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13/02/2007
Comércio é visto como culpado pela gripe aviária neste ano

Elisabeth Rosenthal
Em Roma


Grande parte dos surtos esparsos de gripe aviária até o momento neste ano podem provavelmente ser atribuídos ao comércio ilegal ou impróprio de aves, acreditam os cientistas. Isto provavelmente inclui os recentes surtos na Nigéria e no Egito assim como o grande surto em uma fazenda de criação de perus na Inglaterra.

No inverno do ano passado, as aves migratórias selvagens foram consideradas as principais culpadas pelos casos de gripe aviária que surgiram na Europa e África. Cisnes e patos mortos foram encontrados em muitos países, incluindo Áustria, França e Itália.

"Muitos de nós subestimaram o papel do comércio no início", disse Samuel Jutzi, diretor de Produção e Saúde Animal da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), em Roma. "O vírus está se comportando de forma bem diferente do que no ano passado -é bastante enigmático."

Até o momento nesta estação, nenhum surto foi atribuído a aves selvagens e nenhuma ave selvagem infectada foi detectada na Europa ou na África, apesar do sistema de alta vigilância concebido após a crise do ano passado.

Em grande parte do mundo, ocorreram bem menos surtos em comparação ao período semelhante em 2006. Na Europa, ocorreu apenas um na Hungria, em janeiro, e outro neste mês em uma fazenda de criação de perus em Suffolk, Inglaterra.

Apesar de não terem chegado a uma conclusão final, os investigadores da FAO e do governo britânico suspeitam que o comércio pode ter causado tais surtos.

A grande fazenda de criação de aves que foi alvo do surto em Suffolk é de propriedade de uma empresa, a Bernard Matthews, que também cria aves na Hungria, disse uma porta-voz do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais britânico, que está investigando o surto, na segunda-feira. Carne parcialmente processada foi rotineiramente enviada da fazenda húngara da empresa para a de Suffolk para processamento final.

Apesar do vírus da gripe aviária ser morto no cozimento, ele sobrevive na carne crua e tais carregamentos podem tê-lo enviado para a Inglaterra e para a propriedade. Ele pode ter sido transportado da instalação de processamento até a área de criação pelos calçados dos funcionários ou por equipamento da fazenda.

Na África e na Ásia, vários países despontaram nesta temporada como locais problemáticos de gripe aviária, com casos constantes em aves e alguns de transmissão para seres humanos: a Indonésia (na Ásia) e Egito e Nigéria (na África). O comércio pode ter tido um papel também nestes países, disseram as autoridades. "Ainda resta algo a fazer nestes três lugares", disse Jutzi. "Na maioria dos locais onde vimos casos neste ano -como Coréia do Sul, Reino Unido, Tailândia, Vietnã- a doença ressurgiu como esperávamos que ocorreria de tempos em tempos, mas estamos confiantes de que está sob controle."

Não ocorreram mortes de serem humanos na Europa por gripe aviária, mas os cientistas estão preocupados com a possibilidade de o vírus sofrer uma mutação que o deixaria mais propenso a infectar seres humanos, provocando uma pandemia mundial.

Em todo mundo, foram registradas 272 pessoas que contraíram a gripe aviária e quase todas tiveram contato próximo com aves doentes. Uma equipe da ONU concluiu nesta semana que uma garota de 16 anos, que morreu no mês passado em Lagos, era uma vítima típica. Apesar de sua família viver na cidade e geralmente comprar carne de ave no supermercado, sua família comprou duas aves vivas em uma feira livre pouco antes do Natal. Uma morreu a caminho de casa e a garota ajudou a depenar e preparar a carcaça.

Apesar de presumirem que a gripe da aviária estava sob controle na Nigéria no final do ano passado, "ocorreu uma recrudescência nos últimos meses", disse Tony Forman, um cientista da equipe da ONU. "Costumava ocorrer nas grandes granjas, mas agora estamos vendo em pequenas granjas e em aves de fundo de quintal."

Forman disse que há "boa evidência circunstancial" de que importação ilegal de aves e transporte foram responsáveis pelos problemas de gripe aviária no Egito e na Nigéria, particularmente de ovos e frangos. Tal comércio é muito difícil de rastrear e controlar, principalmente devido ao volume. "O setor avícola é o mais globalizado na agricultura", disse Jutzi. "Há um movimento incrível de frangos e outros produtos."

Os cientistas não sabem dizer por que as aves selvagens não foram implicadas na disseminação da gripe aviária neste ano, apesar de especularem que pode ter algo a ver com o clima mais quente. No ano passado, o tempo extremamente frio em áreas da Ásia Central onde a gripe aviária é endêmica pode ter forçado aves como cisnes, que normalmente não migram para muito longe, a viajarem distâncias maiores cruzando a Europa.


Tradução: George El Khouri Andolfato

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