Quando o mar se acalma, os espanhóis se preparam para os barcos de imigrantes

De Victoria Burnett
Em Madri

Os serviços de resgate espanhóis e grupos de ajuda humanitária se preparam para uma onda de embarcações transportando imigrantes da África para as Ilhas Canárias, nesta semana, após mais de 800 chegarem em barcos de pesca nos últimos cinco dias.

Austin Wainwright, o coordenador de resposta de emergência da Cruz Vermelha para as Ilhas Canárias, disse que o aumento acentuado no número de chegadas estava associado à melhora do tempo e que espera ver a chegada de barcos de maior porte, que percorrem distâncias maiores, ao arquipélago ao longo do verão no hemisfério norte.

"É certo que a partir deste ponto no ano nós veremos mais chegadas", ele disse.

Mais de 300 imigrantes chegaram às ilhas em cinco barcos na segunda-feira, segundo os serviços de emergência das Ilhas Canárias, elevando o número de recém-chegados até quinta-feira para 815. Cerca de duas dúzias de crianças vieram nos barcos entre os imigrantes, a maioria aparentemente oriunda do Senegal, disse Wainwright. Ele disse que os barcos senegaleses, que tendem a ser maiores, foram os primeiros avistados seguindo para as ilhas há duas semanas, e ele espera que o número deles aumente nos próximos meses, à medida que aproveitam o tempo clemente para fazer a longa jornada.

Uma enxurrada de mais de 30 mil imigrantes às Ilhas Canárias no ano passado, a maioria africanos, estressou as forças de segurança e serviços sociais da região e provocou alarme entre os espanhóis que, como mostram as pesquisas, consideram a imigração entre suas maiores preocupações. Ela provocou fortes críticas locais e internacionais à decisão do governo do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero de oferecer anistia a cerca de 600 mil trabalhadores imigrantes ilegais.

Na segunda-feira, representantes do governo buscaram acalmar os temores de que ocorrerá uma enxurrada de imigrantes como a do ano passado.

"Em comparação ao ano passado, a situação está muito mais sob controle", disse Marlene Menesis, uma porta-voz do governo central das Ilhas Canárias, que disse que os esforços da Guarda Civil Espanhola e da Guarda Costeira, assim como da força européia para imigração, a Frontex, ajudaram a reduzir pela metade o número de chegadas até o momento neste ano, para menos de 3 mil.

"Muitos dos barcos mal deixaram os portos ou atingiram águas internacionais quando foram obrigados a retornar", disse Menesis.

José Segura, o representante do governo central nas Ilhas Canárias, disse que o Ministério do Interior planeja enviar duas grandes embarcações para ajudar a policiar as águas do arquipélago e o ministério emitiu uma declaração dizendo que intensificou a quantidade de imigrantes ilegais repatriados, enviando 168 para casa no fim de semana.

Wainwright disse que, apesar do número de chegadas ter caído neste ano, o tamanho de algumas das embarcações usadas para o transporte de imigrantes aumentou, assim como a proporção de imigrantes asiáticos a bordo, indicando que as Ilhas Canárias se tornaram um alvo para uma rede cada vez mais sofisticada de contrabando de pessoas. George El Khouri Andolfato

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