores têm pelos corajosos jornalistas da Al Jazira, um respeito que eu também sinto, essas crescentes expectativas ainda precisam ser atendidas.

Uma ilustração disso é o fato de a cobertura dos Estados Unidos pela Al Jazira ainda não ter oferecido aos telespectadores um quadro completo da sociedade norte-americana. Desde 11 de setembro de 2001, o interesse nos Estados Unidos aumentou notavelmente no mundo árabe, e nem um só veículo da mídia árabe satisfez a essa demanda. Todo mundo faz reportagens sobre os Estados Unidos superpotência, mas ninguém transmite nada a respeito dos Estados Unidos enquanto sociedade complexa, diversa e democrática.

Decisões que afetam a vida diária no mundo árabe são tomadas em Washington, mas a política e a dinâmica que modela tais decisões estão centradas em outras regiões dos Estados Unidos. Somente os jornalistas da Al Jazira contam com as qualificações, as capacidades e a credibilidade para preencher esta lacuna. A estação deveria transmitir um programa focado na vida fora da capital dos Estados Unidos a fim de proporcionar aos telespectadores um entendimento mais variado sobre a essência desse país. A mídia norte-americana e de outros países ocidentais não tiveram um melhor desempenho na cobertura das principais sociedades árabes, mas isso não deve impedir a Al Jazira de atingir o seu próximo nível de excelência.

A Al Jazira precisa também se auto-transformar, saindo da condição de fórum dominado por grupos islâmicos como a Irmandade Islâmica, e tornando-se uma plataforma que seja igualmente acessível a vozes políticas, sejam elas islamitas, esquerdistas, nacionalistas ou liberais. Uma grande parcela da programação foi dedicada no passado a pensadores e líderes islâmicos como o xeque Yusuf al-Qaradawi, sem que houvesse perspectivas equilibradoras encarnadas em vozes de oposição.

A Al Jazira também poderia melhorar caso acrescentasse alguma cobertura local à sua programação. A estação perderá telespectadores para canais voltados para o público interno, como a rede Dream TV, no Egito, ou a LBC e a Al Manar, no Líbano, caso persista em se concentrar em questões regionais como o Iraque e o conflito árabe-israelense, em detrimento de outras questões locais importantes. Por exemplo, a Al Jazira não empregou o seu estilo ousado pelo qual é conhecida na sua cobertura dos recentes casos de ataques sexuais no Cairo. A Dream Television manifestou muito mais disposição em explorar a história.

Finalmente, os repórteres e âncoras da Al Jazira deveriam minimizar a quantidade de tempo dedicada a suas próprias opiniões, e focarem-se mais na narração das histórias. Para fazer isso, a Al Jazira precisa se distanciar do seu principal financiador, o emir de Qatar, e se concentrar na apresentação de notícias sobre política , e não no engajamento político.

No momento que a Al Jazira se prepara para mais um ano de criação incansável de polêmica, a sua equipe não pode perder de vista as expectativas do telespectador árabe, e a necessidade de concatenar a qualidade das suas reportagens com o nível de controvérsia que estas geram.

*Mohamed Elmenshawy é o editor do "Taqrir Washington", um serviço de informações e notícias em língua árabe patrocinado pelo Instituto de Segurança Mundial

Tradução: Danilo Fonseca

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