UOL Notícias Internacional
 

06/10/2009

Estudantes franceses recebem um incentivo extra

International Herald Tribune
Katrin Bennhold
Em Paris (França)
Nos subúrbios pobres de Paris, agora ir bem na escola dá um bom retorno - literalmente. Os estudantes podem ganhar prêmios de até 10 mil euros para dividir com sua classe se frequentarem as aulas e tirarem boas notas.

O programa-piloto, que entrou em vigor nesta segunda-feira em três escolas vocacionais em bairros de classe operária próximos da capital francesa, é a mais chamativa de várias medidas do governo que visam lidar com o problema crônico da baixa frequência escolar, evasão em massa e alta taxa de desemprego entre os jovens na França.
  • Fred Chalub/Folha Imagem

    Alto índice de evasão leva França a oferecer dinheiro para alunos frequentarem a escola



A ideia explora uma combinação de pressão dos colegas e incentivos materiais: que os estudantes se comprometam com uma frequência média e uma meta de desempenho. Dependendo de quão ambiciosa for a meta, o governo pagará de 2 mil euros a 10 mil euros, para um fundo que pode ser gasto em tudo, desde aulas para tirar carteira de motorista até viagens quando a meta for atingida.

"Nós estamos tentando ser criativos - é preciso", disse Jean-Michel Blanquer, chefe do distrito escolar da grande Paris, que comparou a iniciativa a um "contrato moral".

Mas no país de Victor Hugo e Voltaire, a ideia de usar o dinheiro para motivar os adolescentes a aprender alimenta um debate que abrange todo o espectro político.

Jean-Jacques Hazan, presidente da organização de pais FCPE, de esquerda, chamou o programa de "perversão da missão da escola". Seu par no grupo de pais PEEP, mais conservador, Philippe Vrand, disse que não queria que "dinheiro fosse a motivação dos estudantes".

Uma organização independente, SOS Educação, foi mais longe, acusando em seu blog o governo de "comprar" os estudantes e minar os valores da República Francesa.

A educação é um assunto sensível na França. Caro e altamente sindicalizado, o sistema de ensino também é uma instituição ícone no coração da república. É o local onde as crianças são transformadas em cidadãos franceses desde os dias da revolução.

Mas o aumento da evasão escolar, particularmente nos bairros pobres e de maior diversidade étnica, os pedidos por uma reforma crescem cada vez mais.

Até 150 mil jovens - cerca de 13% das pessoas com idades entre 20 e 24 anos - entram no mercado de trabalho sem diploma colegial. Há quatro anos, uma série de distúrbios envolvendo jovens de origem imigrante acentuou as frustrações sofridas por muitos na periferia de grandes cidades francesas.

Blanquer, do distrito escolar de Paris, disse que grande parte da oposição ao novo programa ignora o sentido.

"Se tivéssemos chamado de bolsa escolar, todo mundo estaria de acordo", ele disse nesta segunda-feira em uma entrevista por telefone. "Todos concordam com a necessidade de tirar os jovens da rua e colocá-los nas salas de aula, reduzir o desemprego e a criminalidade. Não há soluções fáceis. Esta é apenas das muitas experiências. Se não funcionar, tentaremos outra coisa."

O programa faz parte de uma lista de 165 iniciativas, que foi divulgada pelo governo em julho, mas não causou alvoroço até que o jornal "Le Parisien" publicou um artigo de primeira página na última sexta-feira, intitulado: "Dinheiro para bons alunos".

As escolas empregam medidas diferentes há anos. Um colégio próximo de Paris distribui ingressos de cinema para os estudantes que apresentam desempenho particularmente bom e descobriu que o número médio de faltas no ano letivo caiu de 26 para 20 nos últimos dois anos.

Mais e mais escolas também tentam envolver os pais, ao informá-los por mensagens de texto ou e-mail no mesmo dia em que seus filhos perdem uma aula.

Se bem-sucedido, o programa poderia ser estendido para metade dos 1.687 colégios vocacionais da França.

Em um momento de aumento dos déficits orçamentários, os valores republicanos podem não ser o único obstáculo para o governo.

"A educação já é o item mais caro no nosso orçamento", disse Aldric Boulange, da SOS Educação. "Dá para imaginar o custo para o contribuinte se implementarem mais isso?"

Tradução: George El Khouri Andolfato

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