UOL Notícias Internacional
 

25/10/2009

A ascensão da Coreia do Sul

International Herald Tribune
Philip Bowring
Em Ho Chi Minh (Vietnã)
Obter notícias das reuniões de cúpula da Associação das Nações do Sudeste da Ásia (Asean, na sigla em inglês) é sempre difícil, e a reunião que teve início em 23 de outubro na Tailândia dificilmente será uma exceção a isso.

Até agora ela é notável apenas por ser a sucessora de uma outra, ocorrida em abril, que foi suspensa frente aos protestos de apoiadores do ex-primeiro-ministro da Tailândia, Thaksin Shinawatra, que foi deposto em um golpe de Estado em 2006.

Talvez o mais significante para a região, pelo menos simbolicamente, sejam as visitas do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, a três membros da Asean - Vietnã, Camboja e Tailândia. Lee tem aproveitado o encontro regional que se segue à reunião da Asean para fazer com que sejam mais percebidas as ambições da Coreia do Sul no cenário internacional, e especialmente no sudeste da Ásia.

O perfil de Seul tem crescido em vários sentidos: um sul-coreano é o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, a Coreia do Sul sediará a reunião do Grupo dos 20 (G-20) do ano que vem; o país firmou um acordo de livre comércio com a União Europeia, e ele está tentando obter um substancial aumento do seu poder de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) de forma que a sua atuação nesta instituição condiga mais com o papel da Coreia do Sul no comércio global.

Tudo isso ajudou a transferir o foco das atenções globais, que, no que se refere à península coreana, estava concentrado nas ambições nucleares da Coreia do Norte, para o papel da Coreia do Sul como potência de dimensão intermediária.

O sudeste da Ásia é uma região particularmente fértil para o aumento da influência de Seul. Portanto, não é de se surpreender que, em Hanói, Lee e o seu congênere vietnamita, o presidente Nguyen Minh Triet, tenham concordado em firmar uma "parceria cooperativa estratégica" entre os seus países.

A natureza dessa parceria pode ser difusa, mas ela demonstra a determinação da Coreia do Sul em manter um equilíbrio nas suas relações regionais. Essa é uma equação complexa tendo em vista a dependência de Seul, na área de segurança, dos Estados Unidos, a importância da China - atualmente o maior parceiro comercial dos sul-coreanos - e a sua relação crucial, mas complicada, com o Japão. A conquista de novos amigos no Sudeste da Ásia expande a influência da Coreia do Sul na região, especialmente em um momento em que certas pessoas temem que a China esteja se tornando um fator muito importante para a tranquilidade de longo prazo de Seul.

O desejo da Coreia do Sul de exercer influência na região teve também um impacto construtivo sobre a própria Asean ao estimular os acordos comerciais e financeiros entre a associação e os três países do nordeste da Ásia, acordos estes que, caso contrário, poderiam ter naufragado devido à rivalidade entre China e Japão.

Sob o ponto de vista econômico não existe nada de novo quanto à presença coreana na Asean. As companhias da Coreia do Sul foram umas das primeiras a montar fábricas voltadas para produtos de exportação no Vietnã há mais de uma década. Os investimentos industriais sul-coreanos podem ser encontrados em todos os países da Asean. Os sul-coreanos adquiriram cursos de golfe e colonizaram os distritos turísticos de Manila e Cebu, nas Filipinas. As suas fábricas de equipamentos eletrônicos superaram todas as outras em grande parte da região e as novelas de TV sul-coreanas são acompanhadas por um grande universo de telespectadores em todas as partes da Ásia.

Os sul-coreanos são democráticos em seu próprio país, não não fizeram nenhum esforço no sentido de preocuparem-se com a democracia ou os direitos humanos em outras partes da Ásia, uma postura que agrada muitos membros da Asean.

Até recentemente, a presença oficial da Coreia do Sul era bastante discreta. Mas agora o país conta com a confiança e o dinheiro necessários para atuar de forma mais marcante. As verbas de Seul para auxílio a outros países aumentaram, e os sul-coreanos têm se destacado nas iniciativas de ajuda humanitária após desastres naturais na Indonésia e nas Filipinas.

Seul também tem ambições no setor de venda de armamentos que poderiam causar desconforto a fabricantes de armas dos Estados Unidos, da Europa e da Rússia e, em breve, da China. A Coreia do Sul venderá submarinos à Indonésia e está procurando fechar vendas de armas na Tailândia, na Malásia e, possivelmente, no Vietnã.

Algumas pessoas no sudeste da Ásia temem a natureza agressiva dos negócios sul-coreanos, e estão preocupadas principalmente com a fome de recursos naturais que domina a Coreia do Sul. As atitudes sul-coreanas, consideradas rudes, podem irritar os flexíveis países do sudeste asiático. Mas, de maneira geral, a Coreia do Sul é muito bem aceita - ela não é grande o suficiente para ameaçar, mas é suficientemente importante para proporcionar opções a países que às vezes sentem-se assediados por Estados Unidos, Japão ou China.

O ímpeto para a criação de vínculos com o Vietnã pode ser especialmente significativo ao se considerar o papel-chave desempenhado por Hanói na resistência às reivindicações da China no Mar do Sul da China, bem como o interesse dos países dessa área geográfica dependente do comércio por rotas oceânicas. Assim, embora nem a China nem o Japão deseje que a influência sul-coreana aumente em detrimento deles, a China é que provavelmente teria mais a perder com isso.


Tradução: UOL

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