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08/01/2008
Eleições nos EUA: a hora da escolha para New Hampshire

Patrick Healy, Marc Santora e Brian Knowlton*
Em Portsmouth, New Hampshire


Candidatos republicanos e democratas nas primárias presidenciais em New Hampshire afiaram suas línguas na segunda-feira e fizeram seus discursos finais antes dos eleitores seguirem para as urnas na terça-feira. A senadora Hillary Clinton trabalhou furiosamente para evitar uma segunda derrota para o senador Barack Obama e havia sinais de que pressão estava cobrando seu preço.

O ex-líder republicano nas pesquisas, Mitt Romney, também estava lutando para manter sua candidatura à tona. Os aparentes novos líderes aqui, Obama entre os democratas e o senador John McCain, do Arizona, entre os republicanos, tentaram ambos ampliar o impulso atual de suas campanhas.

A campanha de Hillary Clinton foi abalada pelo seu terceiro lugar em Iowa, na quinta-feira, onde John Edwards ficou em segundo. Em uma entrevista para a NBC na segunda-feira ela afastou, com um sorriso, a sugestão de que algum "pânico" tenha tomado sua campanha. "Pânico" foi a manchete de um artigo do "New York Post" sobre ela.

Brian Snyder/Reuters - 7.jan.2008 
Hillary Clinton durante mesa redonda em café em Portsmouth, New Hampshire

Ainda assim, talvez naquela que tenha sido a maior exibição pública de emoção da campanha, os olhos de Hillary se encheram de lágrimas no final do dia e sua voz ficou embargada enquanto falava sobre suportar os rigores da disputa.

Hillary não chorou ou parecia ter chorado, mas esteve à beira de chorar depois que uma mulher lhe perguntou, em uma mesa-redonda em um café em Portsmouth, como conseguia se levantar da cama para continuar lutando.

"Como você consegue?", perguntou a mulher, Marianne Pernold.

"Não é fácil, não é fácil", Hillary respondeu lentamente. "Eu não conseguiria se não acreditasse apaixonadamente que é a coisa certa a fazer. É muito pessoal para mim."

A voz de Hillary então se suavizou até um quase silenciar e ela falou de forma mais pausada. "Eu tenho tantas idéias para este país, eu apenas não quero vê-lo regredir", ela disse, com seus olhos visivelmente marejados, enquanto uma fileira de fotógrafos jornalísticos registrava o momento. "É sobre nosso país, sobre o futuro de nossos filhos."

Não foi exatamente um momento Edmund Muskie -o episódio de choro do candidato democrata em 1972, quando sua esposa foi chamada de alcoólatra, o que basicamente colocou um fim à sua campanha. Nem ficou claro se os americanos vêem as lágrimas de uma mulher em busca da presidência de forma diferente das de um homem. A imagem poderia até ajudar a humanizá-la -algo que os críticos disseram que ela precisa fazer.

Antes, Hillary tinha insistido de novo que manteria a campanha até pelo menos 5 de fevereiro -quando mais de 20 Estados realizarão primárias- independente do resultado em New Hampshire, onde há poucas semanas ela estava na liderança.

NÃO CHOROU MAS LEVOU
Brian Snyder/Reuters
Hillary Clinton após vencer as primárias de New Hampshire
REPERCUSSÃO DO 'CHORO'
VITÓRIA EM NEW HAMPSHIRE
Algumas pesquisas apontam Hillary em um empate estatístico com um Obama em ascensão, mas na média elas lhe dão uma vantagem de 7 a 8 pontos percentuais. Edwards, o ex-senador da Carolina do Norte, aparece em terceiro.

Romney, atrás de McCain por uma margem ligeiramente mais estreita, também estava lutando para evitar uma segunda derrota. Ele foi superado em Iowa por Mike Huckabee, o ex-governador de Arkansas.

Mas há ansiedade mesmo entre os líderes. Esta disputa, que já é travada há um ano, já confundiu expectativas em vários momentos.

Hillary Clinton e Mitt Romney passaram o dia tentando explorar algumas das idéias que têm alimentado as campanhas de seus rivais, particularmente o tema de mudança de Obama -tanto que, como apontou um colunista do "Washington Post", a certa altura Hillary incorporou três slogans de Obama em uma frase: "Nós estamos entusiasmados e prontos para agir porque sabemos que a América está pronta para mudanças".

