UOL Notícias Internacional
 

16/12/2009

Hillary Clinton: "Os EUA estão no jogo"

International Herald Tribune
Hillary Rodham Clinton*
Nosso mundo está seguindo um trajeto insustentável que ameaça não apenas nosso ambiente, mas nossas economias e nossa segurança. É hora de lançar um amplo acordo operacional para mudança climática que nos coloque em um novo curso.
  • Mark Wilson/Getty Images/AFP - 11.dez.2009

    A secretária de Estado norte-americano afirma que os EUA apóiam o acordo de redução de carbono discutido na Conferência do Clima, em Copenhague



Um acordo de sucesso depende em uma série de elementos centrais, mas dois estão se provando essenciais: primeiro, que todas as principais economias estabeleçam ações nacionais fortes e resolvam implementá-las; segundo, que concordem com um sistema que permita total transparência e portanto forneça credibilidade às medidas nacionais que estão sendo implementadas.

A transparência, em particular, é o que vai assegurar que este acordo se torne real, não apenas uma aspiração. Todos nós precisamos assumir nossa fatia de responsabilidade, manter nossos compromissos e ter a intenção verdadeira por trás do que falamos para que um acordo internacional seja possível.

Representantes de mais de 190 países reuniram-se em Copenhague na esperança de atingir este desafio urgente para nosso planeta. Se encararmos o objetivo com seriedade, vamos todos abraçar esses princípios.

Não é segredo que os EUA se fizeram de cegos para a mudança climática por muito tempo. Agora, contudo, sob a liderança do presidente Obama, estamos assumindo nossa responsabilidade e agindo.

Internamente, o governo Obama já fez mais para promover a energia limpa e abordar a mudança climática do que jamais em nossa história. Estamos investindo mais de US$ 80 bilhões (em torno de R$ 140 bilhões) em energia limpa e trabalhando junto ao Congresso para aprovar uma legislação abrangente de clima e energia. Nós anunciamos a intenção de cortar emissões na faixa de 17% abaixo dos níveis de 2005 até 2020 e nos alinhar com a futura legislação de clima e energia.

À luz dos objetivos do presidente, a legislação pendente estenderia esses cortes para 30% até 2025, 42% até 2030 e mais de 80% até 2050. Esse é o tipo de ação nacional forte que um acordo de sucesso exige.

Os EUA também fizeram um esforço sem precedentes para engajar parceiros em torno do mundo na luta contra a mudança climática, produzindo resultados reais. O presidente Obama lançou o Fórum de Energia e Clima das Principais Economias, que reuniu importantes países desenvolvidos e em desenvolvimento para trabalharem em torno das questões essenciais para um acordo. Ele também liderou um convênio, entre os países do G-20 e entre as nações da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, para eliminar gradualmente os subsídios ao combustível fóssil. Esta medida, por si só, poderia reduzir as emissões de gases de efeito globais estufa em 10% ou mais até 2050.

Então não deve haver dúvidas quanto ao nosso compromisso. Viemos a Copenhague prontos para tomar as medidas necessárias para alcançar um novo acordo abrangente e operacional que servirá de fundação para um crescimento econômico sustentável de longo prazo.

É necessário que este seja um esforço comum. Todas as principais economias, desenvolvidas e em desenvolvimento, precisam tomar ações robustas e transparentes para reduzir suas emissões de carbono. É claro que as ações exigidas para os países desenvolvidos e principais países em desenvolvimento não serão idênticas, mas todos precisam fazer sua parte.

O simples fato é que quase todo o aumento das emissões nos próximos 20 anos virá do mundo em desenvolvimento. Sem a sua participação e compromisso, uma solução é impossível. Alguns estão preocupados que um forte acordo em mudança climática possa minar os esforços das nações em desenvolvimento para fomentar suas economias, mas o oposto é verdadeiro. Esta é uma oportunidade para mover investimentos e criar empregos em torno do mundo, e levar energia para centenas de milhões de pobres em torno do planeta.

Por isso que os EUA estão apoiando um acordo que tanto complemente quanto promova o desenvolvimento sustentável, direcionando o mundo para uma economia de baixo carbono. O acordo que buscamos fornecerá generoso apoio financeiro e tecnológico para países em desenvolvimento, particularmente aos mais pobres e vulneráveis, para ajudá-los na redução de emissões e adaptação à mudança climática. E estamos prontos a nos unir ao esforço para mobilizar fundos de rápido acesso que chegarão a US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 18 bilhões) em 2012 para apoiar a adaptação e a mitigação nos países em necessidade.

Todos nós podemos ver o caminho adiante que emergiu de meses de negociações: ação nacional decisiva, um acordo operacional que internacionaliza esses compromissos, assistência às nações mais vulneráveis e menos preparadas para enfrentar os efeitos da mudança climática e padrões de transparência que deem credibilidade a todo o processo.

Os EUA estão prontos para adotar este caminho e esperamos que o resto do mundo una-se em torno dele nesta semana.

*Hillary Rodham Clinton é secretária de Estado dos EUA

Tradução: Deborah Weinberg

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