EUA precisam pressionar Irã mesmo sem cooperação internacional, defende parlamentar

Howard L. Berman

  • Abedin Taherkenareh/Efe

    Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã

    Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã

O Irã está adquirindo rapidamente a capacidade de produzir armas nucleares, e as perspectivas de se impedir este cenário de pesadelo estão se reduzindo a cada dia. Os Estados Unidos têm que agir urgentemente no sentido de intensificar a pressão sobre o regime iraniano – com a cooperação da comunidade internacional, se possível, mas por conta própria, se necessário.

É tolice achar que o Ocidente seria capaz de conter ou deter Teerã caso os iranianos adquirissem a bomba. Um Irã nuclearmente armado criaria uma perigosa nova era de instabilidade no Golfo do Pérsico e no Oriente Médio.

Os terroristas protegidos por Teerã também ficariam fortalecidos. O Irã agiria impunemente frente à pressão norte-americana e internacional para modificar o seu comportamento internacional perigoso e acabar com os seus terríveis abusos dos direitos humanos. E isso desencadearia uma corrida de armas nucleares na região, o que provocaria o colapso do regime global de não proliferação nuclear.

Não pode haver mais dúvida de que o Irã está determinado a desenvolver armas nucleares.

Teerã rejeitou uma oferta generosa para que o seu urânio fosse enriquecido por outras nações para uso em um reator de pesquisas médicas – uma proposta que teria proporcionado algum espaço para a diplomacia.

Em setembro do ano passado, o Irã foi pego em flagrante construindo uma instalação secreta de enriquecimento de urânio em uma base militar próxima à cidade de Qom. E o regime iraniano recentemente acelerou os seus esforços para enriquecer urânio a um grau de pureza mais elevado, dando assim um passo a mais em direção à bomba.

Muitos especialistas acreditam que o Irã poderia desenvolver uma arma nuclear até meados do ano que vem, e um míssil nuclearmente armado em até cinco anos.

Conforme declarou recentemente o presidente Obama, um Irã nuclearmente armado é algo inaceitável. Mas o que podemos fazer para impedir isso?

Eu apoiei energicamente as tentativas repetidas do presidente de manter negociações com o Irã sobre o programa de armas nucleares do país. Mas todas essas iniciativas diplomáticas foram rechaçadas, e agora deve estar claro para o mundo que Teerã não tem intenção de modificar a sua rota imprudente na ausência de pressões fortes e contínuas por parte da comunidade internacional.

Chegou a hora de ir além das negociações e concentrarmos os nossos esforços na tática de pressão.

Os Estados Unidos têm liderado a iniciativa para que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) imponha duras sanções contra o Irã, mas esse esforço parece que não está surtindo efeito.

Vários membros do Conselho de Segurança parecem não estar dispostos a reconhecer a extrema urgência da situação que nós ora enfrentamos. Se governos recalcitrantes quiserem bloquear ou diluir a capacidade das Nações Unidas de tomar medidas enérgicas e rápidas, neste caso, nós, norte-americanos, não teremos escolhas a não ser agir por conta própria.

Tanto a câmara dos deputados quanto o senado dos Estados Unidos aprovaram projetos de lei para que sejam impostas novas e duras sanções contra o Irã, e as duas casas parlamentares em breve reunir-se-ão para reconciliar as diferentes legislações. Em uma questão de semanas, nós pretendemos enviar uma legislação final a Obama para que ele a assine.

Essa legislação imporá penalidades severas contra as companhias que venderem produtos refinados de petróleo ao Irã ou apoiarem o desenvolvimento da capacidade iraniana de refinação doméstica de petróleo. Isso incluirá uma proibição de concessão de quaisquer verbas ou contratos do governo dos Estados Unidos. Ela também acabará com as brechas em uma legislação existente cujo objetivo é impor sanções contra companhias que investirem mais de US$ 20 milhões (R$ 36 milhões) no setor energético iraniano – a maior fonte de recursos para os programas de armas nucleares do Irã.

Em antecipação a essas modificações da legislação norte-americana, diversas grandes companhias já decidiram interromper os seus negócios com o Irã.

A legislação final deverá também impor sanções a firmas estrangeiras que venderem equipamentos e tecnologias usadas pelo regime iraniano para tiranizar o seu povo.

O Congresso dos Estados Unidos monitorará atentamente o desenrolar dos acontecimentos no Conselho de Segurança da ONU nos próximos dias e semanas, e nós ainda esperamos que haja um avanço no sentido de aplicar novas e duras sanções que fariam com que o Irã abandonasse a sua busca por armas nucleares.

Até onde fosse possível, a legislação deveria complementar sanções multilaterais, e nós deveríamos fornecer ao governo Obama um pouco mais de margem de manobra para que ele obtivesse um resultado positivo.

Mas, com o relógio nuclear do Irã tiquetaqueando e o povo iraniano sofrendo, o mundo tem que entender que a paciência dos Estados Unidos é limitada e que o período de espera está chegando ao fim.

Howard L. Berman, parlamentar do Partido Democrata pelo Estado da Califórnia, é presidente do Comitê de Questões Internacionais da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos

Tradutor: UOL

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