O ciclo se desenrola cada vez mais rápido para os jogadores argentinos

Rob Hughes

Quase que semanalmente nasce um novo astro do futebol argentino. Em idades cada vez menores eles se mudam para a Europa - e suas carreiras avançam em velocidade incrível do sucesso ao fracasso no exterior e uma tentativa de repatriação. A história argentina desta semana vai de Juan Román Riquelme, um dos mais talentosos jogadores do planeta, a Laureano Ludueña, de quem você pode não ter ouvido falar, ainda.

EFE 
A jornada de Juan Riquelme ainda não acabou, ele continua a encantar com seus passes

Riquelme, 28 anos, está tentando novamente com seu clube de infância, o Boca Juniors, e emprestará seus talentos para a equipe nesta quinta-feira (29), em um jogo pela Copa Libertadores.

Enquanto isso, Ludueña reúne os vídeos dos cerca de 160 gols que marcou em 75 partidas oficiais e se prepara para voar com sua família para a Espanha, onde o Barcelona, Real Madrid e Espanyol estão entre os pretendentes de seu futebol. O garoto tem apenas 11 anos de idade.

Os caminhos de Riquelme e Ludueña definem a esperança, sonho e a natureza caprichosa da caça global por talentos. A precocidade de um garoto não é mais vendida apenas por empresários; seus próprios pais podem colocar imagens no YouTube e deixar os grandes gastadores oferecerem lances diretamente para a casa da família.

Eles podem deixar de fora os intermediários, contornar os clubes locais e irem diretamente à Europa se desejarem. Lionel Messi, o ponta adolescente do Barcelona, se mudou da Argentina para a Espanha com sua família quando tinha 13 anos e era bem menor do que é atualmente.

Messi precisava de um tratamento para deficiência de hormônio de crescimento - e o Barcelona estava disposto a pagar a conta médica e mudar a família para o outro lado do Atlântico pelo direito de desenvolver seu precioso talento. Até o momento, ambos os lados estão desfrutando dos frutos da barganha.

Riquelme também passou pelo Barcelona e por outro clube espanhol, o Villarreal, sem estabelecer um lar permanente para seu brilhantismo inquestionável. Ele agradou aos olhos na Copa do Mundo do ano passado, até as quartas-de-final, quando a Argentina enfrentou a Alemanha e perdeu na disputa por pênaltis. Seu toque e visão, sua capacidade de fazer crescer o talento de seus companheiros de equipe, foi o grande destaque da Copa.

Mas evaporou contra a força física alemã. Infelizmente, José Pekerman, o sensível técnico argentino que formou sua equipe com base na interação entre criadores instintivos como Riquelme e Javier Saviola, perdeu sua coragem.

Ele deixou Saviola de fora e substituiu Riquelme. O debate ainda continua sobre se eles estavam cansados ou se o técnico perdeu a crença de que as virtudes do passe e da movimentação poderiam ser mantidas contra uma força atlética superior.

Pekerman fracassou e renunciou e ainda não voltou a treinar uma equipe. Riquelme, seu principal jogador, foi nomeado capitão do primeiro jogo internacional sob o novo técnico, Alfio Basile, mas logo depois declarou que os críticos estavam causando tanta aflição à sua mãe que ela teve que ser hospitalizada duas vezes.

Assim, Riquelme encerrou sua carreira na seleção nacional. Ela começou, sob Pekerman, com o triunfo tanto no torneio sul-americano quanto no mundial juvenis em 1997, quando Riquelme tinha 19 anos. E acabou em setembro passado.

Assistir Riquelme, mesmo no auge de sua forma, sempre desafia os sentidos. Seu rosto parece tão resoluto, tão solene, tão carregado, mas olhando abaixo do pescoço, a atuação contradiz a expressão. Ele cria de forma tão artística e solta que exige que os outros entrem em sintonia com ele para usufruírem de seus passes.

"Se fôssemos viajar de A a B, a maioria de nós tomaria a estrada de seis pistas para chegar o mais rapidamente possível", disse Jorge Valdano, antes companheiro de Diego Maradona na seleção argentina. "Riquelme escolheria a estrada sinuosa pela montanha, a rota com vista que leva seis horas em vez de duas." Ele desacelera o jogo para destruir você com um momento de surpresa, era como via Arsène Wenger, o técnico do Arsenal.

Isto não deve ser lido no passado. A jornada de Riquelme iniciada na infância pobre ainda não acabou. No último fim de semana, ele deu o passe para dois gols na vitória por 3 a 1 do Boca Juniors sobre um rival de Buenos Aires, o Independiente, pelo campeonato argentino.

Na quinta-feira, como um reflexo dos problemas na Argentina, o Boca jogará sua partida em casa contra o Cienciano do Peru em outro estádio de Buenos Aires. Seu próprio estádio, La Bombonera, está fechado devido à contínua violência dos torcedores.

Mas em meio ao público, mesmo que apenas pela televisão, o jovem Ludueña sem dúvida assistirá e pensará que ele, em breve, poderá ocupar o espaço de Riquelme e conquistar sua fama.

Os treinadores que cuidaram de Riquelme em La Bombonera queriam, é claro, o garoto Ludueña, mas ele torce por outro clube de Buenos Aires, o River Plate. "Eu fiz um treinamento no Boca e me saí bem", o jovem foi citado pelos jornais argentinos como tendo dito. "Eles queriam que eu assinasse, mas eu queria jogar no River."

Agora o horizonte está ampliando. A família Ludueña está fazendo as malas para uma visita de 15 dias à Espanha. O menino mostrará seu talento para os clubes de lá e depois, segundo disse seu pai, Walter, eles voltarão para casa, para a província de Córboba na Argentina, para decidir qual será o futuro. "Eu estou calmo", disse o jovem precoce. "Eu estou treinando e jogando um pouco para chegar na Espanha na melhor forma."

Seus simpatizantes poderiam lembrar de Riquelme e alertar que a estrada nem sempre é tão reta quanto parece. Uma explicação para os traços tristes de Riquelme é que assim que chegou a Barcelona, após o Boca tê-lo vendido por US$ 18 milhões em 2002, seu irmão Cristián foi seqüestrado em Buenos Aires.

Riquelme pagou o resgate. As preocupações de sua mãe começaram. E mesmo em campo não havia liberdade: Louis van Gaal, o treinador do Barcelona na época, o chamou de uma "contratação política" pelos dirigentes do clube e o tratou como um membro periférico de sua equipe. O Villarreal o pegou por empréstimo e agora, por sua vez, o emprestou ao Boca. Um círculo completo e ligeiramente melancólico. George El Khouri Andolfato

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