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09/03/2007
Nações da UE estão em desacordo quanto às políticas para conter o aquecimento global

Dan Bilefsky
em Bruxelas


Divisões sobre como combater o aquecimento global ameaçaram nesta quinta-feira (8/3) uma reunião de cúpula cujo objetivo era tornar a União Européia líder mundial na batalha contra a mudança climática.

Espera-se que os líderes da UE aprovem planos de cortar emissões de gases estufa em 20% até 2020, como parte de um esforço para reduzir a dependência do bloco de importações de petróleo e gás. Mas os governos dos 27 países membros estão em desacordo sobre outras questões, que vão desde se as metas de energia renovável devem ser obrigatórias até se a energia nuclear deve ser apoiada como alternativa.

Antes da reunião, a chanceler Angela Merkel da Alemanha, cujo país está na presidência rotatória da União, disse que usar mais recursos renováveis era uma questão de urgência. "Não são cinco minutos para meia-noite", disse ela, "são cinco minutos depois da meia-noite." A chanceler disse que planejava promover a questão quando a Alemanha abrigar uma reunião de cúpula do G-8 em junho, que incluirá EUA, Japão e Rússia. O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, acrescentou que os governos de Washington a Moscou e Pequim estavam observando os eventos em Bruxelas.

Tanto ele quanto Merkel disseram ter esperanças de que as metas ambientais ambiciosas da União Européia ajudassem a gerar ação similar dos maiores poluidores do mundo, como China, Índia e EUA. Mas a ameaça de aquecimento global pode não ser suficiente para unificar as políticas de energia fragmentadas da Europa. Os países da UE, na quinta-feira à noite, estavam tendo dificuldades em concordar com as propostas alemãs de metas obrigatórias de gerar 20% da energia de fontes renováveis como sol e vento até 2020.

Ao menos uma dúzia de países, inclusive Polônia, República Tcheca e França, expressaram oposição a tais metas, dizendo que não são realistas e podem se provar caras demais. Países como Espanha e Dinamarca construíram fazendas eólicas de geração de energia, mas economias do ex-bloco soviético dependem de carvão barato e estão resistindo a investimentos novos e custosos. "Esse plano não é realizável", disse Lech Kaczynksi, presidente da Polônia, onde mais de 90% da energia usada para o aquecimento é gerada a partir do carvão. "Se tivermos uma abordagem mais flexível, poderemos alcançar um acordo."

Outros países que foram do Leste comunista compararam as metas obrigatórias aos planos de cinco anos dos tempos soviéticos. Outra dificuldade para o acordo é o esforço de países como a França para que a UE classifique a energia renovável como alternativas sem carbono, como a energia atômica. Esse movimento encontrou forte resistência da Áustria, Dinamarca e Irlanda, onde a energia nuclear é vista com profunda suspeita.

Enquanto a França alega que fatores como o crescimento vertiginoso das necessidades de energia, a mudança climática e os temores de interrupções de fornecimento de energia tornam o uso de energia nuclear mais vital do que nunca, cépticos rebatem que é caro e perigoso demais.

Alguns líderes empresariais europeus temem que metas ambientais abertamente ambiciosas minem a competitividade econômica européia. Esse argumento tem fortes ecos nos EUA, que se recusou a ratificar o Protocolo de Kyoto alegando que prejudicaria o crescimento econômico e daria à Índia e à China uma vantagem injusta. Até a Alemanha, que está liderando o movimento para cortar as emissões de gás de efeito estufa, reluta em tratar de sua indústria de automóveis, que está entre as piores poluidoras da Europa em emissões de dióxido de carbono.

Ernest-Antoine Seilliëre, diretor do lobby empresarial pan-europeu BusinessEurope, disse na quinta-feira que as metas renováveis obrigatórias tinham custos desconhecidos e potencialmente enormes que poderiam prejudicar a indústria européia. "Ninguém tem a menor idéia, a mais vaga idéia de quais são os custos, sociais ou financeiros", disse ele.

Ambientalistas, enquanto isso, reclamaram que as ambições elevadas da UE de combater o aquecimento global não terão sucesso se não forem equiparadas pelos EUA. A UE produz cerca de 14% das emissões de gases de efeito estufa do mundo, enquanto os EUA produzem mais de 25%.

Enquanto isso, o bloco está estudando como liberalizar seus mercados de eletricidade e gás. A Comissão Européia propôs que grandes empresas de energia fossem forçadas a vender ou separar suas operações de geração e redes de distribuição. Mas a França e a Alemanha querem permitir a propriedade de redes e geradores.

A energia não foi o único tópico divisório da reunião de cúpula. Os líderes da UE também estão em desalinho sobre o texto da declaração que será divulgada em Berlim nos dias 24 e 25 de março, para marcar o 50º aniversário da fundação da UE. A declaração não envolve compromissos obrigatórios, é totalmente simbólica e não tem força legislativa. Mas os países não conseguem concordar com o conteúdo do texto, que deveria unificar o continente, mas ameaça dividi-lo.

Merkel vem pressionando para que a Declaração de Berlim seja breve -três páginas no máximo- e inclua uma mensagem direta, de fácil compreensão, ressaltando as conquistas do bloco durante a última metade do século. Mas o Reino Unido insiste que não deve fazer qualquer referência à constituição problemática da UE, que foi rejeitada pela França e pela Holanda e enfrenta profundo ceticismo de muitos britânicos.

Funcionários da UE disseram que isso poderia forçar os redatores da declaração a cortarem a palavra "constituição" e optarem pelo termo menos elegante, "estabelecimento institucional", em vez disso. A Polônia insistiu que a Declaração de Berlim deve citar o sofrimento do bloco Oriental da UE sob o comunismo, enquanto outros querem uma referência aos valores cristãos da Europa - uma medida que poderia irritar a grande minoria muçulmana da Europa assim como a Turquia, que aspira a unir-se à União.

Enquanto isso, Barroso quer que o documento para homenageie o sucesso do euro, a moeda única da UE, enquanto as pesquisas mostram que a maioria dos alemães quer a volta do marco alemão e a maior parte dos países que entraram mais tarde na UE adiaram a mudança para o euro por vários anos. "O risco é que essa declaração se torne outro documento tecnocrata chato da UE, que satisfaz aos políticos europeus em Bruxelas, mas não consegue atingir os próprios cidadãos da UE que deve inspirar", disse uma alta autoridade da UE próxima ao processo.

Tradução: Deborah Weinberg

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