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15/12/2009

Hillary Clinton defende abordagem "pragmática e ágil" de direitos humanos

International Herald Tribune
Brian Knowlton
Em Washington (EUA)
Rejeitando as críticas bipartidárias, a secretária de Estado, Hillary Clinton, detalhou na segunda-feira a abordagem do governo aos direitos humanos, que ela chamou de "pragmática e ágil", visando enfatizar não apenas a democracia, mas também o desenvolvimento e o tratamento de questões sensíveis junto a países como a Rússia e a China a portas fechadas.
  • AP

    "Às vezes temos mais impacto condenando publicamente a ação de um governo, como o golpe em Honduras ou a violência na Guiné. Outra vezes nós provavelmente seremos de mais ajuda aos oprimidos ao realizarmos duras negociações a portas fechadas, como pressionar a China e a Rússia como parte de uma agenda mais ampla", resume a secretária de Estado Hillary Clinton



"Às vezes temos mais impacto condenando publicamente a ação de um governo, como o golpe em Honduras ou a violência na Guiné", ela disse em um discurso na Universidade de Georgetown, durante a Semana de Direitos Humanos.

"Outra vezes nós provavelmente seremos de mais ajuda aos oprimidos ao realizarmos duras negociações a portas fechadas, como pressionar a China e a Rússia como parte de uma agenda mais ampla", ela disse. "Em todos os casos, nossa meta será fazer a diferença, não provar um argumento."

O discurso dela defendeu uma abordagem do governo que tem sido criticada por alguns defensores de direitos humanos e por certos legisladores como sendo gentil demais, ou não exigente ao tratar com países como a China e o Sudão.

"O pragmatismo com princípios informa nossa abordagem aos direitos humanos com países como a China e a Rússia", ela disse. "A cooperação com cada um deles é crítica para a saúde da economia global e para a agenda de não proliferação, para administrar questões de segurança como a Coreia do Norte e o Irã, e para tratar de problemas mundiais como as mudanças climáticas."

O governo, criticado pelo tom publicamente brando de Obama durante sua recente visita à China, apontou para o que disse serem os primeiros resultados de sua abordagem de menos confrontação: sinais de nova cooperação chinesa na questão da mudança climática e na pressão chinesa sobre o Irã devido ao seu programa nuclear.

O discurso de Hillary Clinton, com sua forte ênfase no desenvolvimento, contrasta da prioridade do governo anterior, especialmente em seus primeiros anos, na disseminação da democracia.

"É claro que as pessoas devem ser livres da opressão e da tirania, da tortura, da discriminação, do medo de que líderes as aprisionem ou as façam 'desaparecer'", disse Hillary, segundo uma cópia antecipada do discurso. "Mas também devem ser livres da opressão da necessidade - da necessidade de alimento, de saúde, de educação e de igualdade."

Hillary Clinton, em uma linguagem que alguns defensores de direitos adotariam, apontou algumas queixas específicas contra a Rússia e a China. Ela pediu, entre outras coisas, pela proteção pela China dos direitos das minorias no Tibete e Xinjiang, e por maiores liberdades cívicas.

"Com a Rússia", ela acrescentou, "nós deploramos os assassinatos de jornalistas e ativistas, assim como apoiamos os indivíduos corajosos que defendem a democracia sob grande risco".

Tom Malinowski, o diretor de defesa em Washington da Human Rights Watch, disse que algumas pessoas na comunidade de direitos estavam preocupadas com o Departamento de Estado estar se concentrando no desenvolvimento "em detrimento da democracia".

Mas, ele disse, "esse temor não foi reforçado pelo discurso: ela está falando em combater a pobreza e em empoderar as pessoas como parte de uma estratégia que também defende seus direitos políticos".

O discurso de Hillary Clinton ocorreu quatro dias depois de Obama, ao aceitar o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, ter dito que sabia que "o engajamento com regimes repressivos carece da pureza satisfatória da indignação", mas que "nenhum regime repressivo pode seguir por um novo caminho a menos que conte com a opção de uma porta aberta".

A abordagem de Obama em relação aos direitos decepciona alguns de seus simpatizantes liberais, assim como alguns conservadores, que esperavam que ele falasse mais publicamente contra os abusos aos direitos.

Mas Malinowski, que falou por telefone de Trípoli, Líbia, disse que considerou o discurso de Obama no Nobel como sendo "uma das declarações mais fortes e refletidas a respeito de direitos humanos já feitas por um presidente americano".

"Ele não recuou do compromisso do governo de buscar dialogar diplomaticamente com seus adversários, mas ao mesmo tempo reconheceu que o engajamento precisa ser apoiado por todas as ferramentas de política externa", ele disse.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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