UOL Notícias Internacional
 

27/11/2009

China e União Europeia têm muito a ganhar com a cooperação econômica

International Herald Tribune
Jurgen R. Thumann*
Enquanto os Estados Unidos e a China realizam um diálogo econômico em um chamado G2, a União Europeia se verá pagando a conta. A declaração de Pittsburgh do G20 apontou a necessidade de tratar dos desequilíbrios macroeconômicos para evitar uma repetição da crise financeira que causou um caos na economia mundial. Apesar do déficit em conta corrente dos Estados Unidos e o superávit da China terem caído um pouco desde o início da crise financeira, a fraqueza do dólar combinada com a política de taxa de câmbio fixa da China ameaça transferir o fardo de futuros ajustes para os ombros da UE.
  • Ng Han Guan/AP

    Encontro O presidente dos EUA, Barack Obama, cumprimenta o presidente da China, Hu Jintao, após uma coletiva de imprensa no Grande Salão do Povo, em Pequim. A União Europeia pagará a conta dos desajustes macroeconômicos se não buscar uma cooperação com a China

Uma contínua valorização do euro frente tanto ao dólar quanto ao yuan chinês não seria apenas um obstáculo para a recuperação econômica da Europa, mas poderia levar a decisões de política monetária desfavoráveis por todos os diferentes blocos econômicos e alimentar novos desalinhamentos financeiros e de preços de ativos. É nossa crença de que uma pré-condição para um retorno do crescimento econômico e da estabilidade financeira seja assegurar que as políticas cambiais e macroeconômicas não perpetuem os erros do passado.

Os interesses da UE são claros - as grandes economias precisam trabalhar juntas para chegarem a resultados macroeconômicos sustentáveis, nos quais as políticas cambiais têm um papel importante. A China precisa introduzir mais flexibilidade em sua política cambial para facilitar o objetivo claramente declarado de Pequim de estimular a demanda doméstica.

Os Estados Unidos também devem cumprir seu compromisso de um dólar forte e de uma restauração da poupança doméstica. A UE precisa promover reformas estruturais abrangentes para restaurar o potencial de crescimento da União. Um diálogo mais intenso entre as autoridades europeias, chinesas e americanas é necessário para discutir formas de reduzir os desequilíbrios globais e assegurar um desenvolvimento sustentável.

Nas negociações sobre a mudança climática, a China tem relutado em se comprometer com reduções de emissões proporcionais aos seus níveis de emissões. Claramente há uma necessidade da China se comprometer a realizar reduções sérias, reconhecendo ao mesmo tempo os desafios de desenvolvimento diante do país. A conferência de Copenhague exigirá uma forte liderança da UE e de grandes países emergentes como a China para chegar a um consenso. Uma cooperação mais estreita em soluções tecnológicas é necessária. A China e a UE têm a oportunidade de reforçar a cooperação entre empresas na área de tecnologias verdes. Mas isso exige uma estrutura legal coerente para proteger os direitos de propriedade intelectual, para promover um comércio e investimento abertos e apoiar as regras globais de um comércio mais livre de bens e serviços verdes.

O diálogo também deve tratar dos principais desafios enfrentados pelo comércio entre UE e China e o relacionamento de investimento. Pequim não tem demonstrado muita liderança. As exportações chinesas expandiram sob as regras de comércio multilaterais, mas a China tem demonstrado um engajamento apenas limitado nas negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio. A UE deve pedir por maiores compromissos da China nas negociações globais, especialmente em bens e serviços de setores específicos. Desta forma, a UE e a China poderão ajudar a reengajar os Estados Unidos e mover a Rodada de Doha para uma conclusão.

Bilateralmente, as restrições governamentais ao comércio, aquisição, investimento e matérias-primas estão prejudicando o relacionamento entre UE e China. Ao mesmo tempo, uma fraca fiscalização dos direitos de propriedade intelectual está desencorajando as empresas europeias em cooperarem com as chinesas. As empresas europeias prefeririam que a União trabalhasse para remover esses impedimentos ao desenvolvimento dos negócios durante o encontro de cúpula UE-China na próxima semana. O encontro de cúpula poderia, por exemplo, conceder um mandato especial para solução rápida desses assuntos, por meio do Diálogo Econômico e Comercial de Alto Nível entre UE e China. Caso contrário, esses assuntos serão encaminhados para o processo de acordo muito mais desajeitado da OMC.

A China e a UE têm muito a ganhar com a cooperação para estabilização da economia mundial, ao tratar das preocupações ambientais comuns e em estimular o comércio como motor global do crescimento e da abertura dos mercados mundiais. Se a UE conseguir elevar sua posição nas negociações, ela encontrará na China uma parceira mais forte para cooperação.

*Jurgen R. Thumann é presidente da BusinessEurope, uma associação de indústrias e empregadores com sede em Bruxelas.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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