UOL Notícias Internacional
 

21/01/2010

Extremistas muçulmanos de origem americana preocupam autoridades dos EUA

International Herald Tribune
H.D.S. Greenway
Nós americanos estamos acostumados a ser bem mais presunçosos a respeito da integração dos muçulmanos na sociedade americana, em comparação com a forma como os europeus convivem -ou não convivem- com os muçulmanos que vivem na Europa. Diferente da Europa Ocidental, os Estados Unidos não se importam com o grande número de muçulmanos da Ásia e do Norte da África que compensaram a escassez de mão-de-obra após a Segunda Guerra Mundial.
  • Reuters - 15.jan.2005

    Muçulmanos de todo o mundo participam de peregrinação anual à cidade sagrada de Meca



Os Estados Unidos nunca enfrentaram o problema do "trabalhador convidado", de convidados que não apenas nunca voltaram para casa, mas que chamaram seus parentes para se juntarem a eles, como a Europa fez nas cidades fabris da Inglaterra, nos "banlieues" de Paris e nas cidades industriais da Alemanha. A América Latina era a fonte de nosso problema de imigração.

Foi dito que os imigrantes que a Europa importou eram frequentemente de regiões pobres e remotas de seus respectivos países, que teriam dificuldade de se ajustarem em Istambul, Casablanca e Lahore, quanto mais em Bradford, Clichy-sous-Bois ou Kruezberg.

Nossos muçulmanos eram mais educados, melhor ajustados e estavam dispostos a se integrarem na sociedade americana em vez de se entocarem em guetos ao redor das cidades industriais, com alguns se recusando a aprender a língua dos países em que residiam, e trazendo de fora seus irmãos e noivas. Em vez de formarem a camada mais pobre da sociedade, os muçulmanos americanos eram na maioria de classe média.

O multiculturalismo do Reino Unido parecia ter fracassado, com muçulmanos demais nunca realmente aceitando ou sendo aceitos na vida britânica. Após o atentado contra o metrô de Londres realizado por muçulmanos locais, um colunista britânico escreveu que nos Estados Unidos não há "um vácuo de lealdade onde deveria haver uma identidade nacional". Os Estados Unidos "preenchem o vácuo com americanismo. A lealdade é instilada constantemente, não apenas em cerimônias isoladas, seja saudando a bandeira ou cantando o hino nacional em partidas esportivas". O Reino Unido poderia aprender algo com os Estados Unidos? O problema, como colocou o líder conservador David Cameron, é que os britânicos "não penduram bandeiras na frente de suas casas".

A França, na tradição da "igualdade", tratava todos como franceses primeiro e tudo mais -religião e etnia- como sem importância e secundário, pelo menos na teoria.

Mas, na prática, nunca pareceu funcionar dessa forma. Os imigrantes não são realmente aceitos na França, com pouquíssimos deles representados no governo, na Assembléia Nacional ou na vida da nação. E hoje a França lida com questões de identidade nacional.

Na Alemanha, assombrada pelo seu passado nazista, há uma relutância em impor a cultura alemã aos imigrantes. "Nós alemães, em particular, não tínhamos o direito de impor nossos hábitos altamente questionáveis a outras culturas", escreveu o escritor Peter Schneider.

Os europeus, ao que parece, não conseguiram se ajustar ao fato de terem se tornado países de imigrantes, em vez de emigrantes como no passado. Os Estados Unidos sempre foram abertos à imigração. A cidadania, a bandeira e nossas instituições definem o que é ser americano, não como as pessoas se vestem. Logo, as constantes controvérsias em torno de lenços de cabeça, que mexeram com o âmago da sensibilidade europeia, pareciam estranhas aos ouvidos americanos. Um referendo nacional para proibir minaretes seria inconcebível nos Estados Unidos.

Assim, nós achamos que nosso próprio americanismo nos tinha inoculado contra a radicalização da juventude muçulmana. Os planejadores britânicos das explosões no metrô de Londres, as células do 11 de Setembro em Hamburgo, ou o nigeriano que estudou no Reino Unido e estava disposto a derrubar um avião de passageiros não seriam reproduzidos aqui. Nossos muçulmanos eram imunes, nós imaginávamos.

Mas agora, com jovens somalis-americanos partindo para a jihad no Leste da África, com paquistaneses-americanos fazendo o mesmo no Paquistão, e um ex-vendedor de café em Nova York chamado Najibullah Zazi preso pelo planejamento de um atentado, além do massacre de companheiros militares pelo major Nidal Nasan, nós percebemos que o canto da sereia da jihad não cai em ouvidos moucos nestas praias. Uma década de invasão a países muçulmanos está tendo efeitos radicalizadores aqui em casa. Nós não podemos mais nos dar ao luxo de sermos presunçosos.

O FBI tenta se infiltrar nas células extremistas, com razão. Mas há relatos de que organizações muçulmanas americanas que cooperaram com a lei no passado estão se sentindo alienadas pela crescente pressão e reconsiderando sua cooperação.

O pior que poderíamos fazer como uma sociedade é reagir exageradamente, fazer com que os muçulmanos americanos não se sintam integrados conosco; na prática, remover as bandeiras americanas da frente de suas casas.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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