Candidatos franceses fazem últimas declarações

Katrin Bennhold*
Em Toulouse

Os quatro principais candidatos à presidência francesa realizaram seus últimos grandes comícios de campanha nas vésperas da eleição mais disputada no país em muitas décadas. Na cidade de Toulouse, sudoeste, a candidata socialista, Ségolène Royal, falou para cerca de 17 mil seguidores na quinta-feira, três dias antes do primeiro turno, prometendo implantar um socialismo do século 21 e exortando os eleitores a colocá-la na disputa.

Reuters 

Ela pediu uma "mobilização maciça" para evitar que se repita a humilhação sofrida pelo partido em 2002, quando os socialistas foram eliminados no primeiro turno por Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, de extrema-direita. Atacando seu principal adversário, Nicolas Sarkozy, ela declarou sob aplausos: "Não vamos nos ajoelhar diante de George Bush", acrescentando que "na Europa vamos defender a emergência de um mundo multipolar". Sem citar Sarkozy, ela disse: "O programa dele é ele, o meu programa é vocês".

Sarkozy, o candidato conservador que lidera as pesquisas, escolheu a cidade portuária de Marselha, no sul, para seu último grande discurso, para uma multidão de cerca de 20 mil pessoas. O ex-ministro do Interior, da União para um Movimento Popular (UMP), vem liderando as pesquisas de opinião há meses. Seu discurso repetiu os temas da segurança e dos valores tradicionais que marcaram sua campanha.

"O importante para mim é falar para a França com quem ninguém falou. A França que não queima carros e não bloqueia trens, a França que não tem opções de ações nem pára-quedas de ouro e que trabalha duro." Apelando aos eleitores de extrema-direita, ele declarou: "Quero convencer os eleitores de Jean-Marie Le Pen a voltar para o reino da República, porque juntos vamos mudar as coisas".

Nos últimos dias da campanha, Royal martelou sua mensagem de que ela é a melhor equipada para mudar a França. Royal reuniu-se com seis líderes sindicais representantes dos trabalhadores da Airbus na quinta-feira, quando chegou a Toulouse, sede da problemática indústria aeronáutica francesa. Ela repetiu promessas de suspender as milhares de demissões esperadas na fábrica de aviões em dificuldades e a rever a estrutura administrativa de sua companhia matriz, a EADS, caso seja eleita.

O primeiro-ministro da Espanha, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, participou do comício em Toulouse. Enquanto Royal registrou alguns ganhos nas pesquisas nos últimos dias, Sarkozy estava tão certo de uma vitória no primeiro turno que começou a montar os alicerces para a próxima etapa.

A principal preocupação de Sarkozy parece não ser Royal, mas François Bayrou, um centralista cuja ascensão inesperada nas pesquisas desestabilizou a habitual divisão entre esquerda e direita na França. Apesar de Bayrou aparecer em terceiro nas pesquisas, alguns estudos prevêem que se ele chegar ao segundo turno poderá derrotar Sarkozy ou Royal.

Na quarta-feira ele atraiu 17 mil seguidores à principal arena esportiva de Paris. Em seu comício em Pau, sudoeste do país, um Bayrou combativo criticou o jornal "Le Monde" por causa de um editorial de primeira página na quinta-feira pedindo que os eleitores votem em Sarkozy ou Royal, para que haja uma clara escolha entre esquerda e direita no segundo turno em 6 de maio. O líder da Frente Nacional, Le Pen, afirma que chegará ao segundo turno apesar de as pesquisas indicarem que isso é improvável.

*Contribuíram Meg Bortin, de Pau, e Maia de la Baume, de Marselha Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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