Candidatos na França se preparam para debate chave

Katrin Bennhold e Elaine Sciolino
Em Paris

Enquanto a campanha presidencial francesa entra em sua semana final, os dois candidatos atacaram um ao outro no domingo sobre políticas que deverão ser o foco de um debate crucial, que será exibido pela televisão para todo o país nesta quarta-feira (3/5).

AFP 

Nicolas Sarkozy, o gaullista cuja vantagem nas pesquisas de opinião diminuiu nos últimos dias, acusou sua rival socialista, Ségolène Royal, de fazer falsas promessas e de propor políticas que resultariam em declínio econômico.

"Eu digo para a esquerda, eu desejo reabilitar o trabalho e o valor do trabalho", disse Sarkozy para 40 mil simpatizantes em um comício em uma arena esportiva em Paris. "Você não pode dizer que é a favor do valor do trabalho e ao mesmo tempo encorajar pagamentos do bem-estar social e uma semana de 35 horas."

Horas antes, em uma entrevista na televisão, Royal disse que uma presidência de Sarkozy polarizaria o país com reformas "brutais". "A França merece mais do que um tipo de guerra civil", disse Royal no "Canal Plus".

Os candidatos afiaram seus ataques enquanto se preparavam para um debate ao vivo de duas horas pela televisão, que será transmitido na quarta-feira pelos dois principais canais de televisão. Tanto Royal quanto Sarkozy disseram no domingo estarem cientes do peso de um evento que tem o potencial de mudar a opinião pública dias antes da votação.

"É difícil, porque acho que há 200 pesquisas dizendo que Nicolas Sarkozy vencerá", disse Royal no "Canal Plus", acrescentando que ela está se preparando estudando debates anteriores. Sarkozy comparou o debate a subir os Alpes na Volta da França, o trecho mais difícil da competição de ciclismo.

A mais recente pesquisa de opinião ainda dá a Sarkozy uma vantagem sobre Royal, mas a diferença parece estar encolhendo. Segundo uma pesquisa da Ifop, publicada no domingo no "Journal du Dimanche", 52% dos eleitores apóiam Sarkozy e 48% apóiam Royal. Há uma semana, o candidato gaullista tinha uma vantagem de oito pontos percentuais na mesma pesquisa.

Ambos os candidatos também buscaram cortejar agressivamente as 6,8 milhões de pessoas que votaram no centrista François Bayrou no primeiro turno da eleição. Entrevistado separadamente pelo "Canal Plus", Sarkozy destacou as semelhanças entre sua plataforma econômica e a da Bayrou. Ele disse que assim como o centrista e diferente de Royal, ele deseja reduzir a dívida pública e reformar o sistema previdenciário do governo. Os dois homens, ele disse, concordam em um relaxamento da semana de trabalho de 35 horas, em vez de estendê-la a mais empresas, como propôs Royal.

Os membros do partido de Bayrou teriam um lugar em seu governo, disse Sarkozy. "Nós poderíamos trabalhar perfeitamente juntos, poderíamos governar perfeitamente juntos", disse o ex-ministro do Interior. "François Bayrou não pode conduzir sua família política a uma aliança com a extrema esquerda."

Royal foi mais longe, dizendo no domingo estar preparada para mudar sua plataforma com o acréscimo de propostas centristas, e que não descartou oferecer a Bayrou o posto de primeiro-ministro. Um dia antes, ela irritou Sarkozy -e alguns de seus próprios eleitores- em um debate com Bayrou na televisão.

Foi a primeira vez que ocorreu um encontro de 100 minutos entre uma candidata que chegou ao segundo turno e um dos perdedores. Ele tirou a atenção de Sarkozy, que se queixou de que apenas ele e Royal deveriam debater. A decisão de conduzir o debate com Bayrou faltando apenas oito dias para a eleição foi um risco calculado para Royal. Ele a colocou em uma posição desajeitada de precisar apelar aos eleitores de Bayrou sem alienar os seus próprios.

Mas ela ficou seis pontos percentuais atrás de Sarkozy no primeiro turno eleitoral em 22 de abril e precisando conquistar mais da metade dos eleitores de Bayrou para vencer em 6 de maio. O debate perante centenas de jornalistas em um salão de festa de um hotel de Paris não foi uma batalha de vontades, mas também não foi um romance. "Este é um evento sem precedente, que ressalta a modernização da vida política", disse Royal, que chamou o encontro de um diálogo e não um debate. Ela acrescentou que apesar dela e Bayrou não concordarem em tudo, "milhões de franceses acham que, em certas questões difíceis, nós podemos encontrar um meio termo".

Bayrou manteve sua posição de que não endossará nenhum candidato. Ao ser perguntado anteriormente se desejava a vitória de Royal, ele disse sem rodeios: "Eu não tenho a intenção de entrar neste tipo de jogo". Mas Bayrou disse que desejava "conversar e ver se conseguimos fazer as coisas progredirem".

O político centrista, que comanda o minúsculo partido União pela Democracia Francesa, está buscando fortalecer sua posição antes das eleições parlamentares em junho. Ele anunciou na semana passada que, antes das eleições parlamentares, pretende criar um novo partido centrista que se chamará Partido Democrático.

Desde sua derrota, Bayrou tem criticado muito mais Sarkozy do que Royal, o retratando na semana passada como tendo "gosto por intimidação e ameaça". Mas no debate, Bayrou também desferiu críticas contra Royal - não à sua personalidade, mas às suas propostas. Ele disse estar em "profundo desacordo" com Royal em seus planos econômicos, por exemplo, que ele disse que dependem demais da intervenção do Estado. George El Khouri Andolfato

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