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30/11/2009

Economia em Jerusalém segue em dificuldade, mas ainda há riqueza na cidade

International Herald Tribune
Jessica Steinberg
Em Jerusalém
Os tempos econômicos difíceis continuam, mas isso pode parecer uma surpresa para quem está num cruzamento específico da cidade de Jerusalém.

Nesta encruzilhada, a apenas um quarteirão dos muros da Cidade Velha, o grupo Waldorf Astoria está construindo o Palace Jerusalem, um hotel de 220 quartos com 30 residências definitivas.

Ele ficará exatamente em frente ao novo Mamilla Hotel do Grupo Alrov, com seus 48 apartamentos adjacentes e o Hotel David Citadel, com sete residências.

Com preços que vão desde US$ 22 mil (R$ 38 mil) por metro quadrado no Palace Jerusalem até US$ 10 mil (R$ 17 mil) por metro quadrado no Mamilla, está claro que essas unidades residenciais são voltadas para o mercado de luxo.

E de acordo com promotores dos projetos, os compradores em geral são estrangeiros que buscam uma localização privilegiada no bairro, também chamado Mamilla, que fica próximo ao distrito hoteleiro e ao Museu da Tolerância, que deve ser concluído no ano que vem. (A maioria das propriedades de luxo em Jerusalém são cotadas em dólares norte-americanos.)

"As pessoas ricas têm necessidade de viverem com pessoas iguais", diz Rina Haas, que promove apartamentos no mesmo quarteirão, no King David Crown, outro novo residencial cotado a US$ 8 mil (13,9 mil) por metro quadrado. "Eles querem exclusividade, e é assim que estão acostumados a viver."

Antes, os ricos visitavam Jerusalém e ficavam no Sheraton Plaza Hotel, "que foi o primeiro experimento dedicado aos ricos, e isso funcionou bem", acrescentou Haas.

"Mas as necessidades das pessoas mudaram rapidamente, e há toda uma nova geração, ainda mais rica. É assim que eles estão acostumados a viver."

O Alrov Group acaba de concluir a construção de seus cinco prédios de apartamentos em Mamilla; o hotel, com uma estrutura moderna e elegante, abriu na primavera passada. Há 48 apartamentos, que vão de 170 a 350 metros quadrados.

Metade deles foi vendida, com preços que variam de acordo com a vista e a localização das varandas. Os compradores também podem comprar vagas na garagem e espaço no telhado por US$ 2 mil (R$ 3,4 mil) o metro quadrado.

O espaço no telhado permite que um comprador construa sua própria "sukkah", o abrigo temporária usado durante o feriado de oito dias do Sukkot, quando muitos residentes estrangeiros que compram esse tipo de apartamentos vêm visitar a cidade.

"Temos compradores variados", disse Veronique Losky, que administra uma imobiliária com seu marido na vizinhança. "A maioria é de estrangeiros, e varia de acordo com a prática religiosa. Todos eles querem a qualidade de construção que se espera do nome Akirov."

Alfred Akirov é o herdeiro do israelense do império de construção Alrov, que acabou de concluir planos para a revitalização do bairro de Mamilla.

A área é um dos bairros mais tradicionais de Jerusalém, construída no final do século 19 como um distrito misto de árabes e judeus. Ela entrou em declínio no começo dos anos 70, depois de ter passado anos como o local da linha de armistício entre os setores israelenses e jordanianos da cidade, e mais tarde ficou vazia por quase 30 anos à medida que a prefeitura, o governo e os desenvolvedores se desentendiam quanto às estratégias.

Um plano criado pelo arquiteto Moshe Safdie foi eventualmente levado adiante, incluindo um calçadão de lojas para pedestres, prédios residenciais e dois hotéis. O primeiro hotel é conhecido como David Citadel, e o segundo é o Mamilla Hotel e prédios de apartamentos. No mesmo quarteirão fica um condomínio fechado, o David's Village.

O David Citadel Hotel, antes conhecido como Jerusalem Hilton, tem sete de suas residências privadas com acesso ao hotel por uma taxa adicional.

O David's Village, complexo de apartamentos ajardinados adjacente ao hotel, é considerado um sucesso duvidoso porque alguns apartamentos pertencem a estrangeiros que não visitam a cidade com frequência, deixando um certo ar de cidade fantasma.

O mais novo empreendimento do triunvirato de residenciais de luxo é o Palace Jerusalem. O hotel original foi construído em 1929, mesclando a arquitetura moura, romana e árabe, sob a supervisão do mufti de Jerusalém e de um engenheiro judeu. Na época, ele foi considerado o hotel mais luxuoso do Oriente Médio, com elevadores, um sistema de aquecimento central e banheiros privativos.

Essas construções ficaram defasadas em comparação às novas instalações que aguardam os hóspedes do hotel e moradores de apartamentos planejados, 30 ao todo, incluindo duas coberturas. O tamanho médio de cada residência é de cerca de 350 metros quadrados, embora os compradores possam acrescentar espaço adicional se desejarem.

Mas o valor agregado dos US$ 17 mil a US$ 22 mil por metro quadrado do Waldorf inclui serviço completo para os moradores, desde um recepcionista próprio no prédio e estacionamento com manobrista (por uma taxa adicional) até tratamentos de spa a domicílio, chefs de cozinha exclusivos e serviço de camareira diário, entre outras opções.

As residências do Waldorf, diz Lisa Shurkin, diretora de vendas do Waldorf, são para compradores milionários, pessoas que querem estar cercadas por outras com a mesma riqueza, e desejam receber amigos em seus apartamentos ou no hotel vizinho.

Dois dos compradores (seis apartamentos foram vendidos até agora) estão pensando em contratar mordomos, disse Shurkin. E todos eles terão acesso à sukkah no telhado, apesar de cada residência ter varandas suficientemente espaçosas para construir suas próprias sukkah.

"Esses tipos de compradores têm procurado propriedades assim em Jerusalém há uns dez anos", acrescentou. "Eles querem fazer parte do hotel e ter todos os serviços disponíveis em sua própria casa."

Tradução: Eloise De Vylder

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