Resultados da BMW e Volks mostram aquecimento no mercado de carros de luxo, principalmente na China e Brasil

Jack Ewing

Em Frankfurt (Alemanha)

  • Michael Probst/AP

    Autoridades alemãs durante apresentação do modelo BMW Z4, no salão do automóvel de Frankfurt, na Alemanha

    Autoridades alemãs durante apresentação do modelo BMW Z4, no salão do automóvel de Frankfurt, na Alemanha

O mercado de carros de luxo está se recuperando, mas os fabricantes dos carros mais baratos, aqueles que a maioria das pessoas dirige, ainda poderão ter dificuldades com os lucros magros por muitos anos. Essa foi a mensagem extraída dos relatórios de lucros divulgados pela Bayerische Motoren Werke e Volkswagen na quinta-feira.

A BMW disse que sua divisão de carros retornou ao lucro no quarto trimestre de 2009, à medida que as vendas se estabilizaram nos mercados estabelecidos e cresceram em países emergentes como China e Brasil. O aumento da demanda por modelos mais caros, como o top de linha Série 7, contribuiu para os ganhos. 

No ano como um todo, o lucro líquido da BMW superou as expectativas, caindo 36%, para 210 milhões de euros. Analistas entrevistados pela agência de notícias “Reuters” tinham, em média, uma previsão de lucro de 174 milhões de euros. As vendas caíram 4,7%, para 50,7 bilhões de euros. 

A Volkswagen também informou que teve lucro no ano e vendas recordes, confirmando os números divulgados no início deste mês. Mas um olhar mais atento mostra que sua unidade de carros de luxo, Audi, foi responsável por quase todo o lucro operacional de 1,9 bilhão de euros, que representou um declínio de 71% em comparação a 2008. 

A Audi divulgou na semana passada um lucro operacional de 1,6 bilhão de euros. Isso significa que as marcas populares da Volkswagen, que também incluem a Skoda da República Tcheca e os carros SEAT, feitos na Espanha, mal conseguiram não dar prejuízo, segundo Ferdinand Dudenhoffer, diretor do Centro de Pesquisa Automotiva da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha. 

“O lucro do Grupo VW se baseia quase que exclusivamente na força da Audi”, escreveu Dudenhoffer em uma análise sobre os resultados da fabricante de automóveis. “As marcas populares do Grupo VW estão caminhando para um novo problema de custo.” 

Se a Volkswagen está atingindo vendas recordes de unidades, mas mal conseguindo ganhar dinheiro com os carros pequenos, a estrada para a recuperação parece mais longa do que nunca para outras fabricantes de carros para o mercado de massa, como a General Motors e sua unidade Opel/Vauxhall, ou para a Renault, que perderam bilhões em 2009. 

Os resultados da Volkswagen são uma notícia particularmente ruim para os fabricantes de automóveis, porque a empresa, com sede em Wolfsburg, Alemanha, é considerada uma das mais saudáveis da indústria, com forte participação de mercado em países em desenvolvimento com rápido crescimento e com um amplo portfólio de produtos, incluindo 75 modelos novos ou melhorados apenas no ano passado. 

“Entre os fabricantes de automóveis europeus, a Volkswagen é certamente a melhor posicionada globalmente”, disse Georg Sturzer, um analista da UniCredit, em Munique. 

Incluindo todas as suas marcas, a Volkswagen vendeu mais de 6,3 milhões de carros e caminhões em 2009, um aumento de 1,3%. Mas o valor dessas vendas caiu. A receita da Volkswagen caiu 7,6%, para 105,2 bilhões de euros, disse a empresa. 

“Nós temos que continuar nos esforçando em nossas estruturas de custo”, reconheceu Hans Dieter Potsch, o diretor financeiro chefe da Volkswagen, em uma declaração. 

Poucos fabricantes são tão fortes na China e em outros mercados emergentes como a Volkswagen, onde as vendas de carros deverão crescer muito mais rapidamente do que na Europa Ocidental. As vendas da VW na China subiram 37% em 2009, para 1,4 milhão de veículos, mais do que a VW vendeu na Alemanha. 

As vendas no exterior ajudarão a VW a compensar o fraco lucro e linhas de montagem subutilizadas em casa, disse Sturzer, mas “outros não conseguirão fazer isso”. 

A Volkswagen disse que espera aumentar o lucro neste ano em comparação ao ano passado, mas alertou que as vendas não voltarão aos níveis de 2007 antes de 2012. 

A BMW também está se voltando aos mercados emergentes em busca de crescimento. Ela disse que as vendas na China cresceram 38% em 2009 e dobraram no Brasil. As vendas de unidades caíram 20% nos Estados Unidos no ano passado, mas a BMW disse que as vendas já melhoraram neste ano. 

Particularmente chamativo foi o aumento das vendas dos carros mais caros da BMW. A Série 7, que custa a partir de 79 mil euros e pode passar de 145 mil euros para uma versão limusine, incluindo assentos traseiros com massagem embutida, registrou um aumento de 36% nas vendas, para 52.680 carros. 

O carro com tração nas quatro rodas, X6, e o esportivo Z4 também apresentaram grandes aumentos de vendas, disse a BMW. 

Sua divisão de carros, que também produz Rolls-Royces e os carros pequenos Mini, não deu lucro nos primeiros nove meses de 2009, mas retornou a um lucro operacional de 93 milhões de euros no último trimestre, disse a BMW. 

A empresa permaneceu lucrativa no geral durante 2009, por causa dos lucros de seus serviços financeiros e das unidades de motocicletas. 

“Nós tivemos um bom desempenho em 2009, apesar das condições difíceis do mercado em todo o mundo”, disse Norbert Reithofer, o presidente-executivo da fabricante de automóveis, em uma declaração. 

A BMW enfrentou a crise financeira melhor do que rivais como a Daimler, a fabricante dos carros Mercedes, porque reduziu cedo sua capacidade de manufatura em 2008 e não acumulou grandes estoques de veículos não vendidos. 

A empresa disse que espera que as vendas melhorem no final deste ano enquanto apresentava novos modelos, como o redesenhado BMW Série 5 e o Mini Countryman com tração nas quatro rodas. 

A BMW disse na terça-feira que as unidades vendidas de todas as suas marcas cresceram 14% em fevereiro em relação ao ano anterior, atingindo 92 mil veículos. Em 2009, a BMW vendeu quase 1,3 milhão de veículos, incluindo o Mini e Rolls-Royce, um declínio de 10,4% em comparação a 2008. 

A empresa disse que pagaria dividendos de 30 centavos de dólar para cada ação comum e 32 centavos para ações preferenciais. 

As ações da BMW subiram 1% no pregão em Frankfurt, enquanto as ações preferenciais da Volkswagen subiram 3%, depois que a empresa disse que não venderia tantas novas ações para financiar aquisições, como os investidores temiam.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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