A dura e longa viagem dos torcedores até Moscou para a final inglesa da Liga dos Campeões

De Rob Hughes
Do Herald Tribune, em Londres

O 1º de maio chegou com mensagens mistas para 40 mil torcedores de
futebol ingleses. A boa notícia era de que suas equipes, o Manchester United e o Chelsea, fariam a final da Liga dos Campeões da Europa em Moscou, em 21 de maio. A má notícia era o pesadelo logístico que pode tornar esta a noite mais cara de suas vidas -se conseguirem os ingressos e conseguirem chegar ao Estádio Luzhniki a tempo.

A confusão reinou na quinta-feira, depois que o Ministério da Relações
Exteriores russo contradisse uma declaração de Yuri Luzhkov, o prefeito de Moscou, que sugeriu que as restrições normais de visto seriam abolidas para a ocasião.

Não é o caso, disse a embaixada russa em Londres. Os pedidos de visto seriam processados em um prazo extremamente apertado, mas todos teriam que ser pagos do modo normal, acompanhados por comprovante do ingresso para a partida, acomodação e vôo confirmados.

Mas a Uefa, a federação européia de futebol que colocou a final em Moscou e distribuiu os ingressos, disse à BBC que seu presidente, o ex-jogador francês Michel Platini, estava trabalhando em um "grande avanço" junto ao governo russo.

Entretanto, com os preços dos hotéis subindo além do poder aquisitivo do torcedor comum e agências americanas oferecendo os ingressos em seus sites por até US$ 10 mil cada, a única coisa certa na quinta-feira era de que este encontro em Moscou representava um teste sem precedente de segurança, organização e viagem.

Levar a final para Moscou atende a política da Uefa de tentar abraçar todas as regiões do que chama de sua "Família do Futebol". Mas o horário ainda será inglês, com o início da partida às 22h45, horário de Moscou, para coincidir com o horário nobre de Londres.

O bloco oriental entre os 52 países europeus que pertencem à Uefa possui
poder de voto significativo na eleição de presidentes, e as finais anteriores foram realizadas em Istambul e Atenas.

Mas esta é a primeira vez que dois times ingleses chegam à final, e a
Inglaterra conta com um número sem paralelo de torcedores que viajam sempre e para todo lugar onde seus times jogam no exterior.

Segundo o sistema da Uefa, os 21 mil ingressos para cada clube que chega à final já estavam disponíveis há um mês. Os torcedores tinham que pedir os ingressos e confiar que seus jogadores venceriam as semifinais. Os demais ingressos da capacidade de 69.500 pessoas são para convidados corporativos, torcedores locais e para os países membros da Uefa.

Após o Manchester United derrotar o Barcelona na terça-feira, e o Chelsea
derrotar o Liverpool um dia depois, as contas começaram.

O presidente do Manchester esteve em Moscou na quinta-feira para acertar a logística. Os próprios clubes oferecem um número limitado de pacotes de
viagem "oficiais", preferencialmente para os detentores de ingressos para
toda a temporada.

Os custos estão sendo calculados pelos torcedores. Eles provavelmente
pagarão 95 libras, ou US$ 187, pelo visto de entrada, não menos que 400 libras (US$ 780) por uma cama em uma acomodação barata, se conseguirem encontrar, e vôos que custam a partir de cerca de 900 libras (cerca de US$ 1770) por pessoa.

Estes são os preços mínimos em meio a uma escalada de exigências à medida que partes interessadas de Moscou até Nova York se preparam para a final. Um jornalista que telefonou para o hotel Marriott de Moscou recebeu na semana passada a cotação de 3 mil libras (quase US$ 6 mil) para uma estadia de três noites, as companhias aéreas estavam subindo seus preços, e cambistas estavam oferecendo os ingressos por um valor 20 vezes maior ou mais.

Um site americano, o Ticketsolutions.com, anunciou seis pacotes VIP por US$ 10 mil cada, com mais baratos a US$ 5.020. Outros sites na Europa
apresentavam preços de US$ 2 mil a US$ 8 mil o ingresso.

A lei britânica proíbe a venda de ingressos de futebol online, mas as
restrições não se aplicam ao exterior e é um hábito estabelecido os
torcedores dos clubes de Londres venderem seus ingressos para uma partida específica pela Internet para turistas americanos ou, atualmente, russos.

O Manchester é de propriedade da família Glazer, que vive na Flórida, e o Chelsea é financiado pelo oligarca russo Roman Abramovich.

Reportagens da Rússia sugerem que -apesar da noite estar sendo anunciada como uma chance única na vida, de valor acessível aos moscovitas, que nunca assistiram jogadores como Cristiano Ronaldo, Carlos Tevez, Didier Drogba ou Wayne Rooney- os russos também serão forçados a comprar ingressos a preços inflacionados.

O Ministério das Relações Exteriores britânico pediu aos torcedores para que não viagem caso não tenham ingresso e acomodação.

Gerry Sutcliffe, o ministro dos Esportes do Reino Unido e ciente da
reputação dos clubes ingleses de espalhar a violência das torcidas no
exterior, alertou que os torcedores "precisarão se comportar bem em Moscou".

Caso contrário, ele disse, a candidatura da Inglaterra para sediar a Copa do Mundo de futebol de 2018 poderá ser minada.

"Eles precisam assegurar que tenhamos uma final impecável, que possa nos ajudar em nossa candidatura à Copa do Mundo", disse Sutcliffe. "Quando você pensa em qual será a audiência mundial para esta final da Liga dos Campeões, cada passo deles será observado."

Enquanto isso, irritado pelas sugestões da imprensa inglesa de que Moscou, em 21 de maio, provavelmente tornará um sonho em um pesadelo logístico, o Ministério das Relações Exteriores russo apontou que o Zenit de São Petersburgo também esperava fazer história na quinta-feira.

Se o Zenit superar o Bayern de Munique na semifinal da Copa da Uefa* -a menor das duas competições européias- seus torcedores também vão querer assistir a final no Estádio da Cidade de Manchester, na Inglaterra, em 14 de maio.

"Nós gostaríamos de destacar que os arranjos que estamos implantando serão substancialmente mais favoráveis do que aqueles oferecidos aos torcedores russos que planejam viajar para o Reino Unido", declarou o ministério. "Os torcedores do Zenit já foram instruídos a se submeterem a um processo desajeitado de pedido de visto pessoal, incluindo exame biométrico, pedido de visto online e possíveis entrevistas pessoais com funcionários do consulado britânico."

N. do Editor: em casa, o Zenit goleou o poderoso Bayern de Munique, por 4 a 0, e fará a final da Copa da Uefa contra o escocês Glasgow Rangers George El Khouri Andolfato

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