McCain cruzou o Estado, de Keene a Concord, aparecendo em comícios, dizendo algumas poucas palavras rápidas que resumiam sua mensagem: "Eu tenho experiência, conhecimento e juízo para liderar em um mundo perigoso".

McCain, como Obama, tentou se concentrar na possibilidade de elevar a discussão além do rancor partidário.

Mas enquanto os ônibus de campanha cruzavam seus caminhos nas estradas das montanhas cheias de neve, os vislumbres do entusiasmo por trás das campanhas eram bem diferentes.

Nos últimos dias, McCain tem lotado um salão após o outro.

A segunda-feira de Romney começou de forma menos auspiciosa. Saudando os funcionários da mesma empresa de equipamento militar onde McCain fez campanha na sexta-feira, Romney encontrou apenas um punhado de funcionários, e muitos deles apenas passaram sem dar muita atenção ao candidato. Em compensação, ele encheu o rádio e a televisão com suas propagandas.

A ascensão de Obama foi alimentada em grande parte por sua oratória e temas repetidos de esperança.

Ele disse para uma platéia lotada na Lebanon Opera House na segunda-feira que juntos, "nós começaremos a consertar este país e consertar o mundo, e teremos novamente uma América em que todos acreditamos".

Mas ele pediu aos seus simpatizantes que não se tornem complacentes, apesar das pesquisas mostrarem que ele reduziu a diferença para Hillary Clinton e que pode estar passando à frente.

O comparecimento dos eleitores só será alto, ele disse, se seus simpatizantes realmente comparecerem às urnas. "Nós ainda não vencemos nada", ele disse.

Aumentando o fardo de Hillary, John Edwards também estava tentando explorar os apuros dela para ganhar terreno.

Ele virou sua segunda noite em uma semana em campanha, visitando cafés e um posto do corpo de bombeiros.

Edwards tem dito repetidamente para suas platéias que ele e Obama são os únicos candidatos que estão oferecendo mudança. Mas ele também sugere que a abordagem de Obama não é forte o bastante para ser eficaz contra os interesses corporativos.

Os eventos de Obama, que são lotados como concertos de rock, tiram grande parte de sua energia da platéia mais jovem.

McCain passou os últimos dias retornando metodicamente aos mesmos locais que visitou na campanha primária de 2000, na qual derrotou George W. Bush por 18 pontos percentuais.

Mas Bush se recuperou e proporcionou uma derrota debilitante a McCain na Carolina do Sul. Muitos olhos se voltarão novamente para aquele Estado sulista após a apuração dos votos de New Hampshire. O primária de lá será em 19 de janeiro, quatro dias após a primária de Michigan. McCain planeja estar na Carolina do Sul na quarta-feira.

No lado democrata, os voluntários de Obama na Carolina do Sul estão transmitindo a mensagem aos eleitores negros -quase metade do eleitorado de lá- de que a vitória surpresa do senador de Illinois em uma Iowa quase que totalmente branca provou que ele tem chance real de ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

As várias campanhas, cientes do importante papel que os eleitores jovens tiveram em Iowa a favor de Obama, procuram novas formas de apelar aos eleitores jovens de New Hampshire.

As campanhas dos pré-candidatos de ambos os partidos estão no momento acelerando a um ritmo vertiginoso.

A Flórida realizará suas eleições primárias 10 dias depois da Carolina do Sul.

O dia 5 de fevereiro será a "Super Terça" -com mais de 20 Estados realizando eleições. Nesta altura as disputas poderão estar decididas, apesar das convenções nacionais de indicação ainda estarem a meio ano de distância.

Tal ritmo veloz levou a uma nova especulação sobre se Rudolph Giuliani, o ex-líder nas pesquisas nacionais entre os republicanos, teria calculado mal ao dedicar relativamente pouca atenção a Iowa e New Hampshire. Ele terminou em sexto em Iowa e parece caminhar para um quarto, talvez quinto lugar em New Hampshire.

*Brian Knowlton, em Washington, contribuiu com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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