Começando pequeno, mas pensando grande

Brad Spurgeon

  • Ahn Young-Joon/AP

    O jovem Bruno Senna observa equipe durante sessão de treinos para o GP de Xangai, na China

Bruno Senna, 26, é o novo piloto da equipe Hispania, uma das três novas equipes de baixo orçamento que estrearam na Fórmula 1 este ano. O brasileiro Senna é sobrinho do tricampeão mundial da Fórmula 1 Ayrton Senna, que morreu num acidente de corrida em 1994. Senna falou a Brad Spurgeon, do International Herald Tribune, sobre suas primeiras três corridas na Fórmula 1.

IHT: É um desafio técnico muito grande começar numa equipe pequena, com pouca experiência na Fórmula 1?

Bruno Senna: Estou me sentindo em casa. Acho que os engenheiros dão para nós, pilotos, muita liberdade e crédito por ajudá-los, e o inverso também acontece. Nós trabalhamos muito bem juntos. E, felizmente para mim, tenho bastante facilidade para sentir o carro e traduzir isso em informações para os engenheiros.

IHT: Foi difícil escolher entre entrar para uma equipe pequena e ter esse tipo de relação mas ter problemas com a falta de performance, e entrar numa equipe grande mas ficar perdido na máquina?

Bruno Senna: É sempre bom correr na frente. É bom para a confiança. As equipes que têm uma base de engenharia bastante sólida e um conhecimento do carro bastante sólido também podem ajudar o piloto; às vezes o piloto está com dificuldades e elas podem ajudá-lo. Mas em termos de experiência, isso é muito bom para mim. Posso sair desta temporada como um piloto bem mais completo, um piloto bem mais experiente que pode ir para uma das equipes grandes, uma das outras equipes, e dar a elas mais informações do que os caras que não passaram por isso. Esta é uma ótima oportunidade para eu me desenvolver.

Você só precisa mudar seus objetivos e reduzir as suas expectativas. Acho que à medida que as coisas se desenvolvem, podemos começar a ajustar nossos objetivos a conquistas maiores. É muito fácil se perder nos pensamentos. “Ah, nunca vou conseguir chegar a um bom resultado e nunca vou fazer pontos.” Mas você nunca sabe. Correr no Grande Prêmio é muito imprevisível. E estamos trabalhando duro. Tenho muita energia para trabalhar, todos na equipe estão muito motivados e eu estou motivado de verdade. Quero que minha carreira dure muitos anos. E não penso só no momento. Eu penso no futuro.

IHT: Mas não há muito tempo para um piloto de Fórmula 1 mostrar o quanto vale. Seu objetivo para este ano é ser notado o mais rápido possível e superar seu colega de equipe Karun Chandhok?

Bruno Senna: Como colegas de equipe nós trabalhamos juntos para deixar o carro melhor, mas ele é meu primeiro inimigo na pista. Então, para mim, e imagino que para Karun também, o primeiro objetivo é superar o outro. Mas vejo isso como uma questão de fazer o melhor que podemos com a oportunidade que temos. Se eu posso ser o melhor que puder toda vez que dirigir o carro e depois trazê-lo de volta para a garagem com informações positivas para ajudar a equipe a ir mais rápido, mostrando o meu valor durante o fim de semana de corrida, este é o tipo de coisa que as pessoas percebem, e a equipe também percebe. Então você pode ter uma chance dentro da equipe para o ano que vem ou uma chance em algum outro lugar para o ano seguinte. Só o tempo dirá o que vai acontecer.

IHT: Você está se divertindo?

Bruno Senna: Estou. Estou gostando de verdade. Melbourne foi duro porque foi difícil dirigir o carro. Mas prefiro ter um carro muito difícil que obriga o piloto a buscar um resultado com suas habilidades a ter um carro que não tem muita mobilidade nas curvas e não faz o coração acelerar. Assim dá mais emoção.

IHT: Você acha que seu tio Ayrton aprovaria o que você está fazendo e como está fazendo?

Bruno Senna: Bem, espero que ele esteja orgulhoso porque com certeza não estou sendo preguiçoso. Acho que ele valorizava bastante o trabalho duro. Desde o começo da minha carreira estou acostumado a estar um passo atrás dos outros caras. Acho que o único ano em que eu de fato fiquei num nível bom em relação aos outros caras foi na Fórmula GP2 em 2008, quando tive uma experiência boa dos anos anteriores, fui muito bem com o carro e pude lutar pelo campeonato, e foi o que eu fiz. Mas no final, a experiência tem um papel muito grande nas corridas, e ser rápido é apenas uma das habilidades de um piloto. Você precisa ter um bom coração, você precisa ser confiante. E pequenas coisas podem abalar sua confiança, então espero que ele esteja orgulhoso.

Tradutor: Eloise De Vylder

UOL Cursos Online

Todos os cursos