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27/08/2009

A máquina ou o homem: qual faz uma equipe vencer?

International Herald Tribune
Brad Spurgeon
A pergunta existe quase há tanto tempo quanto as corridas de automóveis. Mas raramente foi feita com tanta frequência quanto neste ano, com uma das maiores confusões na ordem natural das equipes e pilotos de Fórmula 1: o que é mais importante, o carro ou o piloto?

"O vencedor não é o que tem o carro mais rápido, é o que se recusa a perder", disse certa vez Dale Earnhardt, um piloto de corridas da Nascar.

Isso pode ser verdade às vezes, mas em uma série como a Fórmula 1, onde a qualidade e o estilo, tanto dos carros quanto das pistas, variam enormemente, a realidade é muito mais complexa.
  • Albert Gea/Reuters

    Súbita inversão da hierarquia habitual da Fórmula 1 é a marca da temporada atual



Enquanto a série se prepara para a disputa em uma de suas pistas mais difíceis, no Grande Prêmio da Bélgica em Spa-Francorchamps, a pergunta é ainda mais pertinente.

As exigências da pista, através dos morros das Ardennes, são tais que os melhores pilotos quase sempre venceram lá. Juan Manuel Fangio ganhou três vezes, Jim Clark quatro, Ayrton Senna cinco e Michael Schumacher detém o recorde, com seis vitórias.

É a pista mais longa da série, com 7 km, e tem grandes mudanças de elevação, longas retas e curvas tanto rápidas quanto lentas. Ela foi modificada para ser mais segura, e muitos pilotos não a consideram mais um grande desafio como antes. Mas ainda é um teste sério da habilidade e da coragem dos pilotos.

Essa temporada trouxe uma súbita inversão da hierarquia habitual. Equipes que nunca tinham vencido corridas, ou que venceram apenas uma, de repente lideram a classificação. Pilotos que não haviam vencido, ou apenas uma vez, têm ganhado as corridas.

Durante décadas a Fórmula 1 foi dominada por Ferrari, McLaren, Renault e Williams. Este ano, a Brawn - que esteve à beira da falência antes da temporada, depois que seu proprietário anterior, a Honda, saiu da série - e a Red Bull, que nunca tinha vencido uma corrida, dominam o campeonato.

As equipes fortes do passado enfrentaram dificuldades. Seus pilotos campeões do mundo nada puderam fazer para conter os antigos "lanternas". Jenson Button, com uma carreira de nove anos no esporte e apenas uma vitória, ganhou seis das primeiras oito corridas. Seu companheiro de equipe, Rubens Barrichello, que não ganhava desde 2004, quando pilotava para a Ferrari, ganhou em Valência, Espanha, no último domingo.

Para a Red Bull, Sebastian Vettel, um dos mais jovens pilotos da série, ganhou duas corridas, e Mark Webber venceu pela primeira vez depois de 130 provas no esporte.

Isto é claramente influência do carro. Essas duas equipes reagiram melhor às maiores mudanças de regulamentos técnicos já feitas, dando a seus pilotos os instrumentos para vencer. Mas isso levantou a pergunta: qual o objetivo de um piloto, se o que conta é o carro?

"A diferença entre cada piloto da Fórmula 1, do melhor ao pior, é de cerca de 0.3 segundo por volta", disse Nico Rosberg, um piloto da Williams. "Do melhor carro ao pior carro, acho que são 2 segundos ou 1,5 segundo. Então faça uma porcentagem com isso: 20% piloto e 80% carro."

As equipes gastam milhões em tecnologia para produzir pequenas vantagens em velocidade. Elas também pagam milhões para os pilotos.

"Se seu carro está um quarto de segundo ou meio segundo atrás da primeira fila no 'grid', e você tem o melhor piloto do mundo, ele fará uma diferença", disse Frank Williams, proprietário e diretor da Williams.

"Mas se seu carro está um segundo atrás, nem ele fará uma diferença - ou talvez faça apenas uma ou duas vezes por temporada", acrescentou. "Por isso o carro tem, no mínimo, a mesma importância. E o truque é colocar os melhores carros com os melhores pilotos."

Ele disse isso no momento em que a Williams - a terceira equipe de maior sucesso na história da Fórmula 1 - não tem um carro rápido o suficiente, por isso não procurou pilotos astros. Em vez disso, usa pilotos em desenvolvimento como Rosberg, enquanto a equipe desenvolve um carro.

Naturalmente, esses pilotos não custam tanto quanto os vencedores comprovados ou outros com vasta experiência.

Mas se os 20 pilotos no pico das corridas de automóveis estão tão próximos em velocidade, outro fator os distingue.

"Um bom piloto é aquele que trabalha bem, cria um bom clima, está realmente comprometido com todo mundo com quem trabalha", disse Jarno Trulli, piloto da equipe Toyota. "Isso é o mais importante para um piloto em seu trabalho."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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