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30/12/2006

Mercados emergentes: além da "Chíndia"

International Herald Tribune
Conrad de Aenlle
O ano que se encerra foi excelente para as ações de empresas dos mercados emergentes. Ganhos de 40% a 60% em índices de países em desenvolvimento foram quase que uma rotina. No entanto, essa valorização nem sempre foi merecida.

Os portfolio managers especializados nesses mercados não estão reclamando, mas eles não fingem acreditar que os retornos financeiros em velhos favoritos como Argentina e Rússia, e em novos destaques como China e Índia, foram inteiramente justificados por princípios econômicos e corporativos. Eles dizem que estão tendo dificuldades para encontrar investimentos sólidos nos mercados que acusaram os maiores ganhos, e advertem que comprar neste momento pode não ser uma boa coisa.

Mas eles também observam que há um universo enorme aberto para os negócios. Se um trem já tiver deixado a estação, sempre é possível embarcar em um outro que ruma para um local onde haja menos gente.

"Está difícil encontrar valores", diz Hugh Young, diretor de títulos de capital da Aberdeen Asset Management, em Cingapura. "Os mercados que neste ano tiveram desempenho medíocre são os locais mais óbvios para se fazer uma busca por bons rendimentos no ano que vem".

A maior parte das ações que Young assinalou está na Ásia, incluindo as da Bumiputra-Commerce Holdings, uma companhia bancária da Malásia; a Siam Cement, na Tailândia; e duas indústrias sul-coreanas, a Hyundai Motor e a fabricante de semicondutores Samsung Electronics.

Duas das escolhas em Cingapura são a companhia de serviços financeiros OCBC Group e a Jardine Strategic, uma companhia de holding que atua nas áreas de comércio varejista, moradia e imóveis. Entre as ações preferidas de Young na América Latina estão a grande empresa brasileira do setor de energia, a Petróleo Brasileiro, conhecida como Petrobras; o Banco Santander, do Chile; e a Soriana, uma rede de comércio varejista mexicana.

Alguns investidores na América Latina estão se mantendo fiéis a mercados que apresentaram bom desempenho neste ano. Geoffrey Dennis, que acompanha a região como analista do Citigroup, prevê um quinto ano consecutivo de ganhos, liderado pelo Brasil e pelo Chile. "Existe um grande risco de correção de primeiro trimestre nos mercados regionais, tendo em vista o sentimento de euforia", escreveu ele em uma nota aos investidores. "Qualquer correção do gênero se constituiria em uma oportunidade de compra no longo prazo". Empresas cujas ações interessam ao Citibank incluem a chilena Enersis, a Telefonos de Mexico, a Soriana e uma fabricante brasileira de papel, a Aracruz Celulose. A Petrobrás tem uma classificação "neutra" quanto ao interesse gerado.

Os mercados latino-americanos apresentaram retornos uniformemente robustos neste ano. Na Ásia foi um caso de fartura ou fome. Mas como todo mercado importante na região experimentou um bom ano, a situação poderia ser mais bem definida como uma dicotomia entre fartura ou a ausência de uma segunda sobremesa.

Mark Hadley, presidente do Matthews International Capital Management em São Francisco, expressou fascínio e desdém por aquilo que chamou de "tendência Chíndia", ou o crescimento ilimitado previsto para a China e a Índia. "As pessoas se apaixonam por noções conceituais sem entenderem a realidade dos bens que possuem", disse ele.

Headley prefere os mercados que outros estão desprezando, como a Tailândia, onde o índice principal caiu quase 15% em um dia neste mês, depois que as autoridades impuseram controles de capital em resposta a fluxos especulativos de moeda. Uma holding tailandesa mencionada por ele é a Advanced Info Services, uma provedora de serviços de telefonia celular que é mais desejável pela sua relação preços/rendimentos de pouco mais de 10% e dividendos de 7,5%. Outras escolhas incluem o Bank Rakyat Indonesia, provedor de micro-empréstimos, e a S1, uma companhia sul-coreana de segurança de computadores.

Quando se trata de mercados emergentes, o destino pode ser menos importante que o meio de transporte. Alguns assessores de investimentos procuram companhias que tenham um pé no mundo desenvolvido e o outro nas economias emergentes, onde as companhias realizam uma porção significativa das suas vendas e muitas vezes obtém uma fração ainda maior dos seus lucros.

Três companhias européias que Thomas Mengel - gerente do Ivy International Value Fund - aprecia devido ao acesso que proporcionam aos mercados emergentes são a fabricante suíça de cimento Holcim, a fabricante de relógios, também suíça, Swatch, e o conglomerado francês especializado em artigos de luxo LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton.

Jim Huguet, presidente da Great Companies Funds, uma empresa de gerenciamento de fundos com sede na Flórida, aplica a mesma idéia às companhias dos Estados Unidos. Ele observa que vários fornecedores de bens de consumo básico operam nos mercados em desenvolvimento, como por exemplo a Colgate-Palmolive, a Coca-Cola e a Procter & Gamble.

Duas outras ações de destaque que segundo Huguet poderiam se beneficiar dos negócios nas economias emergentes estão no setor de serviços financeiros. Segundo ele, a seguradora American International Group está avançando na China, e o Citigroup se expande lá e na Índia. Mas Headley recomendou cautela. "Muito dinheiro foi injetado nesses mercados por diversos novos participantes", disse ele. "Aquele é um ambiente no qual presenciaremos a ocorrência de pequenas bolhas. É muito dinheiro circulando em um ritmo muito rápido".

